The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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3. Capítulo 2

 

  O que aquela garota fazia ali? Tudo bem que o banheiro não era só meu, mas por que ela tinha que estar ali bem na hora daquele mico? Parecia que a loura estava sempre me observando, esperando para me flagrar pagando micos. E ela sempre conseguia.

  O nome dela é Marrie Janes. Não preciso nem dizer que nunca fomos amigas, não é? Estudamos juntas desde crianças, e sabe aquela coisa de ódio a primeira vista? Pois bem, foi o que me aconteceu.

  Estávamos no sexto ano quando nos vimos pela primeira vez. Ela chegou na sala de aula, rodeada pelas puxa-sacos. A única coisa que eu sabia sobre a garota era que ela fora transferida para a turma da tarde por aprontar de manhã. Na minha escola, há uma pequena rixa entre o povo da manhã e o povo da tarde. Digamos que o povo da manhã é mais festeiro, mais bagunceiro, enquanto o povo da tarde é mais calmo, mais estudioso, mais elogiado pelos professores...

  Os meninos babaram por ela: linda, loura, olhos claros... Inclusive o cara por quem eu estava apaixonada na época, Carl. Ela nunca deu atenção para ele. Mas quando todos descobriram minha paixão secreta... Marrie não hesitou em ficar com ele. Não só satisfeita em ficar, teve que namorá-lo também.

  E assim ficamos: eu e ela nos odiávamos, mesmo cinco anos depois disso. Claro, não foi  só por isso, Marrie aprontou mais algumas, o que fez meu ódio e nojo por ela crescerem.

 Agora lá estava ela, rindo da minha cara, mais uma vez. Porém, o que mais me assustou não foi o fato dela estar ali bem na hora do meu mico. Foi o fato dela estar de calça preta, casaco preto, tênis branco e a blusa com o logo da Lanfred.

  Não. Eu mal havia chegado na escola nova e já tinha uma preocupação: a vadia loura, que pelo jeito havia reparado no meu uniforme e parado de rir. Isso, queridinha, eu vou para a mesma escola que você.

  Terminei de me arrumar e saí do banheiro, deixando-a com cara de taco no banheiro. Peguei minhas coisas e fui andando pelo aeroporto. O menino bonito que eu tinha visto no avião estava vendo uma vitrine de uma loja esportiva. Será que eu vou até ele? Ah, o que tenho a perder? Nunca mais vou ver o cara na minha vida e ainda resta meia hora para o avião chegar.

  Andei até ele, trombando com algumas pessoas (por Deus, isso aqui estava lotado) e finalmente cheguei até ele.

 "Com licença... Oi."

  Ele se virou para mim. Deu um pequeno sorriso, igual ao que eu tinha ignorado. A semelhança entre os sorrisos me faz ficar um pouco tímida.

 "Você é aquela menina do avião, não é? Prazer, meu nome é Clark." Ele estendeu a mão.

 "Prazer, meu nome é..."

 "O nome dela é Charlie, amor." Marrie surgiu atrás de mim, me dando um leve susto. Amor? Oi? Ela havia pego aquele também? Não é possível...

   Eu soube que era possível quando eles se beijaram. Legal. Quando eu finalmente me sinto atraída por qualquer garoto, Marrie aparece e estraga tudo. Por que ainda me surpreendo? Deixei os dois se agarrando e saí, ouvindo a risadinha dela atrás de mim. Que droga, eu teria que aguentar aquela garota até o natal.

   Nem preciso dizer que estava rezando para que ela fosse de outra sala, não é? Felizmente, meu vôo havia chegado adiantado, já que o céu estava limpo e claro. Corri para o avião, sentando na cadeira da terceira fileira, perto da janela. O sol estava brilhando muito lá fora, e o calor deveria estar escaldante. Sorte a minha estar em um local com ar condicionado.

   Sabe, às vezes penso: muitas pessoas poderiam ser trocadas por comidas e ar condicionado. Muitas pessoas passando fome, e muitas pessoas inúteis na sociedade. Deveria existir uma máquina que transformasse essas pessoas em chocolate e água potável. O problema de fome no mundo estaria resolvido.

