The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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16. Capítulo 15

  

Os alunos estavam ajoelhados em frente à uma estátua de Jesus crucificado. Nos deram um livreto contendo as letras das músicas que cantaríamos em homenagem aos mortos. A maioria falava sobre "descanse em paz", "você sempre será lembrado", "nos proteja", entre outras coisas.

Charlotte se sentou em uma das primeiras fileiras de banco, já que era parente da diretora. Eu, por outro lado, sentei na última fileira. Não, não estou nem um pouco indignada, na verdade, fica até bem melhor quando eu for sair de fininho.

Lá pela quinta música, percebi que todos estavam bem entretidos em cantar. Me levantei e saí bem discretamente, sem que ninguém me visse. Corri para bem longe daquele local, apenas para não ser pega e depois parei, bem em frente à fonte. Era uma bela fonte. Havia um casal aos beijos e um cupido que jorrava água da boca. A fonte era poética e, devo admitir, até romântica.

Me desculpe, fonte bonita, mas não tenho tempo para apreciar-te agora.Olhei para os lados, a procura de uma placa que pudesse me dar qualquer informação. Que nada, apenas vários caminhos que seguiam em todas as direções possíveis e depois se abriam em mais caminhos. Bom, sejamos racionais: o bilhete dizia para encontrá-lo na região oeste daqui, então vamos seguir para oeste.

Segui o caminho central da esquerda, procurando por um mapa. O que seria aquilo que eu enfrentaria? Um humano psicopata, na certa. Mas e aquele sonho? Talvez meu psicológico esteja bem afetado, no final das contas. Quando tudo isso acabar, irei passar as férias bem longe de tudo. Perfeito.

O templo Saint não poderia estar muito longe, apesar de ainda ser uma e meia ta tarde. Que fome... Não me lembro de ter comido muitas coisas desde que embarquei no ônibus. Um vento forte soprou contra mim, e cobri meu rosto com as mãos. Nossa, aquilo veio do nada. Algo bateu em meus dedos, e por instinto, peguei aquilo. Era um mapa.

Ufa. A ventania parou repentinamente, e tudo voltou a ficar silencioso. Apenas minha respiração era audível, e nem o canto dos passáros estava mais lá. Abri o mapa e uma coisa logo me chamou a atenção. Havia um espaço circulado em vermelho, em volta de Saint.

Não, aquilo não era normal. Seria mesmo apenas um psicopata? Ou talvez... Algo maior? Ah, que droga, Charlie, se concentre. Ver muitos filmes de terror dá nisso.

Minha barriga roncou, eu precisava comer algo logo. Analisei o mapa e, não muito longe de Saint, havia uma lanchonete. Era só eu seguir em frente e virar na terceira curva à direita. Guardei o mapa no bolso e segui pelo caminho traçado em minha mente.

Quem seria o assassino? Não era algo humano... Ou talvez fosse apenas minha imaginação. Talvez seja uma brincadeira sem graça? Sim, muito provável que alguém apenas queira me pertubar e, no final das contas, os bilhetes me levarem a um grupo de alunos que me faça uma surpresa. Mas... Algo me dizia que não era isso. Algo que me dizia que era muito além disso.

E aquele sonho? Não era uma brincadeira de alunos, era algo a mais, algo que quebrava as barreiras do conhecido e invadia o território do sobrenatural.

Virei na terceira curva à direita e corri para a lanchonete. Na verdade, era apenas uma barriquinha de cachorro-quente com algumas mesas já bem quebradas. Tudo bem, eu podia comer em pé. Havia uma mulher gorda limpando a barraquinha.

"Com licença? Aqui está aberto?"

A mulher não respondeu. Depois levantou a cabeça e assentiu, voltando ao trabalho.

"Ahn... Tá... Posso pedir um cachorro quente bem caprichado?"

A mulher suspirou, indo para dentro da barraca e pegando um pão com salsicha e batatas já pronto. Não tinha quase nada de batatas e a salsicha era finíssima, mas era melhor do que nada. Deixei o dinheiro em cima do balcão de metal e comecei a comer bem lentamente, aproveitando cada parte.

"É melhor engolir tudo isso logo, vadia. Você tem um encontro, e ninguém gosta de esperar muito tempo..."

Olhei para a mulher, assustada. Como ela sabia daquilo? Como uma mulher, que nunca vi em toda a minha vida, podia saber sobre meu encontro com o assassino? Me afastei dali, correndo. O cachorro quente jazia no chão perto da barraca e eu corri até estar longe dali.

Mas que diabos havia acontecido? Que horror, que horror, que horror!!! Peguei o mapa e o olhei. Saint estava a quase cinquenta metros de onde eu me encontrava. Quase a cinquenta metros do meu inimigo. Quase a cinquenta metros de minha morte.

Respirei fundo e caminhei até lá, lentamente. Saint era um local bem bonito. Havia várias rosas vermelhas e brancas crescendo por todos os lados, várias cerejeiras, bancos e mesas decorados... Um local de paz, um local perfeito para um encontro de casais. Sortudos os que estiveram ali... Talvez, se eu sobrevivesse, pudesse trazer Diego para dar um passeio ali comigo.

"Ah, finalmente, Charlie... Achei que não viria."

Me virei na direção da voz, tentando achar o dono ou a dona dela.

E devo dizer que não sabia se ficava assustada, impressionada, triste ou com raiva.

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