Imagine Memórias Perfeitas

O que é que você faria se tivesse a oportunidade de viajar no tempo? Iria corrigir todos os seus erros? Evitar que Hitler tivesse nascido? Ou simplesmente reviver os momentos que tornam a vida tão especial? Estas são as perguntas que Harry Styles se pergunta quando ele e a sua banda têm a oportunidade de experimentar uma máquina, acabada de inventar, que viaja no tempo. Mas a viagem acaba por ser bem diferente do que ele tinham antecipado. Como espetador ele acaba por descobrir segredos do seu passado, e em particular uma garota em que ele nunca tinha reparado, atrai a sua atenção. Ao ver os seus amigos de infância ele se recorda o que perdeu, e no meio de todos os pensamentos, Harry acaba se perguntando: Será que na verdade ele preferia viver no passado? * Esta movella foi originalmente escrita em dinamarquês por Adison, que deu permissão para que fosse traduzida para português por Marta Sena.

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2. Prólogo

Esse lugar era grande, ou talvez grande fosse um eufomismo, esse lugar era gigante. Enquanto olhava em meu redor nessa sala que mais parecia um laboratório, a minha expressão facial revelava-me mais e mais fascinado. Nunca na minha vida tinha visto algo semelhante. Era como se eu fosse uma criança numa loja de brinquedos.

”Uau.” Não saía outra expressão da minha boca. Aqui era tudo tão incrível, que eu emudeci. E embora eu já tivesse visto uns quantos filmes que me tinham dado uma ideia de como se parece uma sala como aquela, eu não deixava de estar boquiaberto.

E nem era porque porque eu me deixava fascinar por invenções científicas assim tão facilmente, mas a constatação de tudo o que poderia ser concebido num laboratório como este, me deixava atônito. Quantas descobertas não teriam sido feitas num laboratório como este. Eu tinha nada mais nada menos que um enorme respeito pelo que estava diante de mim. Sentia-me pequeno, e impotente. E burro.

Os garotos, os guarda-costas e eu seguimos um senhor de bata branca. Ele era ruivo, usava uns óculos retângulares, e uma barba frondosa. Era bem simpático e muito atencioso conosco, mas eu não podia deixar de pensar que ele nos via como cinco garotos burros, que não sabiam nada de nada. Era assim que muita gente nos via, e quem era eu para os julgar, pois se nós tínhamos fortuna, fama e sucesso – então não tínhamos que ser particularmente inteligentes. Eu não tinha qualquer problema em admitir que não era o melhor aluno de matemática, inglês, história, religião ou ciências, até porque com todos os nossos concertos e turnês dos últimos anos, pouco tempo me tinha sobrado para estudar.

Fomos caminhando de sala em sala. Todas elas se assemelhavam umas com as outras, com muitos cientistas falando alto e com entusiasmo, o equipamento avançado e os ecrãs cheios de códigos ininteligiveis, até chegarmos ao nosso destino, ou assim parecia uma vez que aquele que nós seguíamos deu por terminada a caminhada.

”Cá estamos nós!” anunciou com otimismo, e nós olhavamos curiosos em volta. Não havia muito para ver. Na verdade estamos apenas numa sala mal iluminada com uma porta onde se podia ler ’LOCAL ENCERRADO. ACESSO SÓ PARA PESSOAS AUTORIZADAS.’ Isso me deixou um pouco amedrontando, comecei pensando se se encontraria algum perigo dentro dessa sala.

”Estou ficando ainda mais curioso,” comentou Liam com um sorriso meio nervoso, mas ainda assim entusiasmado.

”Eu sei que não parece grande coisa, mas é do outro lado desta porta que tudo acontece”, esclareceu o cientista, o que fez com que eu começasse a ficar ainda mais nervoso, uma vez que o acesso era reservado ao pessoal autorizado, e que eu soubesse, eu não fazia parte do ’Pessoal autorizado’. ”Antes de entrarem, quero só esclarecer algumas coisas e pô-los a par de umas informações que vão ser preciosas.”

