The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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9. Capítulo 8

 

       A aula de história é legal. Sério, muito legal mesmo. O problema era que eu estava cansada. Muito cansada. O bilhete que recebi ontem à noite me fez perder o sono e ficar acordada boa parte da noite. Quando consegui dormir, meu despertador tocou. E agora eu estava quase dormindo de novo, tamanho meu sono.

       Pedi para Diego me cutucar caso eu desse sinais de estar dormindo, e já havia perdido a conta de quantas vezes ele me cutucou. O assunto da aula era Segunda Guerra Mundial, um assunto bem interessante na minha opinião, porém eu estava com tanto sono... Quando eu estava quase dormindo de novo, um aviãozinho de papel pousou em minha mesa.

       "Acorde, preguiçosa. Olhe para a lousa.  - D."

        Olhei para a lousa. De acordo com o que o professor escreveu, teríamos que fazer uma redação de trinta linhas sobre a Segunda Guerra Mundial para ser entregue na segunda. Legal, eu não tinha prestado atenção em nada do que ele falara sobre o assunto. Bom, sem problemas, eu iria na biblioteca depois pegar um livro sobre isso.

         O sinal tocou alguns minutos depois e fomos dispensados para o almoço. Diego guardou suas coisas e me seguiu.

         "Vamos para o refeitório? Ou prefere comer comidas de verdade?"

         "Diego, agora não vai dar. Tenho que dar uma passada na biblioteca e ver se acho algum livro sobre o tema da lição de casa antes que alguém pegue... Mas vai ser bem rápido, então se puder ir pegando um lanche pra mim, seria bem legal." Sorri, e ele retribuiu meu sorriso. Nossa, era tão fácil sorrir perto dele...

         "Está bem, senhorita. Mas não demore, ou a comida vai esfriar." Ele saiu andando, cumprimentando todos por onde passava. Por que eu estava surpresa de um garoto como esse ser popular?

         O dia estava bem frio do lado de fora. Claro, dentro das salas havia ar condicionado, mas a temperatura dele foi ajustada para deixar a sala mais quente. O frio aqui era de matar. Antes de sair do quarto, coloquei uma touca, luvas, bota e uma jaqueta de couro. Corri para dentro da biblioteca, pelo menos lá tinha uma lareira que conseguia esquentar a sala toda.

         Ah, como era quentinho lá dentro... Coloquei minha mochila em cima de uma mesa e peguei as fichas que a bibliotecária havia me pedido para preencher. Fui até a bancada para entregá-las. Qual não foi a minha surpresa quando vi que havia outra mulher ali?

        "Com licença... Sou Charlie Parkers, eu vim entregar umas fichas para fazer a carteirinha da biblioteca..."

        A nova mulher olhou para mim e deu um sorriso. Deveria ter trinta anos no máximo, cabelo curtinho, óculos, magra... Simpatizei com ela na hora.

        "Ah, sim, Charlie!! A diretora me falou sobre você... Pode me entregar, sua carteirinha fica pronta em dez minutinhos!! Quer ir almoçar e depois voltar para pegar, meu doce?" Ela sorria. Tinha um sorriso lindo. Entreguei as fichas.

        "Não, muito obrigado. Você sabe se, por acaso, aqui teria um livro sobre a Segunda Guerra Mundial? Não precisa ser muito grande, apenas uma pequena explicação..."

         Ela se levantou, sempre sorrindo e me levou até uma das grandes estantes. Olhou, olhou e pegou um livro pequeno, não deveria ter mais de cem páginas.

         "Muito obrigado." Peguei o livro. "Você não faz ideia do quanto me ajudou... Posso retribuir o favor? Eu insisto, estou sem nada para fazer e ainda me restam cinquenta minutos de intervalo..." A bibliotecária pareceu pensar um pouco, e por fim, disse:

        "Muito bem, já que quer tanto me ajudar... Recebi a incumbência de arrumar a ficha de alguns alunos, mas estou tendo algumas dificuldades. A Charlotte já me ajudou muito, mas era muita coisa. Pode ajudá-la? Ela está dentro de uma sala no final do corredor. A propósito, me chamo Jessie. Qualquer dúvida ou problema, é só me procurar. Quer deixar o livro comigo e quando terminar eu te entrego? Assim não corremos o risco de perder um livro..."

        "Claro." Entreguei o livro a ela. "Estou indo." Segui em direção a porta que Jessie havia indicado. Quem seria Charlotte? De certo era uma velhinha, para precisar de ajuda... Nossa, olha eu julgando. Existem muitos idosos que são muito mais ativos do que eu.

        A sala era pequena e cheirava a mofo. Havia diversas caixas empilhadas uma em cima da outra, contendo vários papéis. Alguém estava no centro dessas caixas, mexendo em tudo quanto é lugar.

       "Com licença... Sou Charlie, me mandaram para aju..."

       "Ah, sim, a menina assassina!!" Uma ruiva com cabelos muito volumosos saiu do meio das caixas, sorridente. "É uma honra conhecer a menina mais falada da escola. É verdade que matou aquela menina loura e aquele cara decapitado?" Então aquela era Charlotte? Definitivamente, ela não era uma idosa. Era elétrica, sorridente e falava muito rápido. Gostei dela.

       "Não, não, eu nunca matei ninguém!! O que aconteceu foi o fato de eu estar no local errado, na hora errada. E você deve ser a Charlotte, né? Então, Jessie me mandou para te ajudar a arrumar as fichas..."

       "Ah, como assim não matou? Era a coisa mais animada que acontecia aqui há séculos... Mas enfim, que bom ter companhia!! Preciso mesmo de ajuda, as coisas aqui estão horríveis. Me pergunto qual foi a última vez que arrumaram isso aqui..."

       "Sim, é verdade. As coisas aqui estão tão bagunçadas... Nossa, quantas fichas! Aposto que aqui nesta escola temos menos alunos do que fichas!" Nós duas rimos.

      "Pois é... A maioria são pessoas ou que fugiram ou que morreram fora da escola quando estavam de férias. Bom, estou quase terminando. Vou subir nessa escada para colocar algumas caixas em cima daquela estante, se puder ir me passando..."

      "Claro, sem problemas."

      Ela subiu na escada, parando no terceiro degrau dela. O teto ali era baixo, então ninguém do nosso tamanho poderia subir mais do que aquilo. Fui passando, caixa por caixa. Nossa, eram bem mais pesadas do que aparentavam ser. Eu já estava sem forças quando peguei a última caixa e algumas fichas acabaram caindo. Droga, vou ter que catar tudo.

      "Espere só um pouquinho, Charlotte, vou juntar tudo aqui." Me agachei e comecei a juntar as fichas. Juntei uma, juntei duas, juntei três e me estiquei para pegar a quarta, que estava aberta. Inevitavelmente, deu uma olhadinha na ficha.

      Não.

      Não pode ser.

      A foto da ficha era idêntica à menina sem olhos que vi em meu pesadelo.

    

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