The Lanfred's Horror

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  • Publicado: 5 jan 2014
  • Últimas Atualizações: 5 abr 2014
  • Status: Movella acabada
Charlie, após uma tentativa de suicídio, é mandada para um internato. A escola é bem fechada, quase que trancafiada, como um reformatório. Mas algo não cheira bem. E não é culpa do repolho refogado na cantina.

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2. Capítulo 1

Capítulo 1

O aeroporto estava bem vazio. Havia apenas algumas pessoas comendo e eu, sentada no banco. O aeroporto de minha cidade não é movimentado, afinal, não possuímos mais de duzentos mil habitantes. Sim, uma tristeza. Uma tristeza que metade dessa população é composta por adolescentes bêbados e drogados.

A viagem da minha casa até aqui não durou mais do que vinte minutos. Meu pai ficou calado o caminho todo, o que agradeci de todo o coração. Não curto muito conversar, apenas ficar em meu canto e ouvir minhas músicas.

E lá estava eu, sentada no banco esperando ser chamada para o avião. Meu pai havia me deixado na porta, dizendo que dali a poucos meses eu estaria novamente em casa, para o natal. É, eles me mudaram de escola no meio do ano.

Para vocês verem o desespero deles...

Resolvi dar uma volta, ficar ali era chato demais. A maioria das pequenas lojas ali perto estava fechada, afinal, era domingo, e niguém trabalha nessa cidade no domingo. Exceto a lanchonete do aeroporto e a lojinha de roupas. Isso, eu já sabia o que fazer. Andei calmamente até a loja de roupas e fiquei um bom tempo lá. Escolhi algumas blusas e uma bolsa pequena, acho que naquela escola não seria muito útil, mas... É sempre bom ter uma pequena bolsa por perto.

Quando voltei, percebi que o avião que me levaria para o internato havia chegado, e corri para não perder o avião. Pedi um assento na janela, era bem mais confortável do que no corredor, não gosto de pessoas passando toda hora do meu lado.

Sentei na última poltrona, encostada na parede e olhei para o lado de fora. Estava bem quente, devia ser próximo do meio dia. Meu Deus, que fome!! Quando serviriam as comidas? Ah, melhor não pensar nisso. Quanto mais eu penso, com mais fome eu fico.

O destino no avião era, na verdade, ir para outra cidade a 243 km daqui. Nossos aviões não aguentavam mais de 300 km de distância, então teríamos que parar em uma cidade mais "desenvolvida" para poder prosseguir viagem.

Nesse momento, adivinha o que acontece? Entra um garoto lindo no avião. Eu sei, parece aqueles romances baratos, mas eu garanto, isso é tudo, menos um romance barato. Enfim, onde eu estava? Ah, sim.

Quando ele entrou, a porta do avião fechou, o que sinalizou que iríamos decolar dali a pouco. O garoto era alto, cabelos negros e olhos meio esverdeados, e se sentou em uma das primeiras poltronas. Isso, bem longe de mim.

Eu não deveria estar desejando ele longe de mim, é que apenas não estou "apresentável", entendem? O meu rabo de cavalo está bagunçado, a minha cara é de sono e minhas roupas se assemelham a de mendigas. Ah, não me culpem, vai. Eu não tinha como adivinhar que um deus iria aparecer na minha frente, em um avião pacato, numa cidade pacata. É... A vida gosta de me ferrar.

Logo surgiu a voz da comissária de bordo avisando para apertarmos o cinto, iríamos decolar. Não importa quantas vezes eu viaje de avião, sempre sentirei frio na barriga quando decolo.

Fechei os meus olhos, para ver se o frio na barriga diminuía. Que nada... Ficou foi mais forte. De repente parou, ufa, havíamos nos estabilizado no ar. Abri meus olhos, e fiquei vendo um filme chato enquanto as duas horas de viagem se passavam.

Chegamos por volta das três horas da tarde em Middletown. O sol estava mais forte do que nunca, e o calor estava insuportável. Obrigado, aquecimento global!!

