The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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11. Capítulo 10

 

       "Vamos, anda logo!! Já são quase onze horas, quero estar de volta antes do amanhecer!!"

       Charlotte realmente demorava muito para se arrumar. Foi difícil convencê-la a ir até a floresta comigo, e se ela continuasse demorando para se arrumar... Talvez mudasse de ideia. O que eu pretendia fazer na floresta que aquela menina morreu? Ver se a lenda era verdade, oras. Algumas lendas podem ser mentiras, por isso o nome de lendas, mas algumas tinham um fundo de verdade...

        "Espere aí, Charlie!! Você que me convidou, então você que espere!! E não quero nem um pouco ir para aquela floresta maldita!! Sabia que, desde que você saiu e aquela menina foi enforcada, a diretora reforçou o número de seguranças? Se eu fosse você, iria pensando em um jeito de sairmos daqui..."

          É, isso era totalmente previsível.

         "Char, o seu quarto é bem no alto..." Olhei pela janela. Nossa, ali era bem alto mesmo. Décimo primeiro andar. "O telhado não está muito longe, podemos ir pelo telhado e depois..."

         "E depois o quê? Saltar de telhado em telhado, ao estilo Assassin's Creed? Não, obrigado. Já ouviu falar dos túneis subterrâneos?"

         Na verdade, minha intenção nunca fora saltar de prédios em prédios, mas túneis subterrâneos... Como aquela menina podia saber tanto?

         "Túneis subterrâneos? Isso existe aqui, nesse local?"

         "Claro que sim." Ela deu de ombros como se aquilo fosse algo óbvio. "Essa escola é antiga, e tem várias coisas secretas dentro dela.. Não sei qual a verdadeira função desses túneis, mas acho que é algo em caso de incêndio ou algo assim... Enfim, não lembro. Podemos ir por eles. É bem mais seguro e segue até a polícia."

         "Até a polícia? Mas isso quer dizer que talvez haja policiais patrulhando o túnel e..."

         "Por incrível que pareça, não. A polícia atual talvez nem saiba que aquilo exista." Ela riu. "Já estou pronta." Ela colocou a mochila verde escura nas costas. "Estou levando duas lanternas. Estes túneis são tão antigos que é bem capaz de não ter nenhuma luz dentro deles."

          Assenti e saímos do quarto. Pelo que Char me contou, ela estava levando um pacote de salgadinhos, duas lanternas, uma garrafa d'água e instrumentos que a vó dela usava para se comunicar com os mortos. Sim, bem estranho, mas ela garantia que funcionava.

          Descemos as escadas em silêncio, evitando tocar nos corrimões e emitir algum som sem querer. Felizmente, ninguém patrulhava as escadarias, o que fazia muitas meninas irem dormir nos quartos umas das outras e andar à toa nas escadarias. Elas haviam aprendido a não fazer barulho. Usavam meias e luvas, roupas que não emitem nenhum tipo de som.

         Quando chegamos ao térreo, Char abriu a porta dos fundos e verificou se não passava ninguém por ali. Nenhuma pessoa estava patrulhando aquele local, e o único som que era possível ouvir eram o das cigarras cantando. A noite estava bem fria, pra variar, e me encolhi no casaco.

          "Charlie, anda logo!! Não temos a noite toda!!" Charlotte estava um pouco mais a frente, mexendo na grama. Fui até ela.

          "O que está fazendo? Vamos achar o túnel ou minhocas?" Sério, eu estava começando a ficar bem nervosa.

          De repente, ela puxou algo e um pequeno alçapão surgiu.

          "Você primeiro, Charlie. Só ligue a lanterna antes, lá parece estar bem escuro..."

          Ela tinha um tom de ironia na voz que não pude deixar de notar. Liguei a lanterna e pulei dentro do alçapão. Charlotte pulou logo depois de mim e fechou aquela porta. Pegou um mapa desenhado à mão da mochila e mostrou para mim.

          "Bom, nós estamos aqui." Ela apontou. "Nós seguimos reto até o túnel se dividir em três e viramos na passagem da direita. Seguimos reto por mais alguns metros e depois viramos à esquerda. Teremos que andar mais ou menos trezentos metros para chegar perto da floresta e saímos. Entendido?"

