O homem de meus sonhos

Jasmine é uma garota de dezesseis anos que estranhamente começa a ter sonhos extremamente reais com um homem de feições e comportamentos que ela considera perfeitos. Apaixona-se perdidamente pela fantasia que encontra em seus sonhos e vive, em sua própria mente, uma grande história de amor que, aparentemente, se manteria bem longe da realidade. Mas, com sua mudança de cidade, Jasmine conhece um rapaz de mesma idade com aparência idêntica ao do homem de seus sonhos. Jasmine enlouquece com a possibilidade de viver na vida real um amor como o de seus sonhos só que, infelizmente, o homem da vida real não pensa, nem age como o de sua fantasia. E agora?

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5. Jaqueline

O restante da tarde passou tão depressa quanto o almoço. Vinha com aqueles diálogos óbvios, naquela monotonia típica da rotina. E continuaria assim se não fosse pela chegada de Jack. Assim que a campainha tocou, quase na hora de dormir, e fomos atendê-la, Jack correu para nos dar um abraço. E, ainda durante o abraço, antes que eu pudesse preparar o terreno ou contar para ela o quanto ela era importante, Mel começou:

- A Jas vai embora pro Rio. - falava desesperada e rapidamente como se aquilo fosse um peso gigantesco em suas costas que precisava ser tirado. 

- O quê? - Jack dava um grito e nos largava de imediato - Eu não acredito que além de decidir ir embora para longe sem consultar qualquer uma de suas amigas, você ainda chama a gente para dormir na sua casa para dar a notícia. Tipo... - segurava lágrimas que eu não sabia se eram de tristeza pela separação ou de raiva - depois de ser apunhalada pelas costas, ainda tenho que dormir no mesmo quarto de quem me apunhalou. Fez questão de tudo isso só para ter certeza de que poderia ir sossegada sem ninguém te enchendo o saco no lugar novo, né?

- Jack... não é bem assim. Olha, meus pais vão e eu não tive como... - eu tentava contornar a situação.

- Você não é grudada com seus pais. Podia ter fugido! Ter ido morar comigo. Eu te acolhia. Não ia ter problema. Eu não acredito! - falava brava, fechando os punhos e os levando para baixo, frustrada.

- Seus pais não iam deixar, Jaqueline! - Mel fazia um bico ao ver Jack daquela maneira. Os surtos da amiga realmente a irritavam.

- Eu dava um jeito! NÓS sempre damos um jeito em tudo! Sempre... - baixava o tom, parecia já mais triste que enraivecida - até agora...

- Awwwn! Ainda vamos dar um jeito! - Puxava as duas novamente para um abraço. Mas ambas ainda pareciam um tanto incomodadas com a situação.

- Você não podia - falava Jack num tom choroso durante o abraço.

- Ela não tem culpa. Agora pare de agir feito uma criança chata! - Mel nos largava e erguia uma sobrancelha.

- Você é que é uma criança chata... - Jack puxava Mel de volta para nos abraçar novamente.

Eu não aguentava e derramava uma ou duas lágrimas. Eu sabia o quanto eu sentiria falta de brigas como aquelas. E não queria perder o momento. Não queria perder nem um segundo do que eu tinha diante de mim... porque não sabia quando teria novamente. Não fazia ideia de quando eu conseguiria amigas tão briguentas e tão unidas quanto aquelas. Não sabia quando veria se repetir uma cena tão simples... E, tendo-as comigo, já me faziam falta.

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