O Novato

Zoe Mitchell era a nerd que ajudava os calouros a se adaptarem à rotina escolar. Ela seria monitora de Harry Styles, o mais recente novato. Entretanto, sua vida ganhou uma reviravolta quando o garoto absurdamente sexy resolveu exercer seu poder sobre ela.

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5. Você me fez ser suspenso!

Zoe abriu o armário e socou os livros lá dentro. Estava próximo do final da aula e ela almejava chegar rápido em casa e deitar-se na cama, a fim de suavizar a dor na cabeça. Repentinamente braços a envolveram por trás, prendendo-lhe pela cintura.

– Você me fez ser suspenso. – Harry cochichou em seu ouvido, arrepiando todos os pelos dos braços de Zoe.

– Bem feito. – ela ignorou o fato de ele estar tão perto, segurando as lapelas do seu blazer. – Quem mandou lançar uma bola de canhão na minha testa? – continuou arrumando as coisas no armário.

– Eu estava irritado com você. – beijou-lhe a bochecha. – Muito irritado. – mordeu o lóbulo da orelha, passando a língua pelo local. Zoe sentiu cada toque atentamente. Seu corpo respondendo claramente aos efeitos que Harry lhe causava.

– E agora não está mais? – resolveu entrar na brincadeira. A menina queria saber até onde Harry iria com esse joguinho barato de sedução.

– Não. – ele a girou, encostando-a no armário vizinho. Seus olhos analisaram o corpo dela por inteiro, desejando cada parte. Zoe seria dele novamente. Mais cedo do que imaginara.

– Posso lhe fazer uma pergunta, Harry? – comentou, chamando a atenção do garoto. Ele apenas balançou a cabeça em afirmativa. – Por que ficou com a Liza? – e aquele assunto estava martelando em sua mente frequentemente.

– Porque ela é gostosa. – encolheu os ombros. Zoe o encarou perplexa, mas mudou de reação. A resposta de Harry acabara de comprovar que não valeria a pena criar expectativas em relação a ele. O garoto era um caso típico de pegador, que precisava de muitas garotas para satisfazer-se.

– Oh, tudo bem. – ela sorriu, disfarçando a decepção. – Bom, se não se importa acho que vou pedir para meus pais me buscarem. – suas mãos o afastaram devagar.

– Qual o motivo da pergunta? – Harry agarrou seu cotovelo. – Não está com raiva por causa da minha sinceridade não é?

– Claro que não. – ela bateu de leve em seu ombro.

– Tem certeza? – apertou os olhos, desconfiado. Ela respondeu com um sorriso. – Que bom. – acariciou seu queixo com o polegar, aproximando o rosto para dar-lhe um beijo nos lábios.

– Agora eu tenho que ir, okay? – a menina desviou-se do seu corpo, pegando a mochila no chão e trancando o armário. O garoto estranhou a ação, mas resolveu não intervir. – Adeus. – ela acenou.

O travesseiro da garota estava encharcado de lágrimas, e seus soluços ainda não haviam cessado. Ela agarrava o canguru de pelúcia com todas as forças. A cabeça latejava com a pressão do choro, e Zoe não conseguia compreender a razão de estar morrendo por causa da resposta de Harry. Ela sabia que no fundo ele nunca teve um interesse verdadeiro, a não ser o prazer do sexo.

O sol tinha se ido há algum tempo, e ela permanecia parada, em quase estado de choque, rebobinando as palavras do garoto. Era evidente que a menina gostava daquele idiota. E a cada aproximação dele, sentia como se precisasse mais ainda da sua presença. Harry teria sido o primeiro a despertar paixão em Zoe. Ela queria que as coisas dessem certo para os dois, mas seria quase impossível com as atitudes do rapaz. A menina então decidiu que o melhor a se fazer, seria afastar-se. Quanto mais distante, mais fácil ficaria de esquecê-lo.

Na manhã seguinte, ela alegrou-se por saber que Harry estava suspenso pelo restante da semana. Ela agiria normalmente, sem preocupar-se em agradar o garoto. Em querer que o mesmo a notasse constantemente.

Enquanto Zoe estava assistindo a entediante aula de Geografia, com a Sra. Mason. Harry acabava de tomar café da manhã. A mãe e a irmã foram para suas obrigações, e ele se viu sozinho, tendo de matar o tédio em casa. Ligou o videogame e jogou por cerca de três horas. Nada o animava ou mesmo conseguia lhe distrair da vontade que tinha de estar no colégio. Harry largou o jogo na sala e subiu para o quarto, tomar um banho.

Eram quase onze horas da manhã. O garoto sacou uma calça jeans do armário, somando com a velha camisa branca. Não se fazia frio naquela manhã, e ele arrumou-se com o intuito de esperar Zoe no final da aula.

