Perigo Ocupacional

Esta movella foi originalmente escrita em inglês por tallulahflanjee, que deu permissão para que fosse traduzida para português por Andressa Marchi. | Um monte de adolescentes têm empregos de meio período, certo? Bem, Casey também. Mas o dela é diferente, excitante... perigoso. Viver em perigo constante fez dela uma pessoa forte, e andar com identidades diferentes fez dela alguém isolada das pessoas de sua idade. Mas quando ela se muda para Londres alguma coisa muda. Ela faz amigos e conhece Nathan. Pela primeira vez, ela terá que tomar uma decisão. Poderá ela permitir uma vez seu coração comandar sua cabeça?

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1. O porta-malas

Eu estou no porta malas de um carro. Um Ford Fiesta Freestyle verde e pequeno, com a placa de número NY15 ORB, para ser exato, mas agora os detalhes são irrelevantes. Não pergunte porque eu estou no porta malas desse carro apertado, é uma longa história. Pensando bem, o resto desse conto não fará muito sentido se eu não explicar porque eu estou algemada dentro do porta malas desse veículo estupidamente pequeno.

Tudo começou quando eu tinha por volta de treze anos. Pode-se dizer que eu estava tendo uma crise de pré-adolescência naquela época de minha vida. Minha família adotiva tinha acabado de decidir que não conseguiam lidar comigo, então eu estava de volta ao ciclo do serviço social com ninguém para recorrer, e além disso, estava entediada. Eu tinha um pequeno negócio na minha antiga escola. Eu roubava doces e lanches de várias lojas e vendia todos eles para as crianças por menos do que as máquinas. Eu havia ganhado uma certa quantidade de dinheiro quando um garoto magrelo me entregou. Eu deixei ele com o nariz e três costelas quebradas, e então ele me denunciou mais uma vez. Esse é o motivo pelo qual eu tive que ficar na delegacia com meu assistente social desconcertado, na frente de um policial confuso, explicando que eu estava fazendo um favor aos donos das lojas. ”Você seria um álibi muito melhor que um inimigo”, foi o único comentário do policial para o meu assistente social. Ele o disse para ”sair e tomar um pouco de ar”, para que pudesse ter uma conversa comigo.

”Você é uma garota brilhante, sabe, se você voltasse sua mente para a escola...” Eu o cortei; Já havia escutado tudo aquilo antes.

”É, é. Eu escutei isso um milhão de vezes. Você pode apenas me dizer o que vai acontecer comigo agora?” Ele sorriu.

”Eu estou disposto a deixar isso pra lá sem envolver tribunal”. Eu fiz uma careta, esperando que ele risse e me dissesse que estava brincando. Depois de alguns minutos de um silêncio constrangedor, eu percebi que ele estava falando sério.

”Uh, obrigada”, eu murmurei.

 ”Mas você ainda precisa devolver o dinheiro dos lojistas e se desculpar com o garoto que você espancou. Você dá uns socos impressionantes.”

”Uh, obrigada?” Eu murmurei de novo, dessa vez um pouco incerta do que fazer sobre o comentário.

”Eu quero fazer bom uso de seus talentos”, agora eu estava um pouco assustada, ele pareceu perceber. "Nada  estranho”, ele tentou encontrar as palavras certas ”Como um atleta, você tem potencial em artes marciais de um jeito que é bastante singular.”

”Quê?”

”Não diga nada agora. Pegue este cartão e apareça na base de treinamento RAF às 7:30 na quarta-feira”, e com aquilo ele saiu do escritório, deixando-me pensando sobre a conversa.

Eu apareci na base aérea naquele dia e experimentei um novo sentimento, os nervos, mas tudo ocorreu bem. O policial acabou por ser o líder dos Cadetes do Norte de Yorkshire. Meu progresso foi rápido, já que o treinamento era baseado no treinamento do exército e eu era atlética e sabia muito sobre sobrevivência e combate. Eu já havia estado em lutas suficientes, e saber sobre sobrevivência era básico quando se foge tantas vezes quanto eu já fugi. A única coisa com a qual tive dificuldade foi disciplina. Eu odiava que me mandassem fazer as coisas. O nome do policial era Grant e dentro de poucos meses eu já tinha pago os lojistas e o garoto magrelo estava com o seu nariz curado. Eu também comecei no clube de karatê local onde Grant dava aulas e eu consegui lutar até conseguir a faixa marrom.

