The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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12. Capítulo 11

 

   Nós corríamos como loucas. Quanto mais longe estivéssemos daquela floresta, melhor. Charlotte ia na minha frente, e ambas carregávamos uma lanterna. Nossa, nunca foi tão difícil achar a portinha que levava ao local por onde havíamos vindo. Por fim, conseguimos entrar.

   Arfávamos de tanto correr. Charlotte estava vermelha, suada e eu duvidava que estivesse melhor do que ela.

   "Como... Acha... Que aquilo foi... Parar lá?" Charlotte me olhou. Ela tinha os olhos cheios de lágrimas. "Seria... Uma brincadeira muito... Sem graça..."

    Eu tinha uma ideia de quem havia posto a cabeça da ex-bibliotecária ali. Alguém que soubesse que eu iria até lá hoje, e que quis deixar as coisas iguais a lenda de Audrei. Esquartejara o corpo da pobre coitada e arrancara seus olhos, igual à história.

    Tinha uma leve impressão de que quem havia feito isso era o mesmo autor dos bilhetes misteriosos. Que droga, ele estava em todo lugar e não estava em lugar nenhum.

    "Char, não importa quem fez isso, importa é que temos que sair daqui o quanto antes. Já me acharam na cena de dois assassinatos, se me achassem outra vez... Não seria nem um pouco legal. Eles poderiam pensar que você está me ajudando nos crimes."

    Charlotte assentiu, pegando o mapa. "Agora é mais fácil, é só seguir em frente." Ela pareceu se acalmar um pouco. "Você vai no passeio que vamos fazer daqui a duas semanas?"

   "Que passeio?"

   "Ah, desculpe, minha avó só contou para mim. É que ela é muito religiosa, sabe? Então iremos a um templo antigo rezar para que as mortes parem. Claro que apenas os funcionários da escola vão rezar, os alunos vão é zoar. Se bem que todos ficaram afetados com os assassinatos, então talvez rezem um pouco."

   "Uau. Acho que vou... Digamos que estou sendo atormentada com sonhos ruins..."

   "Sonhos ruins? Ah, eu tenho um bagulho que coloco em minha cama para afastar sonhos ruins. Muita gente usa, e eu sei fazer aquilo. Posso fazer um para você, se quiser." Ela sorriu. Fiquei surpresa e feliz por ela não ter perguntado mais nada sobre os sonhos. Acho que eu nunca ficarei à vontade para falar sobre eles com alguém.

     Depois disso, ficamos quietas a "viagem" de volta inteira. Não queríamos falar sobre nada, não queríamos tocar no assunto da cabeça na árvore... Mas e quando descobrissem? SE descobrissem. A floresta ficava tão afastada, e o local onde a cabeça estava, mais afastado ainda.

      De qualquer modo, amanhã era sábado. Eu acho. Perdi a conta dos dias da semana com esses acontecimentos. Bom, fosse ou não fosse, dormiria até mais tarde. Havia uma bela chance de eu ter um sonho ruim, mas... Meu cansaço era enorme. O que ganhamos com essa ida até a floresta? Nada do que queríamos ou pretendíamos ganhar. Mas eu sei de uma coisa.

      O remetente dos bilhetes estava me vigiando. E às vezes, tenho a impressão de que ele pode ler meus pensamentos.

                                                           ۞     ۞     ۞

       Acordei com o barulho de batidas na porta. Droga, que horas eram? Meio dia... Se hoje fosse algum dia de aula, eu já teria perdido todas as aulas da manhã e teria que dar uma boa explicação para os professores, mas se fosse sábado... Mandaria ir se ferrar.

        Mais batidas repetidas na porta. Me levantei, com muita preguiça e fui abrir a porta.

        Não havia ninguém. As batidas continuaram, e olhei pelo corredor para ver se era em outro quarto, mas não havia ninguém. Fechei a porta e me virei, dando um grito quando olhei pela janela.

        "Diego, você precisa parar de me dar sustos!!" Abri a janela, deixando ele entrar.

         Ele riu, entrando com um pacote na mão. "Surpresa!!! Nossa, você está... Bonita. Por dentro."

         Lembrei que caí na cama assim que cheguei na noite anterior. Minha aparência devia estar divina.

          "Você me acordou. Vou no banheiro me arrumar, espere um pouco." Entrei no banheiro e tranquei a porta, logo me olhando no espelho. Meus cabelos estavam bagunçados e minha cara, com marcas de travesseiro. Droga. Escovei meus dentes ao mesmo tempo que tentava pentear o tufo de mato que é o meu cabelo. Não foi fácil, mas... Bem, nunca é fácil. Saí do banheiro algum tempo depois, cansada de lutar com meu cabelo. A intenção era deixá-lo solto, mas... Dez a zero para o tufo de mato.

          "O que veio fazer aqui à essa hora da manhã, meu amigo?" Arrumei a cama.

          "Vim perguntar por que me deixou esperando ontem... Preparei um almoço tão especial..."

          "Você comprou um almoço especial. E acredito que muitas outras pessoas, porque aqueles caras só vendem um tipo de comida por dia." Eu ri, olhando-o.

          "Mas, para me compensar... Aceitaria nadar comigo?" Ele sorriu, jogando o saco de comida para mim.

          "Eu não trouxe biquíni, Diego." Abri o pacote e vi o café da manhã. Dois donuts e uma bebida do Starbucks. Uau, agora ele havia exagerado.

