The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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19. Capítulo 18

  

    "Diego... Mas... Por quê? Justo você?" Eu estava assustada. Como? Diego nunca esteve em minha lista de suspeitos, justo o meu namorado...

    "Não, querida, eu não sou Diego. Sou um deus antigo muito mais poderoso do que qualquer humano desprezível. Diego é apenas uma casca, e nossa relação é como a de um casulo e uma borboleta. Mas não se preocupe, o corpo de seu amigo já, já será dispensado..."

    "Dispensado? Como pode falar algo assim com tanta frieza? Você é um monstro!!"

    "E você é uma menina tola que possui o dom de falar coisas óbvias. Não me importo com humanos, caso não tenha percebido. A não ser que eles queiram ser meus escravos, aí eu poderei prestar atenção neles, do contrário... Continuam sendo animais miseráveis que se matam por um pedaço de pão."

    "Mas por que Diego? Por que não qualquer outra pessoa?"

    Ele riu baixo, como se aquilo fosse uma resposta óbvia.

    "Porque ele deixou, oras. Eu sabia que nossa bruxinha viria para Lanfred e havia uma necessidade de te destruir a qualquer custo, meu doce... Diego foi apenas o primeiro idiota que apareceu e aceitou sem hesitar."

    Minha boca estava escancarada. Tudo estava sendo esclarecido com tanta facilidade... Parecia que ele esperava por isso, que ele pretendia esclarecer tudo facilmente... Mas por quê? Não, eu ainda não iria perguntar o motivo disso, muitas perguntas ainda estavam em minha mente.

    "Por que matou tanta gente se apenas eu era seu alvo? Apenas para se divertir?"

     Ele riu. O sorriso de escárnio não saía de seu rosto por um só segundo.

     "Óbvio que não, tolinha... Elas também eram meus alvos. Alvos menos importantes, mas ainda assim, alvos que eu não poderia ignorar. Confesso que foi divertido ver seu rosto cheio de medo a cada morte... Incomparável."

     "Alvos? Eles eram humanos normais que não tinham culpa de nada, por que seriam tão importantes?"

    "Como pode ser tão burra a ponto de pensar que eu gastaria meu tempo com humanos normais depois de todo o meu discurso? É ÓBVIO que eles não eram normais. Por exemplo, o zelador. Era um Ghok disfarçado."

    "Ghok?" Que diabos era aquilo? Que droga de palavra é essa? Isso não era nada da língua inglesa, portuguesa, italiana, francesa... Talvez fosse, sei lá, mas eu não tinha conhecimento dela.

    "Ghok são criaturas que as bruxas brancas criam para ajuda-las. Digamos que os carinhas possuem mil e uma funções, entende? Ah, que se dane, não gastarei meu tempo com seres burros... Quem mais eu matei, mesmo?" Ele coçou o queixo. "Ah, sim, sua amiga loira."

    "Ela não era minha amiga."

    "Ela era uma bruxa do bem." Continuou, como se nem houvesse me escutado. "Pelo que eu soube, estava te vigiando... As outras velhas eram bruxas antigas... Esqueci de alguém? Ah, não ligo... Não lhe explicarei mais nada, chega de enrolar, menina tola."

     Marrie era uma bruxa? Do bem? Justo do bem? Que me vigiava, ainda por cima? Mas que droga... Claro, ele havia tirado todas as bruxas de perto de mim para que seu caminho estivesse livre... Eu sabia que não tinha nada de aleatório naquelas mortes.

     "Muito bem, hora de brincar um pouco com você..." Ele estendeu as mãos em minha direção e uma bola de fogo saiu delas. Desviei o mais rápido que pude, e a bola de fogo atingiu uma árvore próxima. Pobre árvore...

     Diego ria, se divertindo com aquilo.

     "Acha que vai conseguir fugir para sempre? Eu vou te pegar, senhorita... Mais cedo ou mais tarde irei me livrar de você..." Outra bola de fogo veio em minha direção, quase me acertando em cheio. Eu estava com medo. Como eu me defenderia daquela criatura? Não havia outra solução a não ser correr, e foi o que fiz. Meio idiota, eu sei, mas correr era minha única escolha.

     Bolas de fogo eram jogadas contra mim, e cada vez ficava mais difícil desviar delas. Quanto mais eu corria, mais eu ficava cansada e mais difícil era me movimentar. Drogam eu não podia continuar correndo sem rumo. Os prédios em que as aulas eram lecionadas... Não estavam longe, dava para ir até lá se eu me esforçasse mais um pouco.

      O que eu esperava fazer lá dentro? Não sei, não me pergunte, eu apenas segui meus instintos e corri para lá. Diego ainda investia contra mim, mas parecia cansado. O deus não se cansava, porém lançar bolas de fogo e correr deviam existir muito esforço do corpo humano.

      Entrei no prédio de humanas e fechei a porta de metal, arfando. Isso não o deteria, mas me dava mais tempo, e tempo era algo que eu não podia recusar. Minha intuição mandava eu ir para o último andar do prédio, na sala da Coordenadora Gisele. Eram onze andares de escada, sem elevador, mas eu sentia que precisava ir até lá.

       Corri para as escadarias, sabia que não tinha tempo para enrolar. Achei que não aguentaria subir tudo aquilo, mas assim que meus pés tocaram os degraus, senti com se estivesse voando. Eu subia as escadas, com muita rapidez e facilidade, como se tudo estivesse a meu favor.

