The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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4. Capítulo 3

 

   "Muito bem, novatos, sejam bem vindos à Lanfred High School. Meu nome é Andie, e quero que deixem seus objetos perigosos aqui nesta caixa. Para os novatos, objetos perigosos se encaixam em: drogas, bebidas, revistas com conteúdo inapropriado, câmeras, celulares e objetos que podem ferir seriamente o coleguinha. Para os veteranos... Não me façam perder a paciência."

   Andie era baixinha, e parecia mais feia e assustadora de perto. Sério, ela dava muito medo. Vestia um uniforme de policial, e estava com uma prancheta na mão. Olhava-nos como se avaliasse cada parte de nosso corpo, cada movimento, cada olhar... Se a intenção era que os alunos se sentissem ameaçados para obedecerem as regras, estava dando muito certo.

   Diego foi o primeiro a se livrar de seus objetos "perigosos": um celular, um faca, cinco playboys e duas latinhas de cerveja. Marrie colocou um celular, uma câmera fotográfica e três garrafas pequenas de uísque. Clark se livrou de seu celular, dois canivetes e algumas latas de cerveja. Uau. Sério, nunca imaginei que eles trariam algo assim.

   Percebi que todos me encaravam, era minha vez. Joguei meu celular e minha câmera lá dentro, me sentindo totalmente certinha ao trazer apenas aquelas duas coisas consideradas um perigo. Mas eu estava sentindo muito ao deixar meu celular. Era lá que eu anotava minhas lições, compromissos, lembretes... Minha cabeça nunca funcionou muito bem com relação a lembrar de algo. Criaria uma agenda mais tarde, mas talvez esquecesse de anotar tudo, ou até esqueceria de trazer a agenda comigo.

   "Muito bem, cães, agora que estão indefesos, posso me divertir com vocês." Andie riu, o que parecia mais o som de um cachorrinho sendo asfixiado. "Novatos, me sigam, irei mostrar seus respectivos dormitórios, e depois se virarão para irem até o refeitório. Os veteranos... Já sabem o caminho, e os quartos não mudaram. Agora andem, e lembrem-se: estou de olho."

   Era estranho o fato dela ter dito "veteranos" quando, na verdade, era apenas Diego. Ela deveria ter decorado esse discurso e repetido milhares de vezes. Se a intenção da última frase dita por ela for dar medo, Andie alcançou seu objetivo. Eu nunca iria querer ficar sozinha em uma sala com ela.

   "Novos cães, é o seguinte. Me sigam, e tudo dará certo, ok? Carreguem suas malas, ou acham que as carregarei para vocês? Quanta folga... Estão mal acostumados, isso sim..."

   Marrie a olhou, indignada.

   "Oi? Sabe quantas malas eu trouxe? Tipo, muitas! Como quer que eu carregue tudo?"

   Andie a olhou, como se aquela fosse a coisa mais simples do mundo:

   "Oras, se você conseguiu fazer todas essas malas, é porque consegue carrega-las. Agora não me encha a paciência e ande logo com isso, estou cansada e a novela já deve ter começado, então ANDE!!!"

    Eu fiquei com muita vontade de rir. Que fora a vadia loura havia levado!!! Simplesmente demais, sério. No fim, ela teve que contar com a ajuda do namorado, que levou metade das malas dela. Coitado...  Andie começou a andar, e nós começamos a segui-la. Andamos por um longo e interminável campo de grama aparada quando vimos a primeira estrutura: um local que se assemelhava a uma igreja. Na verdade, era uma igreja.

   "Muito bem, muito bem... Esse aqui é o refeitório. É onde todos vocês vão todas as manhãs, tardes e noites para encher o bucho." Continuamos andando por mais um tempo, passando por algumas estátuas que pareciam velhas, sujas e aterrorizantes vistas de noite.

   "Aqui nós temos os prédios gêmeos, onde terão suas aulas normais. No prédio da esquerda terão aulas de matemática, física, e essas matérias com números e contas. No prédio da direita, terão aulas de português, inglês, história, filosofia, biologia... Essas matérias mais 'humanas', entendem?"

   "Estão vendo aquele prédio grandão ali? Terão suas aulas extras ali."

   "E, por fim... Os dormitórios."

   Ufa, finalmente. Havíamos andado tanto que eu poderia cair de joelhos ali mesmo. Andie deu duas chaves para cada uma de nós, e nelas havia um chaveirinho com o número de nossos quartos. O meu era 45. O de Marrie era 63. Ainda bem, ficaríamos bem longe uma da outra.

    "Muito bem, cachorrinhas: este é o dormitório de vocês. Encontrarão um horário em cima da escrivaninha e uma lista de livros que precisam pegar na biblioteca se quiserem acompanhar o resto da turma. Podem usar o fim de semana para decorarem seus quartos, porém não é permitido coisas muito coloridas. Cada menina tem seu próprio quarto, e o toque de recolher é às dez horas da noite. Portanto, vocês tem exatamente quarenta minutos para irem jantar e voltar para seus respectivos quartos. Nos vemos depois." Andie saiu com Clark, andando para a direção oposta ao nosso dormitório.

