Pra te fazer lembrar

Mikaella e Ketlin são apenas duas jovens comuns que sonham encontrar um amor de verdade, mas até esse amor verdadeiro chegar, elas duas vão ter que enfrentar vários golpes da vida. Mas uma questão fica no ar: Será que uma grave perda de memória irá acabar com esse amor verdadeiro?

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44. Sermão

 

Depois de séculos, um capítulo enormeeee. Espero que gostem e boa Att ;)​

 

Ketlin POV On

Abro os olhos e ouço um toque encher meus ouvidos e me despertando. 

- Ahhh... Essa hora da manhã - digo sozinha cobrindo meus ouvidos com o travesseiro.

O toque parou e sorrio voltando a pegar no sono. Segundos passaram até o toque recomeçar. Sentei na cama e olhei em volta procurando o aparelho. Assim que o encontrei, peguei e vi que era Mikaella ligando.

- Oi Mika - atendi com a voz de sono ainda.

- O que você estivera fazendo para não me atender?

- Dormindo. Aqui ainda é 6hrs, lembra?

- Oh sim, me esqueci do fuso horário de 4 horas. Desculpa Ket.- Ela se desculpou e eu me deitei na cama com o celular no ouvido. Pelo menos eu podia ficar falando deitada. - Estou desde ontem tentando falar com você.

- Mas nós se falamos ontem...

- Depois do skype - Conheço tanto Mikaella que posso jurar que ela deve está revirando os olhos nesse momento.

- Ah...Uhm...É que eu subi e deixei o celular jogado aqui no quarto e não devo ter ouvido ele tocar - Na verdade, eu ouvi sim, só deixei no silencioso e ignorei. Só depois que ver que Mikaella desistira, voltei á coloca-lo no som para poder ouvi-lo despertando.

- Sei... Ketlin, você acha mesmo que depois de todo esse tempo você consegue mentir para mim? - Fico em silêncio olhando para o teto. Mikaella vendo meu silencio, continua - Enfim, só quero saber como você está?

"Tirando o fato do meu nariz está vermelho, meus olhos inchados e não ter mais lágrimas nem para me hidratar, acho que estou ótima." penso em dizer, mas opto pelo mais fácil.

- Estou bem.

- Depois do que você viu, você está bem? Conta outra.

- É serio... - Mikaella respira fundo e já sei que vem sermão.

- Você não disse uma palavra sobre o Niall ontem a noite, estava mais "alegre", me disse que estivera voltando a comer e quando estamos nos despedindo, Niall entra completamente bêbado, errando seu nome, estragando completamente seu humor e do nada você desliga o computador. Sem falar que a coisa que você mais odeia é gente bêbada e o fato do Niall estragar completamente o encontro de vocês depois de dias sem se encontrarem ou se falarem. Você tem certeza que está bem?

Fico completamente muda no outro lado da linha sem saber o que dizer. Mikaella estava certa e o que podia dizer? Nada. 

- Estou esperado você dizer algo Ketlin! - Mikaella cobra e me vejo suspirando decidida e falar logo tudo.

- Vamos por fase: Niall terminou comigo por um beijo que eu não quis propositalmente. - Enquanto falo, listo com meus dedos - Segundo, Meu pai morreu por um infarto e por uma pequena grande ajuda da bebida e vim para o Brasil correndo e não recebi nenhuma ligação dele - Mika tenta falar mas ignoro, continuando - Terceiro, eu já tinha aceitado o fim e até estava pensando em dar o braço á torcer e ligar para ele, passando por cima do meu grande orgulho que você sabe que eu tenho - Mika ri do outro lado da linha concordando - Quarto, Niall aparece completamente bêbado, falando tudo errado e como você disse: eu tenho repulsa de bêbados. Por último e não menos importante: Você reparou na marca roxa no pescoço dele? - Fica um silêncio no outro lado da linha e sei que Mika não viu o enorme hematoma que se destacava na pele branca de Niall. Solto um suspiro alto - Mikaella, eu pensava que ele estava sofrendo por mim também ou pelo menos sentisse uma pequena falta. Pensava que o que ele sentia era forte assim como eu, mas não, ele estava bebendo com os amigos e estava com alguém. Acho que já deu, não vale a pena sofrer. - Minha voz se torna mais baixa assim que digo as últimas palavras, mas ao menos tempo me sinto leve por falar como me sinto para a única pessoa que me conhece em todos os sentidos.