        Ouço uma explosão lá embaixo. Diego provavelmente havia arrombado a porta e subia atrás de mim. Felizmente, eu já estava no nono andar como que por algum milagre. Corri mais um pouco e entrei na sala da coordenadora, arfando. Eu não estava cansada, mas a adrenalina e o perigo eram altos, o que fazia ficar assim.

         Observei a sala. Uma mesa, uma cadeira, um estante de livros...

         "Empurre o livro vermelho." Uma voz disse em minha cabeça. Não era como um pensamento, era como se alguém sussurrasse em meu ouvido. A urgência do momento me fez dispensar qualquer hipótese de descartar aquela voz, era fazer o que me era mandado ou morrer.

          Aproximei-me da estante e comecei a procurar. Livro vermelho, livro vermelho... Todos os livros ali eram verdes e azuis, um vermelho deveria se destacar. Foi aí que o vi: um pequeno livro de capa vermelha aveludada, bem escondidinho entre os outros. Como o vermelho era bem discreto, sua presença no meio dos outros livros era quase imperceptível. Empurrei-o delicadamente e a estante se locomoveu um pouco. Empurrei-o mais fundo e com mais força, fazendo a estante se mover completamente para a direita, revelando uma passagem secreta.

          Passos pesados se aproximavam da porta. Droga, ele estava quase chegando, era entrar ou morrer... Entrei, pegando uma única tocha que iluminava o local e, assim que o fiz, a estante voltou ao lugar original, como se nem houvesse saído deste. Aquele local escuro me parecia um túnel sem fim.

         O silêncio era total. Na verdade, quando meus olhos se acostumaram com a quase escuridão completa, pude ver que aquilo não era um túnel, e sim uma escadaria que descia em formato de caracol até lá embaixo, onde meus olhos não podiam alcançar. É, eu teria que descer tudo aquilo. Apesar dos degraus me parecerem frágeis à primeira vista, na verdade eram bem resistentes quando pisei neles. Não havia corrimão, portanto a atenção deveria ser redobrada, cair de um local daqueles não seria nem um pouco agradável.

         Aquela escadaria parecia não ter mais fim. Quanto mais se descia, mais parecia que ela era funda, e as paredes eram fechadas, quase não entrava nenhum ar. Me sentia presa, e isso era horrível demais. Em que parte de Lanfred eu estava? Não sei, era difícil dizer quando se tinha apenas uma tocha como iluminação para uma descida inteira.

         Eu já estava bem cansada quando a escada pareceu ter fim. Uma luz fraca, bem no finalzinho dela começou a aparecer e isso me deu esperanças de que havia algo que realmente valia a pena toda essa descida. Apressei um pouco o passo, ansiosa para ver o que me aguardava. Quando cheguei lá embaixo, não pude deixar de ficar impressionada.

         A luz, antes fraca, agora se mostrava bem forte. Várias tochas iluminavam um pequeno caminho que nos levava até uma saleta, toda revestida em mármore: pisos, teto, paredes... Aquele lugar tinha uma luz natural que entrava não sei de onde, mas era lindo de se ver. Anjos estavam pintados no teto, e esculturas perfeitas estavam perto das paredes. Mas o que mais me chamou a atenção foi o pedestal. Mais precisamente, a caixa que estava em cima do pedestal.

         Era uma caixa prateada, porém com detalhes em dourado. Acho que nunca havia visto coisa mais bonita em toda a minha vida. O que havia ali dentro? Eu não sabia, mas estava louca para descobrir. Abri a caixa lentamente, surpresa ao ver o que havia dentro dela. Em cima de uma almofada de veludo vermelha, havia um bastão prata com detalhes em ouro, e bem na ponta, uma bola azul, muito parecida com uma bola de cristal. Eu sentia que devia pegar aquilo. Eu tinha algo a ver com aquilo, ninguém precisava me dizer isso, eu sentia.

          Peguei o bastão, erguendo-o bem no alto. A bola azul em seu todo começou a brilhar fortemente, atraindo a luz das tochas e transformando-as em uma luz azulada linda, que iluminou ainda mais todo o local. Minha roupa, antes o uniforme feio da escola, se transformava. Agora eu trajava uma roupa de couro preta linda, botas e um cinturão com vários tipos de armas. Uma capa vermelho aveludada surgiu em minhas costas, e meu cabelo, antes em um rabo de cavalo sem graça, agora caía sobre meus ombros, lindos e perfeitos, como um cabelo dos sonhos.

          Mas não era só minha aparência que mudava. Coisas invadiam minha mente, fazendo-me lembrar de coisas que vivi como bruxa branca. Eu sabia como caçar bruxas negras, sou uma especialista nisso. Nomes de feitiços, poções e pessoas vinham e enchiam-me de memórias, onde eu lutava bravamente contra criaturas do mal que ameaçavam a paz do mundo humano.

          Era como se meus olhos finalmente se abrissem para o mundo, como se eu despertasse de um sonho que me envolvia há tempos.

          Trouxe o bastão para mais perto de mim. Aquilo sempre havia me pertencido. Era como se aquilo me completasse.

           De repente, uma explosão no teto, me jogando para o lado. Mármore se espalha por todo o chão, deixando a saleta com uma enorme e espessa nuvem de poeira branca.

           "Muito bem, Charlie, estou cansado de brincar. Hora de acabar com isso, mocinha. Ter despertado e ficado mais bonita não vai te salvar. Nada vai te salvar de minha fúria." O deus ergueu as palmas das mãos em minha direção, formando uma enorme bola de fogo nelas.

            Ergui o bastão, formando uma bola de luz forte, que poderia cegar o humano mais resistente.

            Então atacamos, os dois ao mesmo tempo, consumando a união de luz e fogo.

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