O homem de meus sonhos

Jasmine é uma garota de dezesseis anos que estranhamente começa a ter sonhos extremamente reais com um homem de feições e comportamentos que ela considera perfeitos. Apaixona-se perdidamente pela fantasia que encontra em seus sonhos e vive, em sua própria mente, uma grande história de amor que, aparentemente, se manteria bem longe da realidade. Mas, com sua mudança de cidade, Jasmine conhece um rapaz de mesma idade com aparência idêntica ao do homem de seus sonhos. Jasmine enlouquece com a possibilidade de viver na vida real um amor como o de seus sonhos só que, infelizmente, o homem da vida real não pensa, nem age como o de sua fantasia. E agora?

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Mal havia chegado na sala e minha mãe já se aproximava, meio afobava, balançando as mãos e olhando fixamente para mim. Claramente, queria contar-me algo e não demorou a dizer:

- Seu pai conseguiu um emprego melhor. Vamos para o Rio de Janeiro em uma semana. Falta só resolver as documentações da sua escola e do seu irmão e já vamos. Vamos poder morar na beira da praia e ter uma vida mais tranquila.

A felicidade dela era tanta que eu não fui capaz de interromper-lhe. Eu não gostava nem um pouco da ideia de deixa o lugar onde eu havia passado a minha vida inteira. E gostava menos ainda de saber que precisaria deixar para trás todos os meus amigos e conhecidos, todos aqueles que faziam com que eu me conhecesse como eu mesma. Longe de todos, eu já não saberia quem era. 

Quero dizer... hoje, posso dizer que sou uma menina de dezesseis anos, que quase sempre pode ser encontrada em casa lendo um bom livro ou na casa de Melissa ou de Jaqueline, comendo brigadeiro, assistindo filmes ou enchendo o saco de Mel sobre o namorado que supostamente ela tem. Além disso, também sei dizer que sou aquela que quase todos os dias vai para a mesma escola, evitar os mesmo idiotas.

E quem eu seria longe de toda essa gente? E quem eu seria longe de tudo isso que me construiu até então? Seria Jasmine. Jasmine, filha de Amanda e Thomas, irmã de Carlos. E só. Jasmine como nasci, com um amontoado de nomes e uns números que me registram como pessoa. Fora isso, mais nada. Longe dessa gente, longe desse lugar... eu não seria ninguém.

- Vou sentir falta disso tudo... - comentei num tom meio triste, mas conformado. Eu entendia que não havia opção. Que teria que ir e não havia como.

- Chame Mel e Jack para dormirem aqui hoje, Jasmine, assim você conta a novidade para elas e já se preparam para a despedida.

- Está bem! - concordei e peguei o celular.

Liguei para elas e fiz o convite. Mel disse que em 15 minutos chegaria em casa. Jack contou que saíra para passear com a família, mas que à noite viria sem falta. 

Liguei a televisão e aguardei a chegada de Mel. Trocava os canais repletos de propaganda quando a campainha finalmente tocou. Três toques. O primeiro mais longo. O segundo um pouco mais curto. E o terceiro curtíssimo. Era Melissa certamente. 

Mel tinha um senso de divertimento estranho. Ela achava engraçado tocar a campainha de maneira diferente dos demais. Gostava de seguir seus próprios padrões. Trocava os cadarços dos tênis, inventava maneiras novas de amarrar os sapatos. Andava de um jeito esquisito e estava sempre dando risada de tudo. A vida, para ela, era uma verdadeira festa.

Era divertido tê-la como companhia. Mel era contagiante e o sorriso que tinha sempre se espalhava por todos os cantos. 

Corri para abrir a porta. E, assim que vi que realmente era ela, não demorei a abraçá-la com força. Minha mãe deu risada e comentou:

- Você já vai saber...

Soltei de minha amiga e olhei para as duas. Fiz uma careta forçada.

- Quer dizer que enquanto a amiga abraça, a outra fica fazendo sinais e conversando pelas minhas costas, é isso mesmo? E com a minha própria mãe! Como posso ter sido enganada assim? - dizia em claro tom de brincadeira, apesar da situação realmente ter me incomodado um pouco.

- Não mude de assunto. Que abraço repentino foi esse? Jas, o que tem pra me dizer? - Mel assumia um tom de acusação. 

- Vou sair da cidade. - passei a expressões sérias novamente - Meu pai mudou de emprego.

- Está brincando? 

- Gostaria de estar, mas é sério, Mel.

- Não acredito que você vai me deixar aqui sozinha com a Jack.

- A Jack não é tão ruim assim...

- Com quem eu vou desabafar agora?

- Com a Jack, ué...

- Não é a mesma coisa. Ela não entende...

- Eu venho fazer visitas e você também pode me visitar...

- De quanto em quanto tempo? A cada mês? Você vai acabar conhecendo gente nova e esquecendo da gente rapidinho. 

- Meninas... - minha mãe, que escutava tudo, cortava a nossa conversa - vocês não precisam parar de falar só porque vamos nos mudar. Ainda podem usar o celular, o computador e mais esse monte de tecnologias.

- Ou trocarmos cartas! - Mel abria um sorriso faceiro. Ela havia gostado da própria ideia e gostado muito.

- Então, trocaremos cartas... - falei meio desconfiada, sem conseguir não me contagiar com o sorriso.

 

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