Eu estava lutando para conseguir minha faixa preta, então meus músculos estavam doendo e eu nem mesmo havia deixado o dojo ainda quando Grant me chamou assim que todos começaram a ir embora. ”Antes do incidente do roubo teve algum outro, bem, incidentes?” Mais uma vez, Grant havia começado uma conversa aleatória, surpreendente e bastante desconfortável. Mas eu confiava nele; ele não havia prestado queixas sobre mim anteriormente.

”Bem, eu fugi uma vez e não tinha lugar algum para ir. Mendigando não consegui muito dinheiro, então eu cometi alguns furtos. Eu estava com muita fome” Eu adicionei para tentar alcançar seu lado solidário. Grant não tinha um lado solidário, mas ele não estava zangado, ele só tinha o mesmo olhar confuso que tinha na delegacia de polícia.

”Eu fui promovido”, ele disse, de novo completamente do nada.

”Parabéns?” Eu estava um pouco incerta de onde ele queria chegar com isso. Ele riu.

”Eu tinha uma ideia que deixou os chefões contentes, mas agora eu preciso colocar isso em ação. Eu posso contar com sua ajuda?”

”Em quê?” Eu queria ajuda Grant, assim como ele me ajudara, mas eu nunca me voluntariaria se eu não soubesse para o que era. Então ele explicou.  Eles estavam fazendo um grande ataque à paisana em traficantes e eles precisavam de alguém para entrar lá desfarçado e descobrir que, a) eles estavam vendendo drogas e b) com que frequência e para quem, e etc. E era aí que eu entrava. Eu compraria as drogas, ganharia sua confiança e descobriria detalhes para usa-los no julgamento.

Desci atrás das casas geminadas de Middlesbrough, com adrenalina correndo dentro de mim. Eu encontrei um homem alto e careta em um capuz sujo. Eu entreguei o dinheiro, e deslizei a droga para meu bolso. Assim que ele se virou para atender outro cliente,  eu coloquei um aparelho de escuta e de rastreio dentro de seu bolso e então me afastei. Ao passar das próximas semanas, eu conversei com o cara, flertei e ganhei sua confiança. Ele me contou sobre alguns outros clientes, mas eu conseguia pegar apenas alguns poucos e vagos detalhes sobre a sua fonte. A parte mais difícil foi conseguir não rir quando ele havia acabado de cair na armadilha. Na quarta semana, depois de ir todos os dias, Grant decidiu que nós já tínhamos pego evidências e informações o suficiente. Então a abordagem aconteceu e dei meu depoimento no tribunal, e o cara foi condenado. Mas como eu estava na parte de testemunhas, eu vi o seu olhar voltado para mim, com a sede de vingança brilhando em seus olhos. E, assim que saí da Corte, vários outros caras com capuzes estavam a espreita olhando para mim. Então eu soube que não podia continuar lá.

Grant e eu demos a volta no país desde então, fazendo nosso trabalho. Como eu fazia parte do PPJ (Programa de Proteção ao Jovem), eu era apenas a ísca e Grant fazia a papelada e as prisões. Nós éramos um bom time. Pegamos traficanetes, fraudes e trapaceadores, mas agora trabalho principalmente como ísca para pegar abusadores de crianças. Não era sempre um trabalho legal e geralmente era assustador, mas eu sabia que estava salvando crianças inocentes e levando outras à justiça. Teve um caso particular no qual eu trabalhei por alguns meses no Facebook, falando com um cara que dizia ter dezessete anos, se interessava por esportes e alegava ter tanquinho. O progresso foi até que rápido e eu tive que trabalhar em outros casos enquanto ”preparava” esse, já que poderia levar anos até que ele pedisse para se encontrar comigo. Quando finalmente aconteceu, esse cara foi um pouco descuidado. Ele queria me encontrar em um estacionamento de carros. Mas eu fingi ser idiota, o que era minha especialidade, e fui no dia combinado encontrar um Ford Fiesta verde estacionado sozinho. Eu fingi olhar em volta e checar minhas mensagens no celular antes de começar a xingar meu telefone por sua bateria estar acabando, para que o cara pensasse que ninguém poderia me encontrar. Eu podia vê-lo me olhando pelo espelho retrovisor e suando em cascatas. Quando eu estava começando a ficar entediada, ele abriu a porta do carro.

