One Night Stand

Cady Jones é uma garota de 16 anos que vem de Atlanta, e a sua melhor amiga chama-se Caitlin Beadles. Perto da páscoa Caitlin conta a Cady que uma pessoa especial vai voltar em breve. Cady odeia-o mais do que tudo, mas será que o passado poderá mudar? * Esta movella foi originalmente escrita em dinamarquês por Izabell, que deu permissão para que fosse traduzida para português por Marta Sena.

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1. Uma ’boa’ surpresa

 

Estava procurando os livros no meu cacifo feio amarelo. A aula de matemática iria ocupar a primeira hora da manhã. Coloquei os livros com os trabalhos-de-casa do fim-de-semana no cacifo e fechei-o. Peguei na minha mochila e coloquei os outros livros lá dentro. Caminhei por entre uma série de alunos cansados até à sala de aula. Assim que entrei, pela porta quebrada e amarela, vi que não havia muitos alunos. Apenas três, e nem sequer eram aqueles com quem eu me dava melhor. Sentei-me na parte de trás da sala e esperei pela Caitlin. Olhei o meu relógio de pulso que dizia serem três minutos para as oito. Aparentemente tinha chegado cedo demais. Na verdade eu nem costumava ser uma daquelas alunas que costumava chegar sempre a tempo. Mas hoje iria ser um dia diferente, pelo menos assim parecia. A Caitlin já me tinha dito que tinha uma ótima notícia para me dar. Por isso é que eu tinha vindo tão cedo, já estava na escola há meia hora, e numa 2a-feira de manhã! Os meus pensamentos foram interrompidos pelo toque da escola. Tirei os livros da mochila e coloquei-os sobre a mesa. Olhei para a porta e vi os alunos a entrar apressadamente na sala de aula, e sentarem-se nos seus lugares. Entre eles estava Caitlin. Assim que ela me viu, veio na minha direção. ”Oi!” disse ela sorrindo. Eu sorri de volta.

”Bom dia!”, respondi. Ela se sentou ao meu lado e sacou dos livros. ”Então...” comecei eu. Ela me olhou e sorriu descontraida. ”O que é que você me queria contar?” perguntei. Ela sorriu entusiasmada. E eu a olhei nervosa. Odiava quando ela fazia isso! Tanto podia ser coisa boa, como má! ”Próxima 6a, ’cê tá ouvindo?” disse ela. Eu acenei com a cabeça. ”Vem o Justin!” anunciou ela. Eu abri os olhos e fiquei boquiaberta enquanto Caitlin dava risadinhas de alegria. Ela tinha mesmo dito Justin, o Justin Bieber, o músico célebre. Oh, não. ”De verdade?” perguntei meio tola. Ela acenou rapidamente que sim com a cabeça. ”Caitlin, você sabe bem que eu o odeio”, sussurei eu. Ela suspirou. ”Sim, eu sei, mas pelo menos podia ficar feliz por mim, que não o vejo há mais de um ano,” respondeu com um sorrisinho. Sim, é verdade que ele tinha estado em turnê há mais de um ano. Se ao menos ele ficasse em turnê o resto da vida! Fiquei olhando um pouco atarantada, mas forcei um sorriso. ”Está bem, se você fica feliz, ” disse. Ela sorriu agradecida. Deu o toque do primeiro intervalo, eu peguei nos livros. Aula de Francês terminada! Agora já só faltam três aulas.

