O Preço Que Se Paga

O que você faria se descobrisse que a sua vida não é como pensa? Que as pessoas que ama são mentirosas? Any percebe que a sua vida nunca foi real e tudo aquilo que ela acreditava simplesmente não existe. Quando ela acha que tudo está perdido, conhece Jack, um misterioso porém lindo menino que ajudará a encontrar as respostas, más será que ele esta lá por acaso ou para piorar a sua vida?

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11. Um grande susto

Any acordou e seu quarto estava escuro, somente um pouco de claridade vinha da janela fechada, a dor de cabeça a estava matando, os acontecimentos do dia anterior a acordaram toda a noite -escutou um barulho de algo se mexendo e avistou Nicholas sentado na cadeira de sua cabeceira.

-O que você está fazendo aqui? -perguntou Any meio grogue pelo sono.

-Não consegui dormi -balbuciou - E decidi vir aqui.

-Vem cá -chamou Any, Nicholas deitou no colo da irmã, ela percebeu que seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, isso partia seu coração, não gostava de vê-lo assim e não poder fazer nada -O que está acontecendo?

-Eu me lembrei de várias coisas ontem a noite, coisas ruins que eu escondi -o tom de Nicholas mostrava que era uma confissão, mas Any não se importava, aquele não era o irmão, o irmão era esse deitado em seu colo, que se arrependia e era bondoso. Ela colocou a mão em sua boca, não queria escutar o que quer que ele falasse.

-Nick eu não quero saber -afirmou Any -Não me importo com o que você esconde, eu confio em você -Nicholas se calou e fechou os olhos, aquele peso também o estava atingindo -Que horas são?

-Sete e dez -disse sem abrir os olhos -É bom você ir se arrumar.

Any levantou deixando Nicholas deitado e foi escolher uma roupa no armário, não que tivesse para quem se arrumar, mas seria bom sair se sentindo confiante, se decidiu por uma saia de cintura alta preta, uma blusa de babados rosa e um salto rosa, correu para o banheiro para se arrumar e tomou um susto quando percebeu que seu cabelo estava todo marcada por ter dormido com ele molhado e seu cansaço resultou em enormes olheiras. Se trocou, passou um corretivo para disfarçar as olheiras e tentou dar um jeito no cabelo com um gel e a escova.

Nicholas já estava de pé em frente a sua cama e trocado, seus olhos brilharam os deixando mais azuis, estavam cheiro de orgulho como um pai que soube que seu filho passou numa prova importante.

-Você está linda -falou seguindo com a irmã para tomar café da manhã.

Para sorte de Any, Carlos não estava sentado tomando café, já deveria ter saído para trabalhar, não saberia se aguentaria ver o pai sem pular em seu pescoço até ele admitir como teve coragem de fazer isso, se sentou e tomou um copo de suco de laranja.

-Cadê a mamãe? -perguntou Any, não era normal essa hora ela não estar em casa.

-Teve uma emergência na empresa de Papai -respondeu Nicholas -Ela teve de ir junto.

-Qual é a emergência? -Any ficou preocupada, era raro Sellie ter de ir junto. Será que tinha algo haver do homem que ela falara ontem?

-Não falaram -Nicholas levantou da mesa -Você já terminou?  

Any levantou, não estava com fome e também esperava que um dia de aula a distraísse, mesmo que isso significava ignorar certas pessoas, entrou no carro com o Nicholas e ligou o rádio no último volume, estava tentando evitar conversas e pela expressão do irmão ele percebeu isso e não falou nada até chegaram ao colégio.

-Any -falou Nicholas, percebeu que não estava recebendo a atenção da irmã e desligou o rádio -Any, fala comigo e para de agir estranha.

Any fez uma careta, não queria que o irmão fizesse perguntas sobre o surto que ela teve.

-Eu levo você pra casa -falou por fim e saiu do carro deixando Nicholas sozinho.

Any seguiu até sala de história avançada aonde seria a sua primeira aula ignorando todos no corredor, não queria conversar com ninguém, nem que fosse uma conversa inocente, entrou e a Sr.Tiller estava colocando a matéria na lousa e estavam quase todos na sala, se sentou tentando não olhar pra ninguém.

-Abram o livro na página 67 turma -falou a Sr.Tiller com sua cara carrancuda de sempre, Any mexeu na sua bolsa e percebeu que seu livro não estava lá, deveria estar no armário.

-Sr.Tiller -falou Any, a professora a observou esperando a continuar -Esqueci meu livro no meu armário, posso ir buscar.

