The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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17. Capítulo 16

Como? Não, não podia ser ele.

"Sim, Charlie, sou eu. Bem, não exatamente eu, mas... Enfim, eu." O homem mascarado me encarava, sorrindo tenebrosamente.

Dei um passo para trás, me preparando para correr caso fosse necessário.

"Com medo, meu doce? Ah, não se assuste... Onde ele está? Me diga, onde??"

"Onde está o quê?? Seu louco, se afaste de mim!!"

"Cale a boca, vadia. Vamos, onde está a correntinha?? A correntinha de ouro, vamos!!"

Aquela voz me era familiar. Não me lembrava onde, mas eu sabia que já a havia ouvido... Se aquela máscara não estivesse cobrindo todo o rosto dele... Que droga, nem pelo corpo dava para identificar.

Ele estava chegando perto. Perto, perto demais, caraca, o cara estava quase com a cara grudada na minha, quando sumiu. Caí para trás, ofegante.

Aquele era o assassino. Aquele era o cara que matou todas aquelas pessoas. Ele queria me matar, então por que sumiu? Por que algo me diza que ele voltaria? Porque é óbvio que sim, oras! Se ele me queria mesmo morta, voltaria a se aproximar de mim custasse o que custasse.

Me recostei na árvore, suspirando. Eu estava suada, transpirando por vários lugares. Não de calor, mas de medo e desespero. Nossa, que coisa horrível... Droga, o cachorro quente estava voltando, eu iria...

Ah, que nojo. Não sei o que é pior: vomitar ou ver o seu vômito. Acho que os dois empatam. Fechei os olhos, tentando me recompor. Se eu ficasse mal a cada vez que o encontrasse, eu estava perdida. Sério, eu precisava ser um pouco mais forte ou nem comer nada antes de ter algum encontro com ele.

Se bem que, muito provavelmente, ele não iria mais me convidar. Iria me pegar de surpresa.

Fechei os olhos, cansada. Aquilo não era humano. Só de estar na presença dele, minhas forças iam embora, eu quase não conseguia me mover. Fiquei embalada nesses pensamentos por um longo tempo, até que adormeci.

* * *

Me encontrei no mesmo caminho que escolhi seguir em meu último sonho. Só que, agora, eu podia ver o final dele. Havia uma praça, muito bonita. Eu não conseguia distinguir muito bem o que havia nela porque a névoa ainda não se dissipara por inteira. Caminhei lentamente até aquela pequena praça. O caminho em volta de mim era cercado de lírios brancos, e o local transmitia uma paz absurda.

Quando cheguei mais perto, pude distinguir uma silhueta sentada em um banco. Ela vestia um vestido branco e em seu cabelo havia uma coroa branca de flores, parecia... Um anjo? Sei lá, talvez essa fosse a palavra.

Ela sorriu, olhando-me. Parecia me conhecer há tempos, como se fosse uma velha amiga.

"Charlie?"

Assenti, olhando para os lados. Havia uma fonte, pássaros cantando... Sim, eu reconhecia aquele local. Era a praça onde eu havia visto a fonte bela e majestosa dos cupidos... O que eu fazia ali? Me lembro de dormir, mas será que eu acordara e agora estava no paraíso? Droga, que coisa religiosa, eu nunca fui assim...

"Por favor, querida, sente-se. Não sabe o quanto ansiei por este momento, onde eu poderia explicar... Me desculpar..."

Me sentei perto dela, curiosa. Desculpar? Explicar eu até entendo, talvez ela fosse me explicar sobre o assassino, mas não entendo o motivo dela querer se desculpar. Eu nunca a havia visto até aquele momento! Que menina estranha...

"Me perdoe, querida... Não se lembra de nada, não é? Tenho que esclarecer as coisas... Peço desculpas por nosso encontro ter sido tão... Digamos... Assustador."

"Mas quem diabos é você? Vai esclarecer sobre aquele assassino louco?? E quando nos vimos? Não me lembro de ter te visto, estou ficando louca... " Me levantei, estressada. Na verdade, não estava tão estressada assim, aquele local me deva uma paz louca, não conseguia sentir raiva nem nada do tipo. Meu coração estava tão calmo...

"Calma, meu doce. Por favor, sente-se." Ela pegou em meu braço e delicadamente me puxou para o banco, onde sentei. "Sou a menina... De seu sonho... Do seu primeiro sonho em Lanfred. Peço que me perdoe por ter te assustado..."

Agora eu a reconhecia. Ela era a menina morta que me atacou. Mas se ela queria me matar no sonho... Por que estava sendo tão legal comigo agora? Gente esquisita...

"Aquela menina? Não, você é tão... Angelical. Aquela menina era louca e tentava desesperadamente me matar, você nunca faria isso."

"Na verdade... Estou bem longe de ser um anjo. Está pronta para ouvir a verdade e aceitar o que é, de verdade?" Ela me olhou, séria.

Hesitei. O que ela tinha para me contar? Aceitar o que é? Vai se ferrar, não sou personagem de romance famosinho!!

"Aceito." Sério que eu disse isso? Ah, que se dane. Eu estava morrendo de curiosidade.

"Bom... Acredita em bruxas? Ah, esqueça, isso não muda nada. O fato é que elas existem. Assim como existem bruxas do mal, existem bruxas do bem. As bruxas do bem estão distribuídas em clãs por todo o mundo, e a finalidade de cada clã era, e ainda é, cuidar para que a paz na Terra seja mantida. As bruxas do mal, por outro lado, tentam burlar essa paz. As bruxas do bem sempre as venciam, e isso as irritou muito. De uns tempos para cá, elas perceberam que não podiam nos vencer e resolveram apelar para deuses antigos, deuses de várias crenças do submundo. Como muitos desses deuses foram libertados de suas prisões, todos os clãs tiveram que tomar providências, inclusive o nosso." Ela respirou fundo, como se estivesse buscando ar para continuar a falar.

