The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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6. Capítulo 5

 

    Legal, havia um corpo sem cabeça pendurado na minha frente. Legal? Não, isso era horrível. Nojento, na verdade. Minha primeira reação foi gritar de susto, como qualquer pessoa faria, seja ela homem, mulher ou o seu hamster de estimação. Se bem que o hamster não é uma pessoa... Dane-se. Sério que havia um corpo pendurado na minha frente e eu pensava em hamsters?

     A senhorinha se assustou com o meu grito e veio ver o que havia acontecido, e quando ela viu o corpo, por incrível que pareça, não se assustou. Apenas pegou o telefone, fez uma ligação e disse.

     "Mais um. Dessa vez sem a cabeça. Ah, diretora, o que faremos? Sim, sim. Foi a aluna nova, Charlie Parkers, que viu o corpo. Está bem. Obrigado." A velhinha desligou o telefone, olhando para mim. "Me perdoe, querida. Esta escola está amaldiçoada, só pode. Já é a terceira vez que vemos um corpo aparecer misteriosamente nesse mês. Já nem me assusto mais. A polícia está chegando, ela vai fazer algumas perguntas. Talvez se atrase para as primeiras aulas, mas... A diretora explicará aos professores o ocorrido. Se quiser sentar aqui em uma mesa perto de mim..."

    Assenti, pegando minhas coisas e me sentando em uma mesa próxima a bancada. Terceira vez que aquilo acontecia? Em um mês? A polícia não havia feito nada? Que tipo de pessoas viviam ali??

    Bom, não adiantava ficar pensando nisso. Meu estômago revirou com a visão daquele corpo decapitado, então era melhor eu me concentrar em preencher as fichas da biblioteca ao invés de olhar para o corpo a cada cinco segundos. Aquilo podia me dar nojo, mas me atraía. Desviei o olhar mais uma vez, olhando para as fichas da biblioteca. Preenchi algumas linhas, mas minha mão tremia  e minha letra saiu pior do que já era normalmente.

     Deitei a cabeça na mesa e fechei os olhos, tentando fazer meu estômago parar de dar voltas. Sem perceber, caí no sono.

     Abri os olhos, ainda estava sentada na mesa. Tudo estava meio que com uma neblina, e a biblioteca havia sido bagunçada, com estantes caídas no chão e livros espalhados por tudo quanto é lugar. Não havia ninguém atrás da bancada, e nem em qualquer local. Eu estava sozinha. Resolvi olhar em volta, ver se achava alguém que pudesse me dizer o que havia acontecido.

     O corpo decapitado ainda estava ali. Me aproximei lentamente, como aquilo me atraía. Eu queria chegar perto, tocar, sei lá... Era algo tão estranho e horrível, mas dava vontade de tocar, como saber se aquilo era real ou apenas minha imaginação. Abri a janela lentamente. Era uma daquelas janelas antigas, grandes e intimidadoras, como se só de chegar perto dela você iria cair.

    Me inclinei na direção do corpo decapitado e vi uma aliança em seu dedo esquerdo. Que droga, ele tinha uma família... Espere... Aquilo na aliança é um pedaço de papel? Sem dúvida, era igual ao bilhete que vi enrolado na correntinha de ouro da menina em meu sonho. Puxei a mão da aliança na minha direção e peguei o bilhete. A mão rapidamente envolveu meu pescoço enquanto se balançava para me pegar.

    Gritei, desesperada. Queria me livrar daquilo o mais rápido possível, por Deus, eu não conseguia respirar!! Para um cadáver decapitado, era bem forte. Então, quando minha consciência começava a se esvair, a mão soltou meu pescoço e se direcionou para meu ombro, chacoalhando-me.

     "Senhorita Parkers? Senhorita Sparkers?"

     Acordei, assustada e dei de cara com um policial. Ele era alto e vestia o mesmo uniforme de Andie, a mulher que nos apresentou este local quando cheguei. Estava com um bloco de anotações na mão, e parecia que não era o único na biblioteca. Havia mais três policiais fazendo anotações, olhando o corpo e examinando a janela.

     "A senhorita está bem? Posso buscar um copo d'água..."

     "Não precisa, muito obrigado. Apenas caí no sono sem querer... Pesadelos."

     "Ah, sim. A senhora Steven me contou que você estava perto da janela quando o corpo foi visto pela primeira vez... Pode nos contar o que viu?" O policial preparou seu bloquinho.

     "Claro... Eu estava sentada na mesa quando aconteceu. Era pra eu preencher as fichas da biblioteca, mas me distraí com a visão. De repente ele apareceu, batendo na janela com tudo. E aí eu gritei. Foi isso, policial."

      Ele pareceu chateado. Não precisava ser uma policial para saber que a minha descrição do ocorrido não ajudar em nada no caso.

     "Tudo bem, senhorita. Se lembrar de algo a mais, algum mínimo detalhe... Nos informe, por favor." Ele sorriu, se retirando. A senhora Steven se aproximou de mim, com uma expressão preocupada.

     "Querida, está tudo bem? As aulas foram canceladas, a polícia vai entrevistar todos que estiveram com o zelador Freddie, e os professores não poderão dar aula já que terão que prestar depoimento... Pode preencher os catões no seu quarto, meu doce. Preciso ajudar os policiais."

      Agradeci, peguei minhas coisas e saí. Que sonho esquisito... Era melhor sair dali o quanto antes, não quero me lembrar daquilo nunca mais. Já é a segunda vez que mortos me atacam em sonhos. Talvez seja meu destino lutar contra zumbis em um apocalipse.

      "Onde você estava? Te procurei o dia todo. Na verdade, o tempo todo depois da aula de física." Diego.  Novamente me assustando.

      "Eu falei que estaria na biblioteca, você sabia disso, e..." Opa. Não era o Diego. "Clark? Nossa, que estranho te encontrar aqui..."

       Ele sorriu. "Na verdade, se me conhecesse, diria que não. Gosto muito de livros, sabe... Enfim, o professor de física nos liberou mais cedo por causa de um... Ocorrido. Enfim, estamos meio atrasados em relação aos outros da turma e ele disse que teremos que fazer uma prova daqui a duas semanas. Como você não estava, fui o encarregado de te dar o papel com as matérias." Ele sorriu, me entregando uma folha sulfite.

       Peguei a folha, dei uma olhada e quando ele ia embora, agradeci. Uau, quanta coisa eu precisava estudar. Droga, droga, droga. Felizmente, já tinha visto quase todos os itens que ele pedia para estudar na minha antiga escola. Infelizmente, fui ruim em todos. Desviei os olhos do papel e os fixei em Clark. Uau, ele era realmente bonito.

       Comecei a andar de volta para o quarto, quando algo caiu na minha frente. Olhei para cima, poderia ter sido cocô de pombo, sei lá. Mas havia apenas o cadáver pendurado pelo pé. O que será que aquilo deixaria cair? Me abaixei e comecei a procurar. Naquela parte, a grama era alta, então tive que tatear às cegas.

        Meus dedos se fecharam em volta de algo. Era pequeno e redondo... Levantei a mão.

        Uma aliança igual a que vi em meu sonho.

        Com um bilhete enrolado dentro dela.

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