    Legal, decorar o quarto. Com que diabos eu iria fazer isso? Ah, depois vejo o que vou fazer. Peguei minhas duas malas de mão e comecei a subir as escadas, com Marrie reclamando atrás de mim por ter que levar todas aquelas malas até o sexto andar. Haha, vadia, o meu quarto ficava no quarto andar.

    Quarto 45, quarto 45 cadê você? Achei. Foi um pouco difícil colocar a chave com a pouca luz que havia no local, mas consegui após algumas tentativas.

    "BU!!"

    Pulei de susto. O que aquele garoto fazia aqui?

    "Diego, que droga!!" Fechei a porta, brava. Caramba, custava bater?

    "Foi mal, Charlie. Eu queria te assustar, é bem engraçado fazer isso, sério mesmo. Devia tentar se assustar qualquer dia desses, iria rir pra caramba."

    "Eu já me assusto, todo dia, quando olho no espelho. E, aliás, o que faz aqui? Digo, você virou o homem aranha e consegue escalar quatro andares?" Comecei a guardar minhas roupas em um guarda roupa de tamanho médio, organizando casacos e blusas grandes em cabides, enquanto shorts e blusas menores ficavam em gavetas.

   "Tem uma árvore perto da sua janela. E eu só vim trazer um jantar decente, se quer saber. Você nunca provou a comida daqui, porque se já tivesse provado, estaria me agradecendo de joelhos por te dar essa refeição, sabia?"

   "Onde está a comida?" Sorri, me sentando na cadeira da escrivaninha. A luz do meu quarto era forte, o que me impressionou. Toda a escola era mal iluminada, era esperado que os quartos também o fossem. Mas ainda bem que não foram.

    Diego riu, pegando uma sacola e jogando para mim. "Refrigerante e um sanduíche. É sempre bom comer porcarias de vez em quando, mocinha."

    Peguei a sacola no ar, retirando o refrigerante quente e o sanduíche do mcdonald's. "Uau, obrigado. Aquela... Mulher que nos apresentou a escola..."

    "Sim, ela dá muito medo. Na minha primeira vez aqui me borrei todo. E se tem medo dela, espere até ver a diretora. Parece uma múmia daquele filme lá..."

   "Muito bem, já pode ir embora. Estou cansada, preciso dormir, amanhã terei um primeiro dia de aula bem cheio. Obrigado pela comida." Eu levantei, empurrando-o para a janela. Volte por onde veio, mocinho. E corra, Andie disse que o toque de recolher irá tocar daqui a pouco, então.. Vaza."

   É, eu sempre fui assim. Quando eu conversava com um menino que era legal e eu não estava a fim, me sentia solta, relaxada. Queria poder ser assim com todos os meninos, seria bem legal. Mas não sou.

   "Nossa, eu te trago um jantar e é assim que me trata? Legal... Nos encontramos amanhã, no refeitório. Vê se não dorme demais, ou vai acabar indo para a primeira aula com fome." Diego saiu silencioso pela janela, com um sorriso no rosto.

    Ele escalava com muita facilidade e EI!!! Como ele sabia que aquele era seu dormitório, sendo que ele fora embora antes de Andie me desse a chave? Garoto esquisito... Com certeza eu iria interroga-lo amanhã. Comi rapidamente o lanche que ele havia me trazido e peguei o horário.

   Pelo visto, o café da manhã seria servido até, no máximo, sete horas da manhã. Eu teria que acordar bem cedo, pelo visto. E só pra adiantar... Se a minha cara já é ruim quando estou bem desperta, imaginem quando estou com sono. É... Fico parecendo a menina do Exorcista.

   Minha primeira aula seria de física. Sempre fui muito ruim em física. Não importava o quanto tentasse aprender, algumas coisas da física nunca fariam muito sentido para mim. A segunda aula era de química. Ufa, nisso eu era boa. Terceira aula, história. Sim, isso era mais fácil que física.

   Felizmente, eu havia trazido um despertador, e ajustei-o para tocar exatamente às cinco e meia da manhã. Nossa, eu precisava dormir se quisesse acordar bem cedo no dia seguinte. Fui tomar um banho. O banheiro era pequeno, sem muito luxo, e parecia que alguém havia morrido ali. Sério, o cheiro era péssimo. A última moradora não devia gostar de limpeza.

   Quando terminei, fechei a porta do banheiro para não ter que ficar cheirando aquele odor fétido que saía de lá, embora eu tivesse tentado jogar um pouco do aromatizador. Sim, eu trouxe um aromatizador, tive a intuição de que iria precisar.

   Deitei na cama. O colchão era bem macio, assim como os dois travesseiros. Sério, gente, eu não consigo dormir com um travesseiro. Preciso ter um na cabeça e outro entre as pernas. Me cobri e fechei os olhos, cansada.

   Mal sabia eu o que me esperava no dia seguinte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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