Suspiro! Me levantei e fui em direção à porta com a Caitlin atrás de mim. Fomos até à cantina comer. Parámos nos cacifos para deixar os livros e pegar os que iríamos usar à tarde. Nas próximas aulas não íamos estar juntas, infelizmente. Eu tirei o livro de biologia. A disciplina que eu mais odeio! Voltei-me para a Caitlin. Nós tinhamos sorte de os nossos cacifos serem um ao lado do outro. ”Vamos almoçar?” perguntei. Ela acenou que sim e pegou na mochila. A gente foi até à cantina e pôs-se na fila. Eu comprei uma sandwich e uma água, e a Caitlin fez o mesmo. Depois fomos até uma das únicas mesas livres. Sentámo-nos. Eu desembrulhei a minha sandwich com cuidado. ”Quanto tempo ele vai ficar aqui?” perguntei referindo-me ao Justin. ”Cady, ele vive aqui, já se esqueceu?” retorquiu com um sorriso pateta. Eu suspirei e bebi um gole de água. ”Mas ele não tem que ir em turnê?” perguntei esperançosa. Ela abanou a cabeça em sinal negativo. ”Ele acaba de estar em turnê. Agora vai preparar o novo albúm” respondeu sem dar conta do meu tom irritado. Eu anui com pesar. Ah, como eu o odeio! Neste momento você deve estar se perguntando porque razão eu e o Justin nos odiamos. A resposta: quando eu vim para Atlanta e conheci a Caitlin, tornámo-nos melhores amigas, e eu tenho que admitir que a minha vida estava uma desordem. Essa era também a razão que tinha levado a que eu me tivesse mudado para casa do meu pai em Atlanta. A minha mãe não sabia o que fazer comigo. O meu pai pelo menos sabia melhor como lidar comigo. Mas bom, o Justin tinha estado em casa durante um mês por causa da Caitlin, e ele achava que eu era má companhia para a Caitlin. Porque para ele eu não passava de uma garota irresponsável que bebia demais, e fazia festa todo o tempo. E é verdade que era isso que eu tinha feito no passado. Mas eu tinha melhorado bastante desde que me tinha mudado para Atlanta. Tinha deixado de fumar, beber e de me comportar como uma doida. Na escola onde eu tinha andado na Florida, era conhecida por sempre fazer escândalo com o meu comportamento irresponsável. A minha mãe não fazia a menor ideia do que eu andava a fazer, mas no dia em que ela descobriu que estava fumando com umas amigas, ela passou-se. E mais tarde, quando descobriu que eu continuava, mandou-me para casa do meu pai. Por isso agora eu vivo aqui e ela lá com os meus irmãos. Mas então, o Justin estava a visitar a Caitlin, quando eu apareci e a primeira coisa que ele disse foi ”O que é que ela faz aqui?” E aí eu me passei. Eu tinha dificuldade em me controlar e por isso a coisa foi um descalabro. É verdade, a gente brigou mesmo e aí ele disse que eu era uma má influência para a Caitlin, e a discussão ficou ainda mais brava. A Caitlin ficou furiosa. E desde esse dia a gente não se fala. Ainda hoje a gente não está se falando... a Caitlin acha que nós estamos sendo ridículos, mas isso é problema dela. ”Ai, eu mal posso esperar!!” interrompeu ela enquanto eu comia a minha sandwiche. ”Estou vendo. Mas não fique à espera que eu me encontre com ele!” disse eu com seriedade. Ela me provocou ”Você pode pelo menos dizer ’oi’ quando o vir!”. Eu  a olhei meio parva. E ela me sorria tentando me convencer. ”Caitlin, realmente, porque raio hei-de cumprimentá-lo? Está à espera que vá ter com ele e diga ’Oi Justin, como vai?’” disse irritada. Ela sorriu, ”Não tinha pensado nisso... mas tudo bem”. Eu suspirei. ”Eu tinha só pensado que nós os três podíamos fazer coisas juntos” disse ela com um sorriso enorme. ”Um programinha juntos?” disse eu com fervor enquanto ela dizia que sim com a cabeça. ”Não, obrigada” retorqui. Ela me olhava irritada. ”Vamos Cady, ele não é assim tão ruim,” disse ela. Eu rolei os olhos ”Mas e se...” sussurei. ”Vamos Cady!” pediu ela. ”Caitlin, ainda faltam quatro dias até ele vir,” retorqui. ”E aí, que tem?” perguntou ela irritada. ”Pode ser que o avião dele caia,” disse esperançosa e com um sorriso malicioso. Ela me olhou furiosa. Eu suspirei. ”Tudo bem!” Não tinha como dizer não a Caitlin. Ela já tinha feito tanto por mim. Ela estava sempre lá para me ajudar com os meus problemas e o meu alcoolismo. Por isso eu sempre sentia que lhe devia algo. ”Obrigada, muito obrigada!” Ela se colocou na minha frente e me deu um abraço enorme. Por uns momentos senti que todos na cantina olhavam para nós as duas abraçadas. Que vergonha! Finalmente livre, caminhámos as duas até ao parque de estacionamento. Enquando caminhávamos falávamos dos nossos planos para as férias da páscoa. A páscoa era na semana que vinha. Mais uma razão para que a Caitlin quisesse que eu viesse e me encontrasse com ele. ”Então, nos vemos amanhã?” disse eu. Ela sorriu e perguntou pela centésima vez ”Tem a certeza que não quer vir para casa