Não é possível descrever o quão nervoso eu me encontrava. Mas em simultâneo também mal podia esperar para ver o que ia acontecer, e isso era mais evidente do que o medo de que as coisas pudessem correr mal. Tudo iria correr bem, era o que eu pensava.

A nossa banda tinha ganho a oportunidade de experimentar viajar no tempo, o que era uma loucura, pois era uma oportunidade única. E muito embora por vezes me cansasse as rotinas desta banda, eram oportunidades como esta que faziam valer tudo. Eu estava prestes a viajar no passado.

Eu não sabia se nós íamos para dentro se uma máquina do tempo, ou como é que iria acontecer, mas não havia dúvidas de que a viagem no tempo começava nesta sala, que era reservada a pessoal autorizado. Só dois dias antes nos tinham dito que era agora possível viajar no tempo. Os cientistas ainda não tinham dado a grande novidade ao mundo inteiro através dos media, mas a nossa banda estava a par das boas novas porque era simplesmente um dos privilégios que nós tínhamos.

Nós não tínhamos ganho esta viagem simplesmente porque sim, conosco iria uma equipa para filmar os acontecimentos de 2013, enquanto estivéssemos na nossa viagem no tempo, e todos nós tínhamos uma câmara de filmar com que podíamos filmar sempre que quisessemos. Na verdade a equipa de filmagem tinha até insistido em viajar conosco, mas os cientista não autorizaram, era suposto que viajássemos sozinhos. Eu não sabia muito bem o que pensar desta situação até porque eu já me tinha habituado a ser acompanhado de guarda-costas onde quer que fosse.

”Para começar quero mostrar-vos a máquina do tempo.” foram-nos dados cinco relógios, e quando Louis hesitante pegou num deles, os restantes quatro seguiram. ”Pode parecer um relógio perfeitamente normal, mas se olharem com atenção verão que é um relógio um pouco diferente, pois em vez das horas tem datas.”

E de facto no lugar de 12 estava a data 2013.

”Só é possível viajar de volta a um ano específico, o que significa que não podem viajar exactamente até ao dia de casamento dos vossos pais, ou algo assim do género. O relógio transportá-los-á até ao dia mais importante de cada ano. Para o fazer, têm de rodar essa peça no lado direito do relógio.”

Pois então, a viagem dependia daquela pecinha pequenina. E se essa peça caísse? Ficaria preso ao ano de 1997 para sempre?

”Mas não se preocupem. Se a pecinha cair não é problema nenhum uma vez que o relógio só funciona nesta sala, e já que falamos nisso: Esta sala é desenhada para viajar no tempo. É uma sala isolada, e a gente a desenhou assim para que o relógio ”enganasse” a sala a ”pensar” que é mais rápida do que a velocidade da luz. O relógio emite radiações, obviamente inofensivas, e os vossos corpos serão lançados pela sala tão rapidamente que a luz não vos poderá acompanhar, e desta forma vocês viajarão no tempo. O mais provável é que vão parar aos lugares onde já estiveram no passado, o que significa que não podem visitar lugares que existiram antes de terem nascido. Por muito que tentem, não será possível. Ou seja, não vos dá a oportunidade de confirmar se Jesus existiu ou de tentarem matar Hitler enquanto ele ainda era jovem. Fizemos essa limitação de propósito porque uma alteração dessas poderia mudar o mundo por completo. É importante que não provoquem alterações que poderiam fazer uma diferença muito grande no destino do mundo.”

O modo de falar dele tão pausadamente era difícil de seguir e apesar de eu tentar seguir tudo o que ele estava dizendo, nem sempre conseguia perceber de que é que ele estava a falar. Aquela informação toda era um pouco confusa.

”O que me leva a outro tema: Não deixem, de forma alguma, que o vosso passado vos veja. É claro que vocês vão estar na presença deles, mas é por isso que nós criámos isto aqui.”

E tirou uma caixinha com umas pastilhas que pareciam rebuçados de mentol. Nós ficámos olhando por uns momentos até juntarmos coragem para tirar uma cada.