Apesar de não querer chamar tanta atenção, Harry não estava conseguido. Afinal de contas, que tipo de pessoa fica mais de uma hora parada em frente ao portão do colégio? O porteiro o obrigou a sair dali, e o garoto teve de sentar na pracinha ao lado, juntamente com algumas crianças, que brincavam na gangorra. Ele ficou a observar, até que os portões da escola foram abertos e os alunos saíram apressadamente.

Zoe passou entre o aglomerado e seguiu seu caminho, indo em direção à praça. Seus olhos avistaram o garoto a esperando, porém, ela o evitou. Tudo o que menos desejava era ter ele tão perto, a fazendo sofrer.

– Ei. – ele tocou em seu ombro, lhe interrompendo de fugir.

– Oi Harry. – comentou sem humor. – O que faz de frente ao colégio? – apertou alguns livros contra o peito.

– Estava entediado. Vim dar uma volta. – coçou a nuca, como quando está mentindo. – Quer ajuda com o material?

– Não obrigada. – a moça retornou a caminhar, deixando-o para trás.

– Quer tomar um sorvete comigo então? – ele gritou.

– Deixa para a próxima. – ela se virou, encolhendo os ombros. – Até mais. – sussurrou, parando no ponto de ônibus, que ficava a poucos metros da escola.

Não era bem isso que Harry esperava. Zoe estava estranha demais. O que tinha acontecido enquanto ele encontrava-se em casa?

Quando o transporte escolar chegou, o garoto correu e se misturou aos alunos. Sentia a necessidade de conversar com a moça. Alguma coisa a afligia. Por sorte a cadeira ao lado dela estava vazia, e ele se sentou, jogando toda a atenção para a garota. Ela o encarou chocada.

– O que tem? – envolveu um braço sobre os ombros de Zoe, e deslizou o polegar por suas bochechas.

– Nada. – encarou a janela.

– Eu senti saudades sabia? – segurou a mão da menina, beijando os nós dos seus dedos.

– Quantas vezes já pronunciou essa frase para uma garota? – permaneceu impassível, observando o trânsito londrino. Harry ergueu o olhar, calculando sua resposta.

– Falei uma vez para minha mãe e minha irmã, e agora para você. Acho que dá um total de três vezes. – ele sorriu, mostrando as covinhas em seu rosto.

Zoe calou-se, digerindo a justificativa do rapaz. Ela chutaria que ele tivesse falado mais de cem vezes aquele comentário.

– Quer ir ao cinema hoje? – questionou o garoto. Após o silêncio insuportável entre ambos.

– Acho que não.

– Por quê?

– Estou sem vontade. – Zoe deu um meio sorriso. – Por que está insistindo para que eu saia com você?

– Queria arranjar um motivo para ficar contigo. – fitou-lhe os olhos, analisando sua expressão. Os batimentos da menina aceleraram com a revelação de Harry. Porém, o medo dele estar mentindo falou mais alto. – Você está mexendo comigo de um jeito que não sei explicar. – ele tocou os lábios dela, massageando com a ponta dos dedos. – Não é algo que eu possa simplesmente controlar.

– Harry, eu... – ela estava apavorada, com receio de sofrer mais ainda. – Desculpa, mas eu não sinto o mesmo por você.

 – Como é? – falou em um fio de voz. Seu semblante abalado.

– Eu tenho que sair. Com licença. – e Zoe deixou o garoto sozinho, sem entender nada. Confuso pela rejeição da moça. Será que ela sinceramente não gostava dele?

Uma música melancólica ecoava por todo o bar à medida que Harry erguia mais um copo de vodka à boca. Segundo as contas feitas pelo garçom, essa seria a terceira dose do rapaz. A visão já começava a tremer, e logo ele baixou a cabeça sobre o balcão, fechando os olhos. Fazia quase um ano que o rapaz tivera seu primeiro porre. Horrível por sinal. Rendera-lhe uma ressaca daquelas no dia seguinte. Entretanto ele parecia não incomodar-se com as consequências no momento. Precisava apenas esquecer uma certa garota, que resolvera tomar seus pensamentos de um hora para outra.

Enquanto Harry bebia para tirar Zoe da cabeça, ela estava sentada em sua cama, com o computador sobre o colo. Em um gesto impensado, clicou no ícone que levava ao perfil do garoto em uma rede social. Por segundos admirou o quão bonito ele estava em suas fotos. Sempre bem vestido ou sorrindo. E sempre com uma garota diferente ao lado. Ela apenas apertou no canto superior da página a fechando, e largando o notebook sobre o colchão. A menina precisava a qualquer custo tirar Harry da mente. Ele estava lhe fazendo mal.