- Para alguém que odeia drama, você está saindo uma bela de dramática.

- Não to não - Dou de ombros mesmo sabendo que Mikaella está certa, não confirmo isso. Acho que o amor faz as pessoas ficarem dramáticas, ou também pode ser exclusividade minha...

- Está me ouvindo? - Mika pergunta do outro lado da linha me tirando do transe.

- Ahn...

Ouço um suspiro no outro lado da linha.

- Ketlin... Ele te procurou, no dia em que eu te liguei novamente, foi ele que pediu, e não eu e minha preocupação.

- Eu meio que sei, você não acha que ficou muito óbvio você me ligar logo depois de termos conversado muito tempo?

- Na verdade não... - percebo a hesitação em sua voz. 

- Eu só queria que ele tivesse tomado partido e não tentado se esconder por trás de você, o que tenho certeza que ele anda fazendo.

- Também não é tão assim Ketlin. - Mika diz mas sei que estou certa.

- Não quero ficar sofrendo por ele. Acho que já deu, não vou insistir em algo como isso - Me levanto, abrindo as cortinas do quarto e vendo que o dia seria daqueles de muito calor.

- Sempre soube que seu orgulho ainda te fazeria perder um grande amor - Parei onde estava e absorvi a dor das palavras de Mikaella.

- Não fala isso...

- Só quero que você saiba que o Niall ainda te ama, vejo isso nos olhos dele. Só não esconda esse sentimento dentro de você, não deixa partir a única coisa boa que você já teve. Ele pode ter sim errado, mas você também errou, vocês dois estão no mesmo barco. Só pense, te peço somente isso: faça o que seu coração mandar e não o que seu grande juízo orgulhoso diz ser certo. - Sorrio com essa última frase e percebo que Mikaella desligou.

Me sento perto da janela, no pequeno banquinho do meu quarto, e observo o nascer do sol, milhares de dúvidas, inseguranças e perguntas invadem minha mente e penso mais um pouco sobre as últimas palavras de minha amiga. 

Horas depois, estou entediada sem saber o que fazer. Procuro algum filme bom para assistir mas não encontro nenhum, ou talvez não seja algo que esteja procurando para ver agora. Procuro algum livro para ler e me lembro que meus melhores livros ficaram em Londres, junto com as coisas de Mikaella. Perfeito!

Sem saber o que fazer, resolvo subir para falar com minha mãe. Já são 13hrs e ainda nem falei com ela.

Bato na porta e ouço ela dizendo que pode entrar. Dentro do quarto, onde normalmente as janelas ficavam abertas e luz é que não faltava, tudo está escuro, sem vidas, até a plantinha que costumava ficar na cabeceira da cama dela está morrendo. Me sinto em um cenário daqueles filmes trites, infelizmente isso é real, e pior do que imaginava. 

Lanço um sorriso tímido para minha mãe, que olha para mim com curiosidade com seus olhos sem brilhos. Sem saber o que fazer, falo a primeira coisa que me vem na mente.

- Acho que ela está morrendo - Aponto para a pequena planta. 

Como é estranho isso. Minha mãe, a pessoa que me criou, que me acompanhou esses anos todos, minha melhor amiga, de repente, por conta de uma doença, fez com que se tornasse uma estranha. Sem vida, sem alegria, somente solitária e depressiva. Depressão, odeio essa palavra, essa doença... Sinto uma pequena lágrima solitária descendo pelo meu rosto.

- Acho melhor você dá um pouquinho de água para ela... - mamãe começa á dizer quando vê que estou chorando. É assim, nunca fomos muito sentimentais, de demonstrar afeto, mas suas palavras sempre me ajudaram e isso basta.

Pego o pequeno jarro e vou em direção ao banheiro colocar água no pequeno ser. Pelo menos ele tem que ter vida aqui. Quando volto, vejo que minha mãe está sentada na cama e esperando eu voltar.

Um pouco sem jeito, vou até a janela olhando para o lado de fora.

- Essa janela costumava sempre ficar aberta. Sinto falta disso...

