TRILOGIA DEUSES VINGADORES I - A RELÍQUIA DE MORFEU

Primeiros trechos da trilogia DEUSES VINGADORES. A RELÍQUIA DE MORFEU conta a história de Audri, menina que vive presa em seus pesadelos e só irá libertar-se quando cumprir uma missão imposta pelos deuses. Neste primeiro episódio, Morfeu impõe que ela resgate uma relíquia perdida há tempos...

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1. PRÓLOGO

“ ...e os deuses resolveram despertar em pleno século XXI. Morfeu descansava próximo à ilha de Gunkanshima quando um tsunami atingiu o Japão. A ilha japonesa, cujo nome em português significa “encouraçado”, não deixava dúvidas: tinha mesmo o formato de uma embarcação. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi alvo de um bombardeio americano. As ruas e as construções estavam completamente desertas. E havia sido assim desde 1974, quando a Mitsubishi, que em 1890 assumiu a propriedade da ilha, decidiu acompanhar as tendências do setor energético e pôs fim às explorações das jazidas de carvão mineral no local. Com isso, os cerca de dois mil habitantes que ocupavam o lugar resolveram abandoná-lo, dando origem a uma cidade-fantasma. O governo japonês queria transformar a ilha em um polo turístico, mas somente a fúria dos deuses poderia acabar com os planos do imperador e fazer com que aquela porção de terra no meio do mar desaparecesse de vez no mapa. Naquele dia, Poseidon levantou-se na forma de um redemoinho das profundezas daquelas águas oceânicas e logo avançou sobre Morfeu. Precisava cobrar o resgate da relíquia prometido pelo sobrinho para amenizar a dor de Anfitrite. A paciente e tolerante esposa sofria há tempos com a rebeldia dos mortais que insistiam em derramar os dejetos de seus cargueiros e subtrair recursos de seu habitat para apenas  atrair riquezas.

Poseidon almejava um derradeiro pedaço de tecido que restara dos lençóis mágicos de Morfeu. Seus descendentes conseguiam dormir e recuperar as forças apenas quando eram cobertos por aqueles mantos durante o sono. O desejo – mais que a necessidade - de Anfitrite era descansar sob um deles. Acreditava que o simples contato com o tecido a faria recuperar sua vitalidade.

Morfeu recebera a notícia de que um bando de trabalhadores ingleses em visita às ilhas da Grécia havia encontrado a relíquia e levado com eles. Mas não tinha o paradeiro exato do objeto. Disse a Poseidon que ia encontra-lo a qualquer custo e prometeu entregar esta parte do manto o mais rápido possível, antes que o tio entrasse novamente em fúria e desta vez inundasse os continentes como no tempo da Pangeia há mais ou menos quinhentos e quarenta milhões de anos. Naquela época sua fúria fez com que deslocasse o subsolo oceânico de basalto para vencer ao lado do soberano irmão Zeus a luta travada contra os Titãs e os Gigantes, o que resultou na morte de Polibotes ao ser atravessado pelo pedaço de falésia arrancado por Poseidon da ilha de Cós. Houve, na ocasião, a formação dos continentes como são conhecidos nos dias de hoje. Porém, toda vez que Poseidon fica irritado, promete entrar em fúria e inundar para sempre parte destes continentes com as lágrimas da magoada Anfitrite. Um plano perfeito para acabar com parte dos humanos e firmar a apatia que tem com aqueles que o aborrecem e também à esposa, paulatinamente, em sua falsa sensação de poder.

Assim que a ordem foi dada, perante Morfeu e Anfitrite, a forma de Poseidon fundiu-se às águas e ele desapareceu. Morfeu revelou então as enormes asas de borboleta que escondia nas costas e deu, após sentir-se atordoado, sete voltas em torno de Gaia antes de fixar-se novamente em outro lugar do globo. Como tinha herdado o raro poder da mutação, resolveu assumir a forma humana em proporções maiores que as de costume.”

Foi esta a primeira história que ouvi de meu pai quando ele foi convidado a dar uma palestra sobre Mitologia Grega para os alunos do curso de Artes na universidade. Como ele, passei a ficar bastante interessada pelo assunto desde então. Inúmeros foram os livros que li e as histórias que criei para entreter os colegas na escola. Papai também gostava de ouvi-las durante as confraternizações em família. Mas esta história não foi mais uma daquelas criadas pela minha fértil imaginação, como costumam dizer. Ela sucedeu e será compreendida mais cedo ou mais tarde por aqueles que a conheceram e vivenciaram comigo.

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