Desci do avião, passando pelo menino bonito, que me deu um sorriso simpático, cujo ignorei e passei reto. Eu juro, não queria ignorar. Mas sabe quando você está com muito sono e preguiça? Então, eu não consegui sorrir. Mas eu queria. E como.

O aeroporto de Middletown era mais movimentado, afinal, a cidade chegava aos quase novencentos mil habitantes, mais do que o triplo da quantidade de pessoas de minha cidade. As lojas daqui funcionavam no domingo, oba.

Fui pegar minha mala, e depois corri para a lanchonete. Estava faminta. A comissária serviu apenas barrinhas de cereais e água. Sério, como alguém quer que eu sobreviva com barrinha de cereal e água? Como? Vou mandar a comissária viver de barrinha de cereal e água, vamos ver se ela consegue.

Pedi um sanduíche caprichado, nem ligando para a quantidade de calorias ali presentes. Que se dane, eu estou com fome, vou comer mesmo. Peguei a bandeja com o sanduíche e o suco, me sentando em uma mesa próxima.

As pessoas ali estavam com muita pressa. Corriam de um lado para o outro, mães atrás de filhos perdidos, pais atrás das mães perdidas e filhos correndo para uma pequena loja de brinquedos. Deu vontade de rir, mas fiquei quieta. Se eu risse, era capaz de cuspir toda a comida em minha boca.

Quando terminei de comer, olhei o relógio do celular. Droga, ainda faltavam quase duas horas para o meu vôo chegar.Peguei o folheto de minha nova escola e comecei a ler, para passar o tempo.

"Bem vindos, alunos e alunas da Lanfred's High School, onde formamos futuros profissionais!!

Aqui seus filhos contam com nosso ótimo corpo docente, onde são rigorosos e ensinam de verdade!!

A estrutura de nossa escola permite que nossos alunos, além das aulas fundamentais, tenham aulas de basquete, futebol, natação, pintura, francês, administração, entre muitas outras.

Os alunos podem ter a liberdade de se vestirem como quiserem, desde que seja com o uniforme da escola. (Haha, olha só, a diretora tentou ser engraçada. Uma pena que eu não ri)

Para alunos novos: favor chegar na escola com o uniforme entregue juntamente com este folheto. Não será permitida a entrada de alunos sem o uniforme.

Para alunos que estão voltando: favor vir com o uniforme. Serão revistados, e qualquer conteúdo considerado inapropriado será apreendido e o aluno, punido."

Uau. E meus pais ainda achavam que aquele escola era um lugar feliz? Sério? Pelas ameaças no folheto, parecia que eu ia para um reformatório.

Mas, se não era permitida a entrada de alunos sem uniforme... Eu teria que colocar o meu, certo? Procurei o uniforme na mala e fui me trocar.

O banheiro estava apinhado de mulheres falando no telefone, com as amigas, mães que haviam acompanhado as filhas... Entrei na única cabine livre e comecei a me trocar.

O unifome era algo simples e monocromático: jeans preto, blusa branca, casaco preto. E meu par de all star branco. Saí da cabine e resolvi dar uma olhada no espelho.

Nossa, eu estava um horror. Desfiz meu rabo de cavalo e joguei um pouco de água no cabelo, logo depois penteando. Estava cheio de nós, e apesar de ser liso, era volumoso, o que não era nem um pouco bonito.

Coloquei um pouco de sabão em minhas mãos e passei no rosto, lavando-o. Não sei como, acabei engolindo sabão e me engasgando. Algumas mulheres me ajudaram, outras ficaram só olhando.

Depois que me acalmei, lavei a cara, afinal, estava cheia de sabão seco. Que mico eu paguei... Me apoiei na pia e olhei para o espelho.

E nosso olhares se encontram.

Não, não podia ser, aquela criatura vira tudo?

Balancei a cabeça, tentando me convencer de que era só impressão minha.

Mas quando olhei de novo, lá estava ela, rindo com o celular na mão enquanto olhava fixamente para mim.

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