”Procurando por alguém?” ele me perguntou com um sorriso no rosto.

”É, eu acho que levei um bolo. Eu deveria encontrar uma pessoa aqui.” Eu respondi, então ele soube que eu era a garota.

”Ah, posso ajudar de algum jeito?” Isso era dolorosamente demorado, eu estava impaciente para fechar o caso e não havia gostado da área – não era exatamente exitante.

”Na verdade, sim. Posso pegar seu celular emprestado? O meu não está funcionando.” Eu disse e seus olhos brilharam em um sorriso. Eu estremeci, não pude evitar.

”Sim, claro”, ele disse, se atrapalhando dentro de seu carro. Eu fingi olhar para o lado quando o vi tirando algemas para fora do carro. Sério? Algemas? Esse cara era muito amador. Ele pegou meus pulsos e me prendeu. Ele estava prestes a me pegar e me jogar em seu porta malas, mas eu não estava com muita vontade de ser jogado, então eu meio que pulei quando ele me jogou. Eu deixei escapar um pequeno grito, não tão alto para que ninguém pudesse me escutar. Normalmente, eu ligaria por reforços naquela situação, mas eu precisaria da localização do cara. Então foi assim que eu acabei no porta malas desse Ford Fiesta verde pequeno . Por isso estou curvada como uma bola com as pernas dormentes. Eu queria muito que ele tivesse um carro maior. Eu deveria ter pedido por uma carona, então eu poderia sentar no banco de trás enquanto ele me levava para sua casa. Eu deveria ter pensado naquilo antes. O carro fez uma curva e meu rosto foi esmagado contra o lado do carro. O cara estacionou e as luzes machucaram meus olhos quando o porta malas foi aberto.

Não havia outros carros no estacionamento, então eu sabia que esse cara não tinha comparças. Ele me puxou pelas algemas, e por algum motivo, talvez por estar cansada de ser de ser arremessada dentro de um porta malas pela última meia hora, eu apenas pulei. Era hora de ligar para Grant e terminar com tudo. Eu alcancei meu bolso e pressionei o botão do meu localizador para que ele pudesse me encontrar; ele provavelmente estava na esquina, já. Mas o cara tinha um olhar assustador em seu rosto. Eu decidi que já era o suficiente. Quero dizer, sério? Algemas? Grande erro. Ele se virou para destrancar a porta. Eu coloquei as algemas por sobre seu pescoço e o chutei por trás de seus joelhos. Ele cambaleou para trás e eu coloquei meu pé a frente, para que ele não batesse com a cabeça no chão, porque eu não queria ser culpada por um traumatismo craniano. Mas eu o queria inconsciente. Eu levei meus dois punhos algemados até seu nariz e o ouvi quebrar. O cara desmaiou com a visão de seu próprio sangue. Que covarde. Consegui um jeito de tirar as algemas de meus pulsos e me sentei em um tronco de árvore. Grant apareceu seguido de mais duas viaturas e ele pareceu aliviado quando me viu empoleirada na árvore. Fiz um gesto apontando para o homem de um metro e oitenta deitado inconsciente no chão e ele revirou os olhos.

”A chave da casa está em algum lugar do chão. Eu não quero entrar lá.” Falei para Grant.

”Você vai perder toda a diversão de por uma porta abaixo”, ele respondeu. Eu não queria estar junto enquanto eles vasculhavam a casa. Grant viu isso pelo olhar em meu rosto. ”Ei, eu estarei de volta em vinte minutos. Tenho que levar a pequena em casa”, ele falou a um dos muitos policiais que eu não sabia reconhecer.

Teve pouca conversa no caminho para casa; Eu estava sempre quieta depois daquele tipo de trabalho. Nós chegamos ao pequeno flat que tínhamos alugado. Eu abri a porta do carro. ”Parabéns por hoje”, Grant disse. ”Você pode faltar a escola amanhã se quiser. Meu presente”, ele piscou. Ele sabia que eu odiava escola. Eu sorri contente, entrei em casa e me joguei no sofá. Quando eu olhei pela janela, Grant já havia partido.

As próximas poucas semanas eram o fim do período de verão e amarramos as pontas soltas para mim, já que eu estaria partindo no fim do mês. Novo caso, nova localização, nova escola, novas pessoas e, claro, nova aparência.

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