”Comam uma destas pastilhas todos os dias pelas 8 da manhã, não faz mal se se atrasarem uns minutos, o mais importante é que as tomem antes de se cruzarem com os vossos passados para que eles não vos vejam. O facto é que se eles ficarem a saber alguma coisa acerca do futuro podem ficar detruídos, isto é, se eles vos virem, serão substituídos por vocês tal e qual se encontram agora e vocês serão muito mais velhos no presente.”

Numa palavra: complicado. Mas uma coisa eu percebi, o meu eu do passado não pode, sob nenhuma circunstância, encontrar-se com o meu eu do presente. E qual era afinal de contas o efeito das pastilhas?

”As pastilhas tornam-vos invisíveis. Eles não vos vão poder ver, mas vocês vão poder vê-los.” Será que este senhor podia ler pensamentos?

”Mas o que acontece se outras pessoas nos virem?” perguntou Liam. Também ele franzia a testa – mesmo ele não percebia completamente o que é que se iria passar.

”Não acontece nada, mas tentem evitar” respondeu o cientista. ”Nós temos um computador que irá deduzir em que ano se encontram. No teto está um projector que nos indica onde vocês estão, não nos dá informação quanto ao local onde se encontram, mas mostra em que ano se encontram.

A gente acenou que sim com a cabeça. Pelo menos esta parte eu tinha percebido.

”E lembrem-se, nunca tirem o relógio do pulso, em nenhuma circusntância. Se perderem o relógio nunca poderão voltar ao presente, e tomem bem conta das pastilhas, assegurem-se de que os vossos passados não vos vêem.”

Só então me apercebi de que o cientista estava lendo tudo isto do bloco de notas que tinha nas mõs. Afinal, mesmo ele não se lembrava de todos estes detalhes. Bom, já não me senti tão burro assim.

”Então, em forma de resumo digo-vos que: não se encontrem com os vossos ’eu’ do passado, tomem bem conta do relógio e das pastilhas, não se deixem ser vistos por outros desse ano uma vez que isso poderá gerar confusão e... tenham uma boa viagem!”

A maçaneta da porta girou e num instante a sala onde as radiações se processavam estava diante de nós.

”Ah, e já agora!” A gente já se encontrava na sala e virámo-nos para olhar para o cientista. ”Um dia na vossa vida passada corresponde a uma hora no presente. Têm 14 dias para regressar, senão arriscam ficar presos no passado, uma vez que a bateria do relógio não dura mais do que esse tempo. É absolutamente imprescindível que regressem, estão me ouvindo?”

”Entendido”, respondeu Liam com confiança.

 

”Estão prontos?” perguntou Louis levantando a sobrancelha.

”Mais que prontos!” respondeu Niall com entusiasmo e batendo com as mãos. ”Por onde querem começar a viagem?”

”Eu preferia não ter que assistir ao meu nascimento”, disse Zayn rindo-se, e o Liam concordou, ”se calhar seria bom irmos ao meu primeiro encontro com Perrie.”

”Eu ainda não me decidi,” disse eu ”mas aposto que em breve me lembro de algo.”

”Se calhar é melhor a gente tomar aquelas pastilhas agora para que ninguém nos reconheça” sugeriu Liam, e a gente concordou. Era uma boa ideia e assim fizemos. A caixinha estava cheia daquelas pastilhas e para nossa surpresa até sabiam a mentol.

”Agora estamos prontos para a nossa viagem”, anunciu Zayn com entusiasmo. ”O que estamos esperando?”

Sorrimos com algum nervosismo como se fosse a última vez que nos íamos ver, e eu tive que nos reunir a todos num abraçobem grande.

”Tomem cuidado, sim?” sussurou Liam.

”Sim, Liam, e você também”, respondeu Zayn e deu umas palmadas nas costas dele. ”Tenha uma boa viagem.”

Lentamente a gente se afastou e colocou em fila mas não sem antes sorrirmos uns aos outros. E assim eu coloquei os dedos sobre o mostrador do relógio e abri a boca para umas últimas palavras.

”A gente se vê em 2013.”

 

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