The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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10. Capítulo 9

 

      "Charlie, você está bem? Pode me passar a caixa?" Charlotte estendeu as mãos.

       Não, eu não estava nem um pouco bem. Aquela menina havia tentado me matar em um sonho e agora eu sabia que ela era real...

       "Quem é essa menina?" Mostrei a ficha para ela. Mesmo com a iluminação fraca, era possível ver a ficha perfeitamente. A foto parecia antiga, meio amarelada. A menina usava um lacinho em cima da cabeça com as roupas monocromáticas e olhava para a câmera com uma cara enjoada. A correntinha de ouro que estava em volta de seu pescoço... Era a mesma garota, sem dúvida.

        "Ah, ela é Audrei Adams. Nunca ouviu falar nela?"

        "Eu deveria?"

        "Ah, me desculpe, você é novata... Enfim, tem uns boatos sobre ela, mas acho que é mentira. É que ela morreu e as pessoas quiseram aproveitar esse fato para criar uma pequena história de terror..."

         Uma história de terror? Sério, ela ia ficar fazendo mistério com isso?

         "Conte-me mais, por favor!! Eu preciso saber quem é ela!!"

         "Calma, meu Deus, que apressada. A história é bem confusa e as pessoas modificaram um pouco, mas a essência é que Audrei era uma estudante exemplar aqui da escola. Tinha muitos amigos, era popular, boas notas, enfim, uma aluna ideal. Ela e o namorado iam para uma floresta aqui perto para... Bem... Se divertir, se é que entende. Só que um dia ela foi e não voltou mais. Os professores e alunos, estranhando, chamaram a polícia e após alguns dias de busca, acharam as partes do corpo dela presas em árvores. Sim, macabro. Esses foram os fatos da história. Aí as pessoas inventaram que ela gosta de assombrar as pessoas na floresta em que foi morta."

          Uau, essa era mesmo uma história de terror. Não diria uma história de terror barata, mas  uma história de terror que ganharia algum dinheiro nas bilheterias.

           "Agora me diga, por que quis saber sobre essa história? Alguém te contou sobre ela, ou algo do tipo?"

           "Não, é que eu... Tive um sonho com ela. Mas foi bem estranho, ela tentou me atacar, estava sem olhos..." Nossa, ela deveria estar me achando mais louca do que essa história de terror. Quem diabos sonha com uma menina morta, sem olhos e que coincidentemente morreu em uma floresta ali perto? Ah, claro. Eu.

           "Sem olhos? Sério? A cabeça dela estava mesmo sem os olhos... Wow, isso é macabro. Já pensou em se benzer?" Ela riu, e eu a acompanhei, aliviada. Charlotte parecia uma daquelas pessoas que você pode dizer a coisa mais esquisita do mundo e ela vai achar algo de engraçado naquilo que te fará sentir melhor.

           "Estou pensando seriamente nessa possibilidade, viu? Hey, será que alguém vai ligar se eu ficar com a ficha dela?"

           "Acho que não... Essa ficha é tão velha que acho que esqueceram da existência dela." Charlotte riu, guardando a última caixa. "Está com fome? Ouvi dizer que o cardápio de hoje tem purê de batatas com salada e uma carne de quinta, mas... É uma comida diferente..."

           "Ah, eu marquei de almoçar com um amigo..." Olhei para ela. Sério, para aquela garota estar enfurnada aqui, ela não deveria ter muitos amigos. Sorri, abraçando-a. "Quer saber? Que se dane, hoje quero almoçar com minha nova amiga!!"

           Acho que nunca vi ninguém com uma cara tão feliz antes. Char me abraçou com força, rindo enquanto saíamos da biblioteca. Jessie estava ocupada atrás da bancada, então ninguém (além de Charlotte) viu quando guardei a ficha de Audrei dentro de minha mala.

           "Jessie? Nós já acabamos..."

           "Nossa, vocês foram rápidas! Aqui estão seu cartão da biblioteca e seu livro sobre Segunda Guerra Mundial, querida. faça bom proveito e volte sempre!!" Peguei os livros e saí, agradecendo.

            Nós conversamos o caminho todo até o refeitório. Descobri que ela gostava das mesmas coisas que eu (algumas vezes discordando, mas não dá pra ser tudo igual, seria muito chato), e também pensava de um modo bem parecido com o meu. É... Talvez tenha sido bom furar com o Diego, embora eu não me sentisse muito bem com isso. Mas é a vida, né?

            O refeitório estava bem cheio, mas as mesas do fundo estavam vazias, então nos sentamos lá para comer. A mesa onde vi Marrie ser enforcada estava vazia, talvez porque as pessoas não quisessem comer em um local onde... Aquilo aconteceu. Bom, eu não as culpava. Ninguém iria querer comer ali por um bom tempo...

            Tive uma ideia. Era uma ideia idiota, mas... Era uma ideia.

            "Então, Char... Essa floresta onde Audrei foi assassinada... Fica muito longe daqui? Digo... Será que dá para ir até ela e voltar na mesma noite?''

            "Acho que sim, a floresta não é tão longe, mas por que você... Não. Charlie, não. De jeito nenhum."

            Sorri, olhando fixamente para ela. Fiquei feliz dela ter entendido minhas reais intenções.

 

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