Sr.Tiller a observou por um longo estante como se estivesse pensando a respeito, ela odiava falta de material e Any sabia disso e quase nunca o deixava busca-los, por outro lado Any sempre foi uma das melhores em sua turmo.

-Pode ir -falou finalmente- Mas não vou te dar um passe do corredor, se você for pega está por conta própria.

Any saiu o mais rápido que pode pro seu armário procurar o livro, percebeu uma sombra atras dela e quando se virou estava Cristopher com uma cara de raiva.

-O que etá fazendo aqui? -perguntou Any assustada com o comportamento estranho de Cristopher.

-O que aconteceu com você Any? -falou cada vez se aproximando mais, seus olhos a devoravam por completo -Você costumava ser tão inocente, tão boa pra mim, eu errei e sei disso, mas não faça pagar desse jeito, não se afaste de mim.

-Não é uma boa -respondeu indo cada vez mais para trás -Tenho que voltar para a aula.

-É uma boa hora sim -rugiu Cristopher e antes que ela pudesse perceber ele a tinha prendido seus pulsos na parede -Nós vamos discutir isso e vai ser agora, você vai voltar a ser minha namorada perfeitinha que sempre fazia o que eu queria.

Any estava mais assustada do que nunca, mas naquele momento o medo passou e a raiva a consumia, então era assim que ele sempre a via, como uma marionete que fazia tudo que ele queria e ela não o deixaria a tratar mais assim, nunca mais.

-Você quer saber? -começou cuspindo as palavras- Eu posso ter sido seu brinquedinho, mais não sou mais eu mudei Cristopher e você nunca mais vai me ter, não no jeito que você quer, a partir de agora eu dito as regras por aqui, posso ter continuado com você por um tempo depois do que você me causou, mais foi pra preservar a relação de nossas mães, nunca foi por você, depois de ter me traído só ressaltou que você não era o certo pra mim e eu nunca gostei de você de verdade demorei para perceber isso, mas agora tenho plena certeza. Cristopher você não serve pra mim, sou boa demais pra você e você sabe disso.

Any percebeu que ao falar tudo que sentia poderia ter sido demais, o olhar de Cristopher estava cheio de raiva e ela sabia que quando ele estava assim tinha de descontar em algo e esse algo seria ela, a mão dele vinha em direção a ela, parou de respirar nesse momento nunca se imaginou apanhando, mais para a sua surpresa algo a segurou - atrás de Cristopher estava Jack.

-Acho melhor você solta-la -falou Jack, seu olhar estava fixo em Cristopher, mais dourados do que o normal, parecia um leão observando sua caça.

-É ou o que você vai fazer? -o olhar de Cristopher estava confuso, mais logo se passou alguma coisa se passou por ele -Já entendi, a puritana está abrindo as pernas pra você?

Os reflexos foram tão rápido que Any só viu Cristopher caindo no chão, antes que Jack fosse pra cima dele mais uma vez se jogou na frente dele e o abraçou, sabia que não tinha força, mais esperava que a atitude repentina o fizesse parar, para a surpresa de Any deu, ele congelou ao toque dela e a ficou observando de cima a baixo vendo se ela estava machucada.

-Está machucada? -falou passando a mão em seu cabelo e a enlaçando em seus braços, Jack era uma cabeça mais alta que ela, se encaixavam perfeitamente e Any não pode deixar de notar.

-Não -respondeu levantando a cabeça para olha-lo nos olhos -Obrigada por estar aqui.

-Me desculpe eu não ter vindo antes -disse dando um beijo na testa de Any, parecia querer falar mais alguma mas foi interrompido por uma voz vindo no fim do corredor.

-Ei vocês ai -falou sr.Heyle, o monitor do corredor -O que está acontecendo aqui?

Cristopher levantou seu lábio estava sangrando e seu olho esquerdo inchado, sr.Heyle olhou com cara de espanto e desgosto.

-Vocês garotos nunca aprendem -disse sr.Heyle -Sigam-me e você também mocinha, minha intuição diz que você é a causa disso.

Jack a segurou por alguns instantes, estava determinado a Any não tomar a culpa por isso, porém ela olhou pra ele querendo dizer que estava tudo bem e eles seguiram sr.Heyle de mãos dadas até a sala do diretor.

-Sr.Brokes esses garotos estavam dando problema no corredor na hora da aula -falou sr.Heyle logo de uma vez

-Pode ir sr.Heyle eu me viro com eles -sr.Brokes fez um sinal para eles se sentarem -Você sr.Rodes e sr.Tompson estão aprontando o que na minha escola?