comigo?” Eu acenei que sim com a cabeça. ”Biologia...” sussurei. A maior seca do mundo! ”Arghh. Mas a gente se vê amanhã. E a gente se escreve logo, certo?” Eu sorri e disse que sim. A gente se abraçou e pegou nas bicicletas. Infelizmente vivíamos em direções opostas e por isso separámo-nos mesmo à saída da escola. ”Até logo,” gritei e segui na minha bicicleta apreciando o ar fresco da primavera. O sol brilava e já se podia usar calça curta – como era o meu caso. Eu parei de repente para pôr os meus auscultadores e escutar o Tonight. Voltei a pedalar até casa um pouco de mau humor, como é meu hábito ao final do dia. Cheguei à minha rua e pedalei com algum esforço até ao topo. Parei ao chegar a casa e estacionei a bicicleta à entrada. Tirei a mochila da cesta da bicicleta e fui até à porta de entrada. Abri a porta com as chaves pois sabia que o meu pai ainda não devia estar em casa. O meu pai era jurista e por isso não faltava nada em nossa casa. Era uma casa enorme onde antes tinham vivido cinco pessoas. Pousei a mochila no hall e tirei as sapatilhas. Depois despi o casaco, pendurei-o no cabide e fui até à sala. Tirei o iPhone do bolso, não havia mensagens. Deixei-o sobre a mesa e fui até à cozinha buscar uma maçã. Depois fui até ao meu quarto e sentei-me à secretária. Liguei o computador. Olhei pela janela enquanto comia a maçã. Olhei de novo para o computador, escrevi a minha palavra-passe, e aproveitei o tempo que demorava para o computador iniciar sessão para ir apanhar um pouco mais de ar fresco. Abri a porta que dava para a varanda. Da varanda podia ver o meu vizinho. Um garoto da minha idade que se chamava Brad. A gente ainda quase não se tinha visto, mas sempre que isso acontecera tinhamos dado um aceno de cabeça um ao outro. Eu virei-me e olhei a estrada. Não se passava nada. Só muito de vez em quando passavam uns carros. Voltei para o meu quarto e sentei-me em frente ao computador. Abri uma janela da internet e um documento no Word. O meu trabalho de casa era escrever acerca de um peixe. Que maçada! Porque os nosso ”queridos” professores de biologia tinham adoecido, tinhamos que fazer um trabalho sobre um peixe. Não era nada o que me apetecia fazer. Abri o google e escrevi ’peixe dourado’ no caixa de pesquisa. Apareceram imediatamente uma infinidade de páginas. Comecei a ler algumas e subitamente ouvi a porta abrir. Levantei-me e desci. O meu pai estava na cozinha a pôr umas compras no frigorífico. ”Oi pai,” disse eu. Ele se virou com um sorriso enorme. ”Oi meu amor,” disse ele enquanto punha o leite na geladeira. ”Porque está tão cedo em casa?” perguntei. Era costume ele chegar a casa mais tarde, por isso eu estava um pouco surpreendida. ”Houve um caso que foi adiado. Por isso pude vir mais cedo para casa,” respondeu enquanto fechava a geladeira. ”Como foi o seu dia?” perguntou. Eu encolhi os ombros e respondi ”Normal....”. Ele anuiu. ”Eu vou ter que sair daqui a pouco porque tenho reunião,” anunciou ele. Agora era a minha vez de anuir. ”Quer que eu prepare o jantar?” perguntei. ”Sim, eu comprei umas coisas para fazer spaguetti,” respondeu com um sorriso. ”Está bom, então. Agora vou fazer os trabalhos-de-casa.” Subi as ecadas e sentei-me em frente ao computador para fazer os trabalhos-de-casa. ”Cady, eu tenho que ir!” anunciou o meu pai da cozinha. Eu tirei os olhos do ecrã do computador. ”Tudo bem, a gente se vê logo!” berrei de volta. Ouvi a porta de entrada abrir e fechar. E voltei a olhar pela janela. Já tinha escurecido. Quando olhei para o relógio me dei conta de que já eram sete e meia. O tempo passou sem eu dar conta. Aparentemente o peixinho dourado tinha-me mantido ocupada por muito tempo. Mas também já tinha escrito três páginas inteiras! Enquanto pensava nisto ocorreu-me que era hora de preparar o jantar. Levantei-me a dirigi-me à cozinha. Comecei a fazer spaguetti à bolonhesa, que é na verdade a refeição que a gente mais come cá em casa. Provavelmente porque eu não sou uma cozinheira muito experiente e é a coisa mais fácil de preparar. Depois sentei-me em frente à televisão a comer enquanto dava o ”Desperate Housewives” que terminou assim que eu acabei de comer. Fui até à cozinha pôr o prato na máquina. Olhei para as horas, eram nove e meia. Eu estava cansada por isso decidi ir-me deitar. Subi, fui ao banheiro e lavei os dentes rapidamente. Escovei o cabelo e fiz um rabo de cavalo. Fui até ao quarto e tirei uma t-shirt e uns shorts do armário. Vesti-os e pûs a roupa para lavar. Depois voltei para o meu quarto e deitei-me na minha cama dupla. Pûs o telemóvel a recarregar e liguei o alarme. Escrevi uma mensagem à Caitlin a desejar boa noite, apaguei a luz e adormeci.

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