          "Quem disse que precisaríamos de roupas?" O sorriso dele era cheio de segundas intenções. Um sorriso lindo, por sinal. Revirei os olhos e joguei um travesseiro nele, rindo.

          "Engraçadinho. Vou entrar com minhas roupas mesmo e depois troco, é melhor do que ir sem nada." Me levantei, procurando aquela bolsinha pequena que comprei. Olhei para a janela e vi que estava bem quente. Meu olhar caiu em Diego e, percebendo que ele me encarava, voltei a colocar algumas roupas na bolsinha.  "Hoje é sábado?"

          Ele aquiesceu com a cabeça. "Sim, senhora. Ou achou que eu lhe deixaria dormir até tarde em um dia de semana? Depois que voltarmos, lhe ensinarei física..."

          Não, física não... Tudo menos física. Mas minha prova estava chegando, e eu tinha que estudar, certo?

          "Que droga... Bom, é melhor descer por onde veio, mocinho, não seria legal se nos vissem saindo do mesmo quarto..."

           Ele riu, me dando um beijo na bochecha e saindo pela janela. Se ele não houvesse me mostrado que subia pela árvore, eu teria uma teoria de que ele era o Homem-Aranha. Coitado do Peter... Ser comparado com este tarado que queria nadar pelado comigo.

           Comecei a comer minha comida bem rápido, acho que nem senti o gosto direito. Não que eu não quisesse nadar pelada com ele (mas uma parte de mim, a parte sã, não queria mesmo), era só que eu nunca tive orgulho da minha imagem no espelho e... Eu só havia beijado um menino. É... E foi numa daquelas brincadeiras de "verdade ou desafio", sabe? Não foi legal.

            Peguei a bolsinha e saí correndo para o lado de fora, onde Diego me esperava com as mãos nos bolsos.

            "Finalmente, achei que nunca viria." Ele riu. "Iremos de carro até o lago."

            "De carro? Mas... Eu achava que o lago era perto e... Vão nos deixar sair?"

            "Claro que sim, eles deixam os alunos saírem no sábado. Claro, não podemos nos afastar muito da escola, podemos ir, no máximo, até uma cidadezinha que tem aqui perto. E o nosso lago fica mais perto do que essa cidadezinha, ou seja, podemos ir lá." Diego sorriu, andando até o portão.

             Muitas pessoas vestiam roupas coloridas, e as garotas abusavam de shorts e blusas minúsculas. É, não adianta negar, existem vadias em tudo quanto é lugar. Parecia que, nos fins de semana, poderíamos usar as coras que quiséssemos, e isso era bom. Parecia que a escola ganhava vida quando os alunos paravam de usar apenas o preto e o branco.

              O carro que ele havia pego era um Ford Fusion. Bom, eu esperava um carro mais simples, ou até mesmo um taxi, mas... Uau. Entramos no carro, que era bonito e confortável.

              "Escolha a música. Tenho um porta cd's dentro do porta-luvas, pode escolher o que quiser." Peguei o porta cd's e uau. Ele tinha um gosto extremamente bom. Nirvana, Led Zeppelin, Falling in Reverse, Aerosmith, Beatles, Panic! At the disco... Peguei um cd do Falling in Reverse e começou a tocar "Alone", uma de minhas músicas preferidas.

               "Como conseguiu o carro, Diego? Afinal, viemos todos de avião..."

               "Meus pais tem uma casa aqui perto, e minha tia mora lá. Pedi para ela trazer o carro para cá hoje." Ele sorriu, e começou a cantar a música que tocava. Acompanhei-o, e em pouco tempo, estávamos aos gritos quando o refrão começava.

                O carro era silencioso e nem dava para perceber que andávamos. As árvores passavam por nós em uma velocidade impressionante, e logo deu-se fim à floresta e uma colina apareceu, mostrando um verde maravilhoso. Mais a frente, havia um pequeno bosque. Diego apontou naquela direção.

                "Ali está o nosso lago. Silencioso, tranquilo... Um local perfeito para relaxar."

                "Um local perfeito para esquecer que tenho de estudar física depois." Ri, olhando para o bosque. Parecia um local perfeito. Vazio, bem calmo, e tinha um lago... Eu não poderia pedir mais.

                Diego virou em uma curva e uma estrada de terra começou. O carro balançava um pouco, mas em pouco tempo estávamos perto do lago. Ele saiu primeiro, abrindo a porta para mim sair. Sim, um cavalheiro. Um cavalheiro que não parava de olhar para o meu decote.

                Adentramos no bosque e, por mais fechado que ali parecesse, era bem iluminado. Podíamos ouvir o canto dos pássaros e o farfalhar das folhas. Nunca haverá jeito melhor de acalmar uma pessoa do que pondo-a em contato com a natureza. O lago era bem visível e quando dei por mim, estávamos parados bem em frente a ele. Sorri, retirando meus calçados e colocando um pé na água.

                "Está um pouco gelada..."

                "Sério? Bom, então teremos que nos acostumar com a temperatura..." Ele me agarrou e se jogou no lago, levando-me junto a ele. O frio da água rapidamente me congelou. Estava bem frio, mas, como disse Diego... Era preciso se acostumar. Subimos em direção à superfície, rindo.

                "Nossa, estou congelando!! Nunca mais ouse fazer algo assim comigo, seu louco!! Minha saúde nunca foi muito forte..."

                "Congelando? Então acho que preciso te esquentar..." Ele disse e, sem mais hesitações e com um sorriso satisfeito no rosto, uniu seus lábios aos meus.

              

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