-Ele me atacou -falou Cristopher sem rodeios -Esse garoto é louco! Você não pode manter uma pessoa assim nessa escola.

-Isso é mentira -falou Any, porém Jack apertou a mão dela pra não dizer nada.

-Bom sra.Kingles já que a senhora sabe o que aconteceu então me conte -Any permaneceu calada- Sua decisão é não contar, eu respeito isso, mas enquanto não me contarem o que aconteceu ficaram suspensos por 3 dias.

-Isso é um absurdo -disse Cristopher nervoso demais.

-Sr.Rodes não permitirei que fale nesse tom em minha sala -falou batendo as mãos na mesa -Não sei se o senhor se lembra, mais agressão é uma coisa que não permito em minha escola e é bom você -apontou para Jack -Aprender isso se quiser continuar aqui, bom como vocês não me dizem nada plausível podem ir para casa e só voltem em 3 dias.

-Voltar para casa? -perguntou Any -Mas estamos na primeira aula.

-Não quero mais vocês causando bagunça -fez um gesto de mão pra eles saírem -Saiam e só voltem terça, ligarei para os pais de vocês e sr.Rodes coloque um gelo nesse rosto antes que inche.

Saíram da sala e o rosto de Cristopher era de ódio, sua boca já não sangrava mais, porém seu olho estava levemente inchado.

-Você -disse se dirigindo a Jack -saiba que não acabou, então saia do meu caminho ou vai se arrepender, Any é minha.

-Boa sorte -respondeu Jack, mas Cristopher já tinha se virado e seguido pro corredor oposto.

-Quer que eu te de uma carona? -perguntou Jack.

-Não -Any achou que estava sendo grossa e tentou explicar -Eu estou de carro.

-Seu irmão pode leva-lo pra você não pode? Ele dirigi - Jack tentava persuadir Any

-Sim, dirigi. Bom acho melhor mesmo eu pegar uma carona, vou deixar a chave com meu irmão, pegar minha coisa e te encontro no carro -Jack concordou com a cabeça.

                                        

Any encontrou o carro de Jack parado na vaga mais afastada, sua picape prata brilhava com o sol da manhã, entrou no carro e estava confusa com essa situação, mas não queria perguntar, talvez por medo da resposta, ele acabou de defende-la, se não fosse por ele, ela que estaria com o olho roxo agora.

-Muito obrigada -agradeceu Any meio engasgada.

-Eu quero que saiba que eu posso proteger você Any -Jack estava com uma cara seria -Quero que confie em mim.

Como Any não respondeu, Jack tentou falar um pouco da verdade sobre ele mesmo, coisa que raramente fazia.

-Você pode confiar se tentar -falou Jack - Eu posso parecer confuso, mas não é bem assim, eu fico confuso perto de você, está me mostrando ser algo que não parecia.

-E o que eu parecia ser? -perguntou Any, ela estava realmente curiosa para a resposta.

-Você não pode apenas confiar em mim?-Jack ignorou a pergunta de Any.

-Jack eu conheço você a quanto tempo? 3 dias? Como quer que eu confie assim, confiança se leva algum tempo para ser adquirida e com ações.

-Ações -Jack estava pensativo -Vou provar pra você que pode confiar em mim.

Jack parou o carro em frente a casa de Any e saiu repentinamente, ficou mais confusa ainda e seguiu ele.

-Jack o que foi? -perguntou Any confusa.

Jack não respondeu puxou Any e a encostou na porta do carro, congelou não esperava uma reação dessa, prendeu seus olhos nos deles que a observavam com um brilho selvagem, cada parte de seu corpo estava encostada, joelhos com joelhos, pernas com pernas, braços com braços, cada parte alinhada, Any sentia um desejo vindo de dentro dela, ela queria Jack e sabia disso não poderia mais esperar, puxou ele para ela, a explosão quando tocou seus lábios foi a mesma da primeira vez, parecia perigoso e maravilhoso ao mesmo tempo como se estivesse numa montanha-russa e tivesse medo de altura mais adorasse quando experimenta-se e quisesse sempre ir de novo. As mãos de Jack estavam nas costas de Any fazendo movimentos circularem a fazendo tremer, enlaçou seus dedos nos cabelo dele, não queria que aquilo acabasse, poderia continuar assim pra sempre até que se deu conta que sua mãe poderia chegar a qualquer momento e ver, ela não entenderia.

-Eu tenho de ir -disse num último beijo e correu para a porta. Se sentia livre, como se algum peso fosse tirada de cima e nem sabia que ele estava lá.

 

 

 

 

 

 

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