The Lanfred's Horror

  • por
  • Classificação:
  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

24Likes
68Comentários
1859Views
AA

15. Capítulo 14

Ainda garoava quando os alunos entraram no ônibus. Foram necessários três ônibus para trasportar as séries separadamente, sem bagunça. O primeiro ônibus transportava o primeiro ano, o segundo ônibus o segundo ano e assim por diante. Combinei com Charlotte que iria sentada ao lado dela, já que o lado direito dos ônibus eram para os homens e o esquerdo, o das mulheres.

Pegamos um assento um pouco atrás. Diego sentou um pouco mais à frente, porém jogou um beijo para mim. Retribui, olhando para Charlotte. Ela levava uma cruz ao peito, parecendo muito abalada. Apenas por seu olhar, era óbvio que ela havia chorado na noite anterior. Aquele passeio significava tudo para ela, uma última chance de se despedir da avó... E para mim, a última chance de descobrir o assassino. Aqueles assassinatos não podiam continuar. Eu poderia morrer, sim, isso é óbvio, mas se a minha morte parasse com tudo... Eu morreria com o maior prazer.

Afinal... Eu já havia tentado me matar, certo? Então se eu morresse, não me importaria. Talvez, no fundo, o amor não houvesse me curado totalmente. Talvez ainda houvesse um pouco da vontade de comprar remédios tarja preta e engolir tudo de uma vez. Balancei a cabeça, não era hora de pensar nisso.

Será que meus pais sabiam sobre as mortes? Claro que não, a escola deveria ter abafado o caso, mas os pais deveriam ter sido informados. Acho que o assassino quis mostrar que não tinha medo de matar apenas os alunos, mas a diretora, também... Que droga, por que eu tinha que vir para essa escola?

Talvez... Talvez fosse aquilo sobre o qual falavam muito... O tal do destino. Dizem que nada acontece por acaso nessa vida, e que temos que cumprir certas "missões" para melhorar nossa alma. Isso é o que diz o Espiritismo, sei lá se é verdade.

Charlotte estava calada, com a cabeça encostada no vidro. O ônibus já se pusera em movimento, e pelo que diziam, o local de destino era bem longe, talvez umas quatro horas ou cinco horas até lá.

Fechei os olhos, cansada. Acordar cedo em um dia de chuva é duro, ainda mais quando eu passei algumas horas a mais fazendo o trabalhinho de história sobre a Segunda Guerra Mundial. O sono começava a me invadir. Não, eu não podia dormir. Estava tudo ficando tão calmo...

* * *

Abri os olhos em um local estranho. Havia muito branco, transmitindo paz e tranquilidade. Não sei o motivo, mas tive vontade de ficar ali para sempre. Era como se todas as mágoas e sofrimentos pelos quais passei sumissem de forma súbita e maravilhosa. Eu me sentia perfeitamente bem, como há anos não me sentia.

As roupas negras haviam desaparecido, e no lugar delas, havia uma camisola branca em meu corpo. Era tudo tão leve, tão puro...

"Charlie?" Uma voz feminina falou em minha cabeça. Era uma voz doce, bem delicada, como um vaso bem frágil.

"Quem é você? Onde está?" Me virei, tentando procurá-la. Havia uma névoa branca ao meu redor, o que dificultava minha visão.

"Eu sou... Uma amiga. E tenho uma proposta a lhe fazer. Na verdade, terá que escolher entre duas coisas."

Olhei para o alto. A voz parecia estar vindo de cima de mim, como se fosse algum ser superior. Uma... Proposta? Talvez fosse bom ouvi-la, eu nada tinha a perder.

"Que proposta? Que escolhas?"

"Querida Charlie, você não veio parar nessa escola por acaso. Para tudo tem um motivo. Vou lhe mostrar dois caminhos, e terá que seguir por um deles. Compreende?"

Assenti. Dois caminhos, seguir por um deles. Fácil. Por enquanto.

"Muito bem. O caminho da esquerda mostra uma opção." A névoa de meu lado esquerdo sumiu, mostrando um caminho que parecia não ter sinal de fim. "E o da direita, mostra outra." A névoa de meu lado de direito sumiu, e o caminho novamente não parecia ter fim. "Se escolher o da esquerda, ficará em paz. Morará em uma cidade espiritual, onde tudo é perfeito e as pessoas vivem em harmonia. Se escolher o caminho direito, terá que lutar contra seu inimigo. Poderá sofrer muito, mas livrará Lanfred do horror que predomina naquele local. A escolha é sua." Dito isso, a voz sumiu. Era como se nem houvesse estado ali.

Muito bem, eu tinha que escolher entre viver em paz e lutar contra aquilo. É... Não seria nada fácil essa decisão. Eu poderia muito bem ficar nesse local e viver bem, sem problemas e preocupações, com todo munfo feliz e soltando borboletas pelos ouvidos. Mas... Os alunos continuariam a ser assassinados brutalmente, e sabe-se lá o que é o assassino.

Seria muito egoísmo meu se eu escolhesse ficar, mas ao mesmo tempo, eu poderia falhar se lutasse. Que droga, não tinha um meio termo? Tipo, eu não poderia ficar no paraíso e no inferno ao mesmo tempo? Claro que não, que ideia "maravilhosa".

Respirei fundo, me acalmando. Era uma decisão bem difícil... Ai, socorro!!! Quer saber? Nos dois eu vou morrer... A única diferença é que em uma eu ajudaria a escola, e em outra eu apenas seria uma egoísta do caramba. Olhei para o caminho esquerdo. Eu já sabia qual caminho seguir.

E assim saí do local, apreciando a vista do caminho que eu havia escolhido.

* * *

Acordei com o balançar de algo. Charlotte me cutucava e apontava para todos saindo do ônibus.

"Charlie, acorda!! Você dormiu a viagem inteira e falou coisas estranhas... Já pensou em ir ao médico?" Ela me olhava, preocupada.

Esfreguei meus olhos, sem saber se o que eu havia passado era real. Que seja. Me levantei, perdendo um pouco o equilíbrio por causa da velocidade com a qual fiquei de pé.

"Falei, é? Ignore, Charlotte... Devo estar bem abalada... Tomara que a vinda até aqui resolva as coisas..."

Ela assentiu, se levantando depois de mim. Andei meio cambaleante e quando cheguei até a porta do ônibus, senti o ar gelado invadir minhas narinas. Um delicioso aroma de chuva e frio.

Era esse aroma que eu sentiria quando fosse enfrentar aquilo.

Um aroma de chuva, frio e sangue.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...