   O casalzinho entrou no avião. Gente, é pecado desejar que uma certa menina caia do avião quando ele estiver a milhares de quilômetros do chão? Acho que não. Ótimo.

   O avião começou a subir, frio na barriga, fecho os olhos, frio na barriga continua. Avião estabiliza, me sinto melhor. Abro os olhos e começo a ver outro filme entediante. A previsão de chegada em Lanfred é de três horas. Felizmente, tenho tempo para fechar os olhos e dormir.

 

 

  Acordei com a voz da aeromoça avisando para apertarmos o cinto, afinal, já estávamos pousando. Fiz o que ela mandou com a maior preguiça do mundo, mas fiz. Pouco tempo depois, os passageiros do avião se aglomeraram para sair deste, e eu apenas fiquei sentada. Esperei a multidão passar para finalmente sair. Já era fim da tarde, e um ônibus que iria nos levar para Lanfred passaria às dezoito horas e trinta minutos.

  Dessa vez, como dormi a viagem toda, não comi nem uma barrinha de cereal com água. Passei em uma lanchonete e pedi suco de laranja apenas para enganar o estômago, já que eu jantaria na escola nova. Sentei-me em uma mesa afastada, e comecei a comer. Como seriam as pessoas daquela escola? Seriam que nem eu? Ou seriam que nem Marrie?

  Além do mais, aquela escola era cheia de limites. Isso me preocupava. Quantos mais limites, mais rebeldes. Não sou nenhuma certinha, com certeza acabaria quebrando algumas das regras da escola mais cedo ou mais tarde, mas mesmo assim... Existiam pessoas que não sabem como se controlar.

   "Oi, tudo bem? Lanfred, não é? Prazer, meu nome é Diego."

   Conhecem aquele momento, nos desenhos animados, em que o personagem pula da cadeira de susto? Então, isso realmente aconteceu comigo. Em um momento estava sozinha, perdida em pensamentos, e no outro... BUM!!

  "O-oi... Sim, vou para Lanfred... Estou bem... Hm... Animada." Eu respondi, finalmente olhando para o causador de meu susto. Era um menino de cabelos cor de palha, olhos castanho escuro e levemente bronzeado. O que significava que provavelmente ele morava em uma cidade de cheia de sol, mas não curtia pegar um bronze. Porém, quem mora em uma cidade castigada pelo sol, vai ficar bronzeado que queira, quer não queira. É a vida.

  "Animada? Você deve ser novata... Sério, eu nem queria voltar para aquele local. Mas fui obrigado pelos meus pais, entende?"

  "Sim, entendo... Na verdade, eu também não queria ir para Lanfred. Só de ver o folheto que ela me mandou pelo correio, sinto medo." Isso fez Diego rir. Ufa. Pelo menos eu estava passando a impressão de ser simpática.

  "Qual o seu nome? Sabe, eu concordo plenamente com você, aquele lugar é bem sinistro..."

   Ganhei um conhecido. Ficamos conversando até o ônibus da escola ser visível. O ônibus era deprimente: algumas janelas estavam quebradas, os assentos estavam furados, com a espuma amarela saindo e a pintura, antes amarela, estava mais para um cinza triste. Fui conversando a viagem toda com meu novo colega, e ele me contou que a escola era mista, porém os dormitórios feminino e masculino ficavam de lados opostos da escola. Para prevenir quaisquer "eventos" indecentes. Mas estava bem na cara que isso não funcionava de jeito nenhum.

   Chegamos na escola por volta das sete e cinquenta da noite. De longe, a escola me deu medo. De perto, me deu pavor. Como eu disse, a escola era cinza. No site mostrava ela toda colorida com os alunos sorridentes na frente, porém parecia impossível sorrir quando se sabe que vai passar vários meses naquele local.

   Então uma mulher gorda se aproximou de nós. Trazia uma prancheta, e seu cabelo estava em um coque apertado. Parecia usar uma roupa azul de policial... A cada minuto que passava eu achava que aquele local era tudo, menos uma escola.

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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