The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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7. Capítulo 6

 

     Será que aquilo era alguma piadinha estúpida? Só podia ser... Não, não podia ser. Ninguém sabia do meu sonho além de mim. Então o que aquele bilhete podia significar? Desnecessário dizer que fiquei com medo, não é? Guardei o bilhete. Seja qual for o recado, pode esperar um pouco... Ou será que não? Claro que não podia esperar. Peguei o bilhete e abri

     "Me encontre no refeitório, hoje, meia noite. Não falte. Se não vier até mim, irei até você."

   Eu teria que encontrar o assassino que degolou o pobre do zelador? Sério? Eu queria fugir daquela escola. Por que meus pais me mandaram pra cá, isso é um verdadeiro inferno!! E olhe que eu ainda nem presenciei as aulas. Olhei meu relógio. Meio dia, hora do almoço. Dali a doze horas encontraria o assassino, ou ele me encontraria. 

       Saí andando, não queria ficar mais nem um minuto ali. Vi Diego vindo em minha direção, quase que correndo.

       "Mas que bonito, hein, Charlie? Matando aula, justo no primeiro dia!! Tinha que ver a decepção na cara do professor de Física... A sua sorte é que nos liberaram mais cedo, ou seja, teremos o dia todo livre. Está com fome?"

       Diego não parecia nem um pouco preocupado pelo motivo que levou os professores a nos liberarem mais cedo. Na verdade, duvido que tenham dito algo aos alunos, portanto, não o culpei.

              "Sim, estou morrendo de fome. Poderia comer sete saladas." Eu e Diego rimos. Sério, aquele cara era uma simpatia de pessoa. Acho que nunca fiz um amigo tão rápido. Ainda mais um amigo bonito...

       "Está a fim de comer algo a mais do que salada? Digo, comida de verdade?" Ele tinha um sorriso cheio de mistério no rosto.

       "O que está tramando, mocinho? Hein? Vamos, conte-me." Fiquei cutucando-o, até ele rir e resolver falar.

       "Está bem, pare com isso. Vou te levar para conhecer a turma do tráfico."

       "Ui, que medo, a turma do tráfico. Eles só traficam comida?''

       "Não, também traficam tudo o que você quiser. Tipo, uma fita para eu colocar na boca dessa menina chata." Ele riu, me abraçando.

       "Eu vou encomendar uma boneca para você abraçar, não gosto muito que me abracem." Na verdade, eu não gostava nem que me tocassem. Antes de vocês acharem que sou patricinha, eu tenho um motivo para não gostar que não me toquem. Não estou acostumada a isso. Então, quando alguém me abraça, eu fico, sei lá, meio desconfortável.

      "Ui, nossa, que meda!!" Ele fez a voz ficar afeminada, o que gerou ataques de risos em nós dois. "Mas e aí, quer comer comida de verdade ou ficar só na saladinha que nem as magrelas que adoram dieta fazem?"

      "Onde eles ficam?" Perguntei, dando um sorriso.

      "Essa é a minha garota!!" Ele me ergueu no ar, rindo. Sério, aquilo era muito estranho. Quem nos visse de longe, poderia pensar que mal entrei na escola e já tenho um namorado. Não seria uma má ideia... Ah, Charlie, tire esses pensamentos da cabeça. Lembre-se da fome, apenas da fome e unicamente da fome.

      Diego me levou para uma parte afastada das outras estruturas. Tivemos que andar, PRA CARAMBA. Aquela escola poderia ser um pouquinho menor, porque a maioria dela é só grama. Grama, grama e mais grama.

      O "povo do tráfico" não era mais do que dois garotos. Sério, era isso. E eles usavam roupas tipo a de um rapper famoso, com boné de aba reta e corrente de ouro. Quando chegamos, os garotos nos cumprimentaram na maior intimidade, o que gostei. Me fez sentir parte do grupo, sabe?