           Fiz que sim com a cabeça e começamos a andar. Apenas uma única lanterna estava acesa, preferimos economizar a outra caso esta desse sinal de pilhas fracas. Trazíamos também duas pilhas, mas Char não se lembrava quando comprou então foi melhor trazer outra lanterna.

           Teríamos que andar tanto chão até a floresta... Não, minto. Teríamos que andar tanto chão até perto da floresta, porque aí teríamos que andar mais um pouco. Tudo bem, não tem problema, um pouco de caminhada sempre é bom.

           O túnel era muito sujo e cheios de aranhas e ratos passando por nossos pés. Quanto mais eu ficava ali, mais a minha vontade de sentir o ar fresco da noite crescia. Quando estávamos quase chegando na metade dos trezentos metros finais, perguntei:

           "Hey, Char... Onde conseguiu este mapa?"

           "Ah, isso..." Ela sorriu, sem graça. "Bom, eu gosto muito de fuçar nos documentos da escola, sabe? E eles confiam muito em mim, afinal, sempre fui uma aluna muito exemplar e eu sou a.. Neta da diretora..."

          "Mentira? Deve ser legal ser neta da diretora..."

          "Na verdade, não. É que muitas pessoas fazem coisas erradas e acham que se eu ver vou contar para minha avó... E acabam se afastando de mim. Por isso eu fico enfurnada na biblioteca ou onde os arquivos da escola ficam. Pra mim, livros são muito mais divertidos do que pessoas."

          Sorri, abraçando-a de lado, embora o espaço do túnel nos deixasse meio apertadas.

          "Eu te entendo, sério... Muitas vezes, prefiro livros a pessoas. Os livros possuem muito mais conteúdo do que muitas pessoas com as quais fui obrigada a conviver..."

           Fomos conversando o resto do caminho sobre livros e pessoas que não suportávamos, até que vimos uma portinha de alçapão igual àquela que descemos e chegamos no túnel. Tive que ajudar Charlotte a subir e ela, quando chegou lá em cima, me ajudou a subir também. Fechamos a portinha mas deixamos um sinal marcando que ela estava ali.

          A floresta era bem visível e devia estar a uns cinquenta metros de nós. Era escura e robusta, um perfeito lugar para se visitar de dia, porém de noite... É, não era mole, não.

         "Bom, Char, onde pretende fazer o contato com Audrei?" Olhei para minha nova amiga.

         "Podemos ir até o local onde ela morreu, oras. Não existe local melhor para se fazer contato do que este."

         Assenti e me deixei ser guiada por ela. Não desligamos a lanterna por um só minuto durante todo o trajeto. Quanto mais adentrávamos na floresta, mais ela escurecia e mais densa ficava, e cada barulho que fazíamos gerava um eco nela.

         "Relaxa, Charlie, estamos já chegando no local, espera só pra..." Aí ela gritou. Se o barulho de nossos pequenos passos já fazia um eco enorme, imagine o de um grito alto emitido por uma garota assustado. É, cara. Não me pergunte como não fiquei surda. Eu ia mandar ela calar a boca quando eu vi aquilo.

         Uma perna presa a uma árvore. Não, não...

         O mais estranho é que Charlotte começou a rir. Gargalhar, na verdade.

         "Ai, Charlie, me desculpe pelo grito, mas é que eu me assustei mesmo... Esqueci de te avisar, as pessoas fazem esse tipo de brincadeira. Colocam pernas e braços falsos no local onde os dela foram encontrados, sabe? Vamos continuar, e se ver mais desses, não se assuste, é super normal.

        Normal? Aquilo? Não, aquilo era sangue de verdade... Pretendi avisar Char, mas pela expressão em seu rosto, ela me diria que aquilo era coisa da minha cabeça. E talvez fosse. Continuamos a andar e passamos por uma perna, dois braços e um tronco. Gritei em todos eles, com muito medo. Sério, aquelas pessoas não eram normais, quem fazia isso???

       "Prontinho, chegamos. A cabeça ela foi encontrada naquela árvore ali, então é provável que encontremos a cabeça de uma boneca sexual ali e..." Ela gritou.

       Eu me virei para olhar.

       Sim, realmente havia uma cabeça ali.

       A cabeça da antiga bibliotecária.

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