"Bom" Ela continuou. "Um antigo deus foi destinado a acabar com nosso clã. O nome dele era Möë. O fato é que ele não conseguiu nos matar, porque somos imortais, mas não poderíamos ser tocadas por ele enquanto carregássemos nossas pulseiras e correntinhas de ouro. Ele fez algumas de nossas servas irem para o lado negro e elas nos roubaram esses itens preciosos, fazendo com que ele conseguisse nos fazer mal. Você, uma aventureira, teve a sorte de não estar presente no dia em que nossos preciosos acessórios foram nos roubados. Sabíamos de nosso triste fim, e nada podíamos fazer contra um deus, ele era muito poderoso. Então, nós tivemos uma ideia. Havia um casal amigo louco para ter uma filha. Como você era jovem, apagamos sua memória e lhe entregamos para eles, como forma de proteger a última integrante de nosso clã. E, agora, ele veio atrás de você de uma maneira que jamais achei que viria. E está furioso, ele tem sede de sangue."

Eu estava sentada bem na pontinha do banco olhando-a, assustada.

"Mas... Mas... Olha, isso deve ser da minha cabeça, quando eu voltar vou procurar um médico e fazer tratamento intensivo, é isso que preciso. Apenas isso. Ah, meu pai..."

Ela tocou minhas costas, sorrindo.

"Vai levar um tempo para aceitar e compreender as coisas, Charlie, mas terá que acatar seu futuro. Não podemos reverter sua memória e te fazer lembrar de coisas antigas, terá que se lembrar sozinha. E você aceitou lutar contra este assassino, e é só por isso que estamos aqui neste local maravilhoso, eu e você. Por favor, precisamos de sua ajuda..."

Bufei.

"Deixe-me adivinhar: terei que salvar o mundo, sou a única pessoa que pode fazer isso. Ah, vai se ferrar." Me levantei, seguindo pelo caminho pelo qual havia vindo.

"Charlie!! Espere!!" Parei e me virei.

"O que foi?"

"Você... Você queria fazer isso pela escola, não queria? Você queria poder proteger pessoas que considera queridas do mal que é este deus horroroso... Faça isso não por nós, Charlie, mas pelas outras pessoas. Algumas bruxas boas podem te ajudar na luta, mas você, como membro restante de nosso clã, terá que dar o golpe final. Por favor, nós imploramos..."

"Nós?"

"Sim, nós. Eu vim em nome de todas do clã. Não, querida, não estamos mortas. Estamos aprisionadas nos domínios do mal. Não podemos sair, não com Möë livre. Você já aceitou derrotá-lo. Sei que não se lembra de nada, mas, por favor... Nos ajude. É muito importante para todos nós."

Tive que pensar. Nossa, essa história era muito louca, tipo, eu era uma bruxa. Só que uma bruxa boa. Mas que coisa... Eu só havia ouvido falar em bruxas más, com verruga no nariz e que fazia macumbas doidas mas bruxas boas que protegiam o mundo do bem? Aquilo havia ido longe demais. Mas eu tinha que ajudar... Mesmo que tudo se passasse dentro de minha cabeça e eu estivesse insana, ainda havia um assassino solto por aí. Ele mataria cada vez mais, e meu coração queria acreditar na história contada. Meu coração diz sim, minha cabeça diz não. É sempre assim...

"Antes de eu aceitar... Por que seu corpo está enterrado lá, Audrei? Faz tantos anos que está enterrada que... Espere. Se o seu corpo está enterrado..."

"Não querida, esqueça aquela história. Não há corpo nenhum enterrado, apenas tiveram que inventar uma história para meu sumiço repentino naquela escola."

"Você estudava lá?"

Ela assentiu.

"Sim, e essa é a razão principal de seus pais te mandarem para lá. Já percebeu que é diferente dos outros? Para você, as vidas humanas são sem sentido algum, e sabe o motivo disso? Porque você não nasceu para levar uma vida humana, nasceu para proteger o mundo, essa é sua funçã junto com a de milhares de outras bruxas boas. Agora vá lá e exerça sua função. Prova para si mesma que sua vida possui sentido, querida." Dito isso, sumiu, e tudo ficou escuro novamente.

* * *

Acordei, dando um pulo. Eu estava suada e caída no chão. Será que aquele sonho fora verdade ou apenas alucinação de minha mente perturbada. Havia tanto que queria saber, mas a bruxa não lhe deixara saber... Bom, teria que perguntar em outra oportunidade. Já estava escuro... Nossa, que horas eram? Olhei instintivamente o pulso à procura de meu relógio e vi uma correntinha de ouro.

Não era uma simples correntinha de ouro. Havia algo mágico nela, algo de... Diferente, sei lá. Talvez aquele sonho não tenha sido maluquice. Talvez... Eu fosse uma bruxa. Olhei para meus joelhos. Havia um bilhete ali. Abri com pressa, dessa vez sem medo. Eu ansiava por aquele bilhete. Talvez fosse o último... Sim, eu tinha esperanças que aquele fosse o último bilhete.

Droga, ali estava escuro, não dava para ver... Me levantei, indo até um poste com luz.

"Isso ainda não acabou. Me encontre no pátio principal de Lanfred. Vá se tiver coragem. Se estiver com medo... Bem, eu irei até você, Charlie."

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