       "O que temos hoje, Jack? Quero um almoço bem caprichado para mim e para minha mais nova amiguinha."

       "Toma cuidado com ele, novata. Não, minto. Tome cuidado com as mãos dele." Jack piscou para mim, recebendo um tapa na cabeça dado por Diego.

       "Quero meu almoço, e não gracinhas." Ele colocou as mãos nos bolsos da jaqueta a sorriu para Jack, e este nos entregou duas caixinhas.

       "Divirtam-se. Mas não muito."

       Fiquei vermelha, mas ri dos tapas que ele levou de Diego. Fomos para debaixo de uma árvore, sentando na grama. Felizmente, a grama ali era aparada.

       "Tem mãos bobas, Diego?" Eu ri, abrindo minha caixinha. Nossa, quanta coisa!! Havia até um pedaço de bolo de chocolate como sobremesa...

       "Todo homem tem, Charlie, sem exceção." Ele riu, começando a comer o almoço dele. Não sei se sou só eu, mas acho que fico meio acanhada ao comer na frente de meninos. Sei lá, é meio estranho... Comecei a comer o meu, tentando não parecer muito esfomeada. A comida era deliciosa. Havia um sanduíche, suco, batatas fritas e o bolo de sobremesa. Só não ei se aguentaria comer o bolo...

       Quando terminamos de comer, ele se levantou. Eu o acompanhei, ficando de pé e jogando as caixinhas no lixo.

        "Então... O que faremos agora? Não tem aula, podemos ir nadar, se quiser..."

         Nadar? Nossa, eu estava louca para fazer isso, mas tinha que estudar para física.

        "Ah, Diego, eu quero muito. Mas tenho que começar a estudar logo para física. A prova é daqui a duas semanas, em uma segunda, e já estamos na quinta, preciso começar a estudar logo..."

        Ele pareceu desapontado por um momento, mas depois sorriu.

        "Bom, posso te ajudar, se quiser. Sábado está bom pra você? Eu vou até seu quarto e ficamos estudando, sou muito bom em física..." Um garoto desses, no meu quarto? Gente? Isso é real? Porque se for um sonho, não me acorde.

        Passei o resto da tarde estudando, parando só de noite. Chega de contas, por favor. Peguei o bolo que sobrou do almoço e resolvi jantar ele. Era enorme, com várias camadas. Que delícia. Se aproximava das onze e meia da noite. Meu Deus, como demorei estudando física!!

        Tinha que me encontrar com o assassino... Por que eu me preocupava com a hora de encontrar o assassino? Cara, eu poderia morrer e eu estava querendo chegar na hora? Sou muito estranha, mesmo... Vesti uma roupa toda preta, para me disfarçar na escuridão. Já havia passado do toque de recolher.

        Se eu saísse pela porta da frente, poderia facilmente ser vista. Olhei para a janela e vi a árvore pela qual Diego havia subido. Se eu pudesse descer por ela... Seria perfeito. Abri a janela e saí, deixando-a aberta para quando eu voltasse. Desci a árvore com dificuldade, com certeza a subida era mais fácil.

         Fui até o refeitório me disfarçando nas sombras. Felizmente, o local todo estava vazio. O refeitório estava escuro. De repente, assim que coloquei os pés ali dentro, as luzes começaram a se acender. Primeiro as que estavam mais perto e terminaram perto das mesas mais distantes.

         E lá estava ela, em cima da última mesa. Não, não podia ser.

         Marrie Jane estava com uma corda no pescoço, se contorcendo em um espaço em vão.

         Corri até ela, subindo em cima da mesa para tentar ajudá-la. Tentei desamarrar a corda, mas estava apertada demais. De repente, Marrie parou de se contorcer, com minhas mãos na corda do pescoço dela.

          Não, não podia ser... Por que alguém iria querer matar uma novata?

          "Senhorita Parkers, o que está acontecendo?"

      

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