- Verdade, me lembro que você sempre reclamava por eu nunca fecha-la, somente para ter uma iluminação natural no meu quarto. Pode abri-la.

Sorrio e abro as costinas e a janela, revelando o sol quente de começo de tarde.

- Senta aqui minha filha, preciso conversar um pouco com você. - ela bate na cama, ao lado dela e me sento ao seu lado, esperando as palavras virem - Eu sei que não está sendo fácil, ainda mais para uma pessoa tão nova como você - ela passa a mão na minha bochecha e nego com a cabeça. Estava sendo sim mas não vou confirmar isso para ela, ela não tem que se preocupar com nada. - Você sabe, não precisa mentir para mim.

- Eu não quero que a senhora se preocupe com mais nada, não precisa ter preocupação comigo, eu estou bem, eu juro. - "Fisicamente sim, mentalmente não" penso.

- Sei disso, você sempre foi muito forte. Só preciso que seja também nesse momento. Eu sei que você está me odiando ver assim, nessa cama dia e noite sem vontade fazer nada, mas é exatamente assim que me sinto, sem vontade fazer nada e o pior de tudo, é que isso é uma doença, não posso mudar isso de uma hora pra outra. - suspiro e concordo com a cabeça olhando para minhas mãos - Também sei que sua tia não está ajudando, eu ouço todo dia ela reclamando de algo ou falando mal de mim, não preciso ser adivinha para saber disso, não é mesmo? - Ela passa a mão pelos meus cabelos e sorrio confirmando.

- Não aguento mais ela aqui, todo dia é uma reclamação nova - confesso baixo olhando para mamãe.

- E é por isso que quero falar com você. Preciso de você mais do que tudo, preciso que você me tire dessa depressão. Não quero ver você sendo humilhada em sua própria casa. Tem dias que acordo assim, desejando ter alegria para andar por isso e sabendo que sou feliz, mas em outros só quero me fechar no mundo, e quero sua ajuda em todos esse dias. Quero que me leve lá para fora quando eu quiser, ou me obrigue para passear quando eu tiver nos dias ruins, somente me ajuda, por que eu também vou te ajudar filha, eu sei que você pode e eu também.

Fico sem palavras. Não esperava minha mãe falar tudo isso para mim. Não esperava que ela se sentisse culpada por tudo o que minha tia tem feito ou falado para mim, e estou mais feliz ainda por ver que ela está se esforçando, esforçando para sair dessa e pedindo ajuda.

Um sorriso se acende em meus lábios e a abraço com toda força.

- É claro que vou te ajudar. Você vai sair dessa, vou fazer o possível e impossível para isso.

Será que enfim as coisas voltariam á dar certo?

 

Niall POV On

- Aiii minha cabeça - resmungo quando batistas insistentes invadem meus ouvidos, fazendo com que sinta minha cabeça explodindo milhares de vezes. Olho para o lado e vejo as camas de Liam e Zayn vazias. Na verdade a do Liam está intacta, com certeza dormiu fora. Olho no relógio e vejo que já são 2:00 da tarde. Para onde foi o tempo?

Batidas novamente na porta tremem minha cabeça, e ao invés de gritar, o que fazeria minha cabeça doer muito mais, resolvo abrir eu mesmo. Quando ponho meus pés no chão e me levanto, o enjoo tão conhecido junto com a ressaca dá as caras e me sinto pior do que já estava.

Quando abro a porta, Harry está parado na frente do meu quarto, com uma cara cansada mas melhor do que a minha, o que deve ser por não ter bebido tanto igual eu, me olhando com reprovação.

- O que fiz agora? - Volto me arrastando para minha cama e Harry entra fechando a porta e se sentando na cama de Liam, de frente para mim.

- Sério que você não faz ideia? 

- Eu devia lembrar de algo? Porque sério, não estou a fim de sermão essa hora da manhã e ainda mais com essa baita ressaca no meu corpo.

Fecho os olhos e tento me imaginar sozinho nesse quarto, dormindo novamente.

- Você realmente não se lembra de nada... - Ouço um suspiro alto vindo de Harry e quando ele faz isso não é coisa boa. Viro meu rosto e olho para ele. Oh-oh...

