The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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20. Capítulo 19

    

         Algo mudou em mim. Sem brincadeira, aquela junção de fogo e luz penetrou em minhas veias, senti meu coração bater mais forte, meu corpo emergir uma energia desconhecida e então apaguei. Não sei por quanto tempo, mas o bastante para abrir meus olhos e ver muita luz, explosões e gritos. Alguém lutava. Não, minto. Muitas pessoas lutavam, eu conseguia ouvir várias vozes ao mesmo tempo.

         Tudo estava zonzo e muito confuso. Tentei me levantar, mas minhas pernas resistiam em me obedecer. Com minha visão não poderia contar, esta estava turva. Tapei meus ouvidos, tentando recuperar o equilíbrio. Estava funcionando, estava funcionando... Acho que já conseguia me colocar de pé.

           Abri meus olhos. E desejei imediatamente que não o tivesse feito. O pátio da escola estava irreconhecível. Havia fumaça, a maioria das árvores estava carbonizada e uma grande luta ocorria. Era possível ouvir a voz de Diego, então o deus ainda não havia morrido, droga! O que era preciso para destruir essa coisa?

           "Charlie, levante!! Precisamos de você, urgentemente!!" Alguém pegou em meu braço. Aquela voz... Eu a reconheceria em qualquer lugar.

           "Charlotte? O que faz aqui? Suma, saia, é perigoso demais!!" Algo explodiu a uma certa distância de nós. Droga, lá se ia o refeitório...

             "Charlie, eu não vou sair!! Você tem que deter essa coisa, tem que manda-la de volta para o inferno!!" Ela parecia saber do que estava falando, seu tom de voz era urgente. Era necessário acabar com aquela coisa, mas como? Ah, não importa como, era preciso.

              Corri para o campo da batalha. Minha roupa estava intacta, parecia ser imune à magia daquele monstro, mas que droga, eu estava me preocupando com a roupa enquanto pessoas que lutavam contra do deus corriam o risco de serem mortas! A fumaça era bem espessa ao redor da área onde a luta ocorria.

              Duas mulheres lutavam contra Diego. Uma com a capa azul e a outra com capa verde. Seus rostos estavam sujos e estava claro que ambas estavam cansadas. Entrei no meio delas, fazendo sinal para que se retirassem, coisa que ambas fizeram com prazer. Olhei com nojo para o deus, e ele sorriu.

               "Eu disse que apenas beleza não lhe daria poder..." Ele lançou uma bola de fogo em minha direção e eu ergui as mãos, fazendo algo sair delas. Quando vi, a bola de fogo havia congelado e acertado a barriga de meu inimigo. Ele soltava fogo pelas mãos, muito nervoso. As minhas chances de morrer haviam aumentado muito.

               Atacamos ao mesmo tempo, só que desta vez fui atingi e voei até o outro lado do campo de luta. Me levantei, com dificuldade, mas hesitei por um minuto. E esse minuto foi decisivo. Senti ser jogada novamente ao chão, e assim foi sucessivas vezes até eu querer desistir de levantar.

               Aquilo doía, doía muito, doía demais, eu não sabia o que fazer... Eu sentia o poder dentro de mim, sentia que ela queria sair, queria matar aquela coisa mas eu estava sem forças... O pior sentimento do mundo é se sentir incapaz. E eu me sentia assim. Olhei para as bruxas que antes lutavam. Uma estava cheia de ferimentos graves e a outra estava deitada no chão, provavelmente inconsciente.

               O que mais doeu em mim foi o olhar de Charlotte. Ela não me olhava com tristeza. Ela sorria para mim. Sorria como se me apoiasse, como se tentasse dizer 'hey, você consegue'. Só que eu não conseguia, e isso foi o que doeu mais. Eu não queria decepcioná-la... Não queria decepcionar a ninguém, mas eu caí. Eu caí. Xeque mate.

                VUSH. Foi o que ouvi passar ao lado de meu ouvido. Algo lançado em alta velocidade na direção do deus, o que fez este último cair. Quem havia feito aquilo? Eu queria ver, mas meus olhos estavam cansados demais para tentar se mexer.

                 "Levante. Você sabe que pode vencer isso. Você consegue vence-lo. Todos sabemos disso." Uma voz masculina meio que ordenou. Eu já havia ouvido aquela voz. Algo me dizia para ouvi-la, acatar seu conselho e levantar. Olhei para Charlotte. O sorriso em seu rosto não havia mudado, ele ainda estava intacto, como sempre. Como sempre... Como se soubesse de tudo... Sim... Ela sempre acreditara em mim. Mesmo quando sentia que eu queria desistir, ela deva um jeito de me animar.

                  Eu não iria decepcionar mais ninguém.

                  Levantei-me, decidida a vencer o deus. Ele não me dava mais medo. Meus sonhos não iriam mais virar pesadelos por causa dele. Eu queria paz. E eu a teria, custasse o que custasse.

                  O deus se virou para mim, sorrindo. Eu sabia que a última batalha começaria agora. O vencedor viveria e o perdedor... Bem, descansaria em paz. Ou não.

                   Atacamos ao mesmo tempo. Conseguimos desviar um do ataque do outro, mas ele foi mais rápido. Me atacou, só que desta vez eu não seria derrubada. Joguei magia contra o ataque dele, fazendo-o voltar para o inimigo. Eu não quero mais ser a menina fraca. Eu nunca mais seria a menina fraca. Nunca mais seria a excluída, nunca mais me sentiria fora da população a qual eu pertencia. Todos ali me entendiam. Eu nasci para salvar as pessoas, e assim seria feito.

                   Parei no meio do campo de luta. Respirei fundo, deixei todas as minhas emoções fluírem para as pontas de meus dedos. Deixei tudo fluir naturalmente. Eu sentia... Tudo era tão mágico e poderoso... Tudo em mim se encaixava perfeitamente, era possível ouvir o vento... Sentir o calor do sol, mesmo quando este estava escondido atrás das nuvens... As gotas de chuva não mais me incomodavam... A terra sob meus pés era maravilhosa, eu sentia que podia me equilibrar perfeitamente nela. Era tudo como uma poesia. Tudo estava em perfeita harmonia dentro de mim, eu sentia que era capaz, eu podia fazer aquilo... Eu podia fazer tudo que quisesse...

                   Meus poderes aumentaram muito. Eles queriam sair, e eu os deixaria. Estendi as mãos para o deus. Este estava finalmente dando sinais de fraqueza, dando sinais de que não conseguiria lutar por muito mais tempo. Mas eu... Eu poderia lutar por toda a eternidade.

                    Quando senti todo o meu poder acumulado na ponta de meus dedos, deixei-os sair. Era como se eu me libertasse. Aquilo era muito bom. A luz que emanou de meu corpo foi intensa, devastadora e destruidora, mas ao mesmo tempo maravilhosa e impressionante. Aquilo era eu. Eu estava ali, eu e apenas eu. Eu entendia o mundo. Ele estava em perfeita harmonia... E eu havia entrado nessa harmonia. Quando isso aconteceu, senti que tudo em mim havia sido harmonizado.

                     O campo de luta foi invadido por minha luz e de repente tudo ficou branco. Senti que o deus não mais existia, apenas o corpo do pobre Diego. Senti o sorriso de Charlotte aumentar, e as bruxas que antes estavam feridas e machucadas, se levantarem e sorrirem. Abri os olhos, e as nuvens haviam se dispersado. As árvores não estavam mais chamuscadas, e não havia nenhum sinal de luta ali. Tudo estava em paz.

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