Cyber Louis

Rae é uma menina tímida que é constantemente caçoada na escola e torturada pela família. Ela tem um amigo a quem confia as suas histórias sempre que se sente triste ou só. Eles se conheceram através de um site de internet anónimo. Mas o que acontece quando ela descobre que essa pessoa é o Louis Tomlinson? E pior ainda, o que acontece quando ela descobre que ele é uma das pessoas que a tem enxovalhado na escola? (+15)

Esta movella foi originalmente escrita em inglês por anonymousxo, que deu permissão para que fosse traduzida para português por Marta Sena.

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1. Capítulo 1

Oi, faz um tempo que a gente não se escreve, está tudo bem com você? – Mysteryboy.

Oi, desculpe não ter dito nada mas muita coisa se tem passado aqui em casa – Girlanon

É a sua mãe outra vez? – Mysteryboy.

Sim, é isso, mas eu tenho que ir agora antes que ela me veja aqui no computador. Eu escrevo em breve, promessa L - Girlanon

 

Eu suspirei enquanto saia da minha conta, e reli a nossa conversa. Acho que ele não se apercebeu do quanto eu gostaria de falar com ele e o quanto eu precisava dele. Nunca teria adivinhado que fosse possível encontrar alguém como ele no site ’Anonymous.com’. Eu fiquei imaginando como a minha vida seria se eu nunca tivesse descoberto este site. Nunca o teria conhecido, este rapaz que por alguma razão eu chamava de Jim. O site tem uma política para que não dêmos os nossos nomes verdadeiros, ou informações pessoais para proteger a nossa privacidade. A gente decidiu chamar-se Jim e Bob, talvez não sejam os nomes mais originais. Eu queria muito conhecê-lo pessoalmente pois pelo menos assim eu teria um amigo.

 

Eu tive um arrepio ao pensar nos meus supostos amigos na escola, na verdade nem sei porque os chamo de amigos. Eles me enxovalhavam todos os dias, por ser feia, barulhenta, por estar relacionada com um drogado, ou por ter uma mãe que era louca. Você nem imagina as razões por que já me enxovalharam, e provavelmente você está pensando que os fins-de-semana em eram a recompensa por ter sobrevivido aqueles dias terríveis na escola. Mas em casa era pior ainda. Na escola pelo menos eu conseguia me esconder deles, mas em casa não havia como escapar à família.

 

Eu passei os dedos levemente sobre o computador portátil, como eu queria iniciar sessão novamente e poder falar com ele um pouquinho mais. Mas a minha mãe não tardava, eram quase 6 horas, hora do jantar. Em minha casa todos os dias se passam da mesma forma: o meu pai estava chapado quase todo o dia, completamente ausente de tudo e todos, enquanto a minha mãe está no trabalho. Quando a minha mãe chega a casa é tempo para jantar e ir dormir, não se pode conversar. A minha mãe quer silêncio, qualquer barulho é razão para castigo. E eu estava alertada, passei a mão pela pisadura que tinha na barriga. Deitei-me na cama, fechei os olhos e comecei a contar os minutos que faltavam até poder ir dormir.

 

Acordei de um salto ao ouvir bater a porta, e fiquei imediatamente nervosa quando me apercebi que era a minha mãe chegando a casa de mau humor, como de costume. Desci as escadas cuidadosamente e fui para o sofá sentar-me ao lado do meu pai. Ele estava mudando os canais, parando de vez em quando mas nunca por mais de 5 segundos. Olhei para o meu irmão Reiss que estava lendo no canto da sala. Quem me dera que ele falasse comigo, mas isso nunca acontecia, nunca. E no entanto ele era a única pessoa que eu amava no mundo e eu faria tudo para o proteger.

 

A minha mãe pôs o jantar sobre a mesa enquanto fumava. Eu me sentei no mesmo lugar de sempre e esperei que todos tivessem sentados para começar a comer. A minha mãe e o meu pai se beijaram e sorriram, e eu me encolhi ao vê-los serem atenciosos um com o outro. Reiss espetou o garfo no peito de galinha, ele não costuma usar a faca. Mas também não se pode esperar mais, ele só tem 10 anos de idade... eu acho que fui sortuda por ter chegado a ver os meus pais quando tudo ainda estava bem. Na verdade eles eram pais maravilhosos há 11 anos atrás. A gente até se chamava de “Os Três Mosqueteiros”, era a gente contra o mundo. Mas à medida que cresci, as coisas foram mudando, se calhar até porque eu comecei a crescer e a aperceber-me de que eles não eram tão felizes quanto queriam dar a entender. Quando eu fiz 6 anos comecei a questioná-los e isso fez com que eles se virassem contra mim. Eu tinha que dizer a mim mesma que tudo fiacria bem outra vez, mas no fundo eu sabia que não. E de que serve viver em falsa esperança? Se eu acreditasse que não havia esperança a minha mente me levaria a pensamentos onde provalvelmente eu não sobreviveria.

 

Depois do jantar eu fui tomar um duche antes de me ir deitar. Dormi com um top e calcinhas, odeio dormir com calças de pijama. Me enrosquei ao meu peluche preparada para dormir. Peguei no celular e enviei um e-mail ao Jim.

Oi – Girlanon.

Bob, pensei que você não podia falar? – Mysteryboy.

Estou na cama, como é que você está? – Girlanon.

Estou bem, estou-me sentindo um pouco só, tenho saudades suas L - Mysteryboy.

Também eu, um dia temos que nos encontrar. Estou ficando um pouco farta desta coisa de ser anónima – Girlanon.

Você nem me diga, estou ficando louco só de pensar em como é que você se parece, qual é o seu nome de verdade? – Mysteryboy.

Um dia... – Girlanon.

Respondi antes de desligar o meu celular. Depois coloquei-o debaixo da almofada e adormeci.

 

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