- Acho bom você me dar um relatório agora. - Me sento na cama e pego um comprimido para dor de cabeça na gaveta do criado mudo. Tomo com um gole de água e espero Harry começar a falar.

- Como você sabe nós bebemos ontem, e especialmente você, muitooo - "Sério, Harold? Pensava que essa ressaca fosse por outra coisa..." Penso comigo mesmo - E depois de algumas doses percebi que você não estava mais pensando em nada, só em agir mesmo.

Começo á roer minhas unhas, e sei que aprontei algo.

- Zayn, se você se lembrar, estava com algumas mulheres desde que chegara no festival, Louis estava bebendo muito assim como você, mas como você deve imaginar, ele é mais difícil de cair de bêbado. Quando vi que você estava exagerando, resolvi ficar só no refrigerante.

"Você começou á tirar onda com minha cara por que não estava bebendo com vocês e para tentar me convencer, resolve fazer um jogo com bebidas, um jogo bem idiota no caso - Harry revirou os olhos e dei de ombros, mas logo continuou - Você chamou Zayn com a garotas que ele estava e mais alguns caras que nunca nem vi na vida, e acredito que você também não. Vocês começaram a jogar verdade ou desafio e quem não respondesse ou fizesse o desafio, tomaria uma dose de bebida. E foi onde aconteceu, depois de um tempo ninguém jogava mais, só bebia e claro, tinha várias garotas, garotas das quais você pegou."

Olhei de boca aberta para Harry. Ele não pode estar falando a verdade, não me lembro de nada nisso.

- E nem venha falar que eu estou inventando isso por que quem bebeu muito ontem aqui não foi eu. - Harry parecia querer esconder o riso, mas suas covinhas denunciavam. Ele estava realmente falando sério.

- E não acaba por aí - Harry fala e meus olhos se viram para ele. 

- Tem mais?

- Ah Niall, você nem imagina. Você devia parar de beber, você só faz burrada - Harry joga um travesseiro em mim e mando ele calar a boca e continuar.

- Você chegou aqui totalmente bêbado e falando coisas sem nexo. Aliás, qual a pessoa que você conhece que mais odeia gente bêbada? - Estranho sua pergunta. Junto minhas sobrancelhas e tento lembrar de alguém que tenha repulsa por pessoas que beba... Meus olhos se arregalam quando lembro de um única pessoa que já confessou que odeia isso mais do que insetos.

- Ketlin... Aonde você está querendo chegar Harry??

- Quando chegamos, Mikaella estava falando com a Ketlin por Skype - Cubro meu rosto com as mãos, já prevendo o que vem á seguir - Você como sempre, começou a falar com ela, quer dizer, tentou falar, até o nome dela você falou errado Niall! Ela ficou chateada e saiu do ar, e não querendo te deixar mais mal, mas tenho quase certeza que foi também porque ela viu essa mancha em seu pescoço.

Levanto a cabeça e olho para o Harry, ele está apontando para seu próprio pescoço. Corro até o espelho e vejo um enorme hematoma no lado esquerdo da minha pele clara. Ótimo!

- Eu sei que você e a Ketlin terminaram mas você exagerou ontem, beijou três garotas Niall - Harry fala em pé ao lado da porta do banheiro que fica no quarto.

- Você pode dizer algo para não me deixar tão péssimo quanto eu já estou me sentindo?

Ele levanta os braços em sinal de inocência e em seguida dá de ombros. Lanço uma careta para ele.

- Você devia falar com ela.

Balanço a cabeça.

- Pra quê? Ela não vai me atender. Conheço bem ela para saber que está querendo me estrangular.

- Ou ela simplesmente deve está esperando você tomar alguma iniciativa e ir falar com ela Niall, nunca se sabe.

Respiro fundo sem saber o que fazer sobre isso. Agora eu também havia errado e Ketlin e eu estamos no mesmo barco. Ambos precisando pedir desculpas mas o orgulho está sempre no meio.

- Acho que vou tomar um banho para tirar esse cheiro de bebida e clarear a mente.

Harry concordou com a cabeça e saiu do meu quarto. Antes da porta se fechar completamente, ouço ele sussurrar:

- Boa sorte Nialler.

É Harry, vou precisar - Penso mentalmente.

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