Alguns dias se passaram, e o antigo Harry retornara à velha rotina. Muitas garotas o esperavam naquele colégio de quinta. Todas seriam dele. Pelo menos todas que ele realmente quisesse que fossem.

Terminava de por a mochila nas costas para adentrar no ônibus. Os óculos Wayfarer no rosto, dando-lhe um ar mais despojado e suavizando a formalidade do uniforme institucional. Sentou-se acompanhado de uma loira, que não reparara ainda. A menina o fitou dos pés à cabeça, revelando um sorriso tímido. O garoto deu-lhe um sorriso de canto, e passou o braço pelo acento da garota, quase tocando seus ombros.

Zoe entrou após duas paradas. Seus olhos perceberam o garoto logo de imediato, e se surpreendeu ao vê-lo conversando com a tal menina, quase lhe beijando a boca. Ela partiu para sua costumeira cadeira no fundo e fitou a janela, esperando não se afetar com as cenas presenciadas à sua frente.

Por mais que a moça tentasse evitar a troca de olhares, seria quase impossível não perceber os beijos entre o casal. Harry devorava a boca da menina, e ela correspondia de um jeito igualmente brutal. Aquilo se tornava nojento para quem presenciasse. Ainda mais para alguém que queria esquecer que um dia também havia tocado aquela mesma boca.

No final da parada, o casal separou-se e o rapaz seguiu seu rumo. Como se nada houvesse acontecido.

A biblioteca estava vazia naquela manhã. Zoe procurava por um livro no alto da estante. Sua estatura baixa lhe obrigava a xingar-se mentalmente por não ser filha de alemães. Seus braços esticavam com o intuito de alcançar a obra de Jane Austen – Orgulho e Preconceito.

– Aqui. – uma mão agarrou o livro, retirando-o da pilha, e entregando-lhe.

– Oh. – a garota sorriu, e virou-se para agradecer ao ser gentil que havia lhe ajudando. – Muito obriga... Harry? – questionou chocada, com tamanha surpresa.

– Oi Zoe. – ele tirou os óculos negros dos olhos, colocando-os no bolso da calça social. – Como vai? – perguntou de forma amável. Era notável que ele estava esforçando-se para impedir que os sentimentos tomassem conta dos seus atos.

– Bem. – sussurrou, pressentindo o quão desconfortável aquela conversa se tornara. – Obrigada mais uma vez. – ela balançou o livrinho em mãos, arranjando um motivo para sair dali.

– Você quer... – comentou o rapaz, aproximando-se da menina. Os corpos a menos de trinta centímetros de distância. O perfume da garota podia ser perfeitamente sentido por Harry.

– Hum? – ela arqueou a sobrancelha, esperando que ele concluísse seu pensamento. Os olhos do garoto se focaram no pescoço de Zoe, descendo para o caminho onde se via os primeiros botões da camisa branca. Ele gostaria de desfazer cada um deles. – Harry? – ela o chamou.

– Ahn? – finalmente conseguiu sair do transe, e olhar nos olhos da moça. – O que disse? – balançou a cabeça, afastando os pensamentos.

– Nada. Esquece. – falou, dando de ombros. – Boa aula. – partiu, deixando Harry ali, sozinho.

Sopa de legumes era servida toda quinta-feira. A maioria dos alunos fingia comer e tratavam de conseguir algo gorduroso na lanchonete da escola. Zoe estava com a bandeja em mãos, esperando que a senhora carrancuda vestida com o uniforme da companhia terceirizada lhe servisse a gororoba. Ela caminhou com a comida para sua mesa exclusiva. Aquela em que sua companhia era somente as cadeiras ao redor.

O desânimo de Harry se tornava visível. Ele andou em passos lentos para pegar o lanche. A antiga monitora perturbava seus pensamentos, apesar de o garoto finalmente ter assimilado que não valeria a pena correr atrás da moça. Ela não corresponderia a nada que o rapaz sentia.

A única mesa vazia era a de Zoe. Os olhos do garoto procuraram outro local para sentar, mas não havia se enturmado com quase ninguém da sala. A não ser algumas garotas que de em quando o chamavam para sair. Resolvera então acomodar-se perto de Zoe. Além do mais iria apenas comer e não tentar jogar charme para ela.

– Posso? – ele apontou para a cadeira, pedindo permissão à moça, que erguera os olhos para fitar Harry. Ela apenas assentiu com a cabeça. Ambos iniciaram o lanche silenciosamente. Não havia troca de olhares entre eles. O garoto se sentia incomodado com a ausência de diálogo e decidira finalmente esclarecer algumas coisas. – Zoe, eu sei que mal nos falando direito, mas sinceramente gostaria que não existisse esse clima pesado entre a gente. – declarou, encarando a menina que dera uma pausa na comida.

– Está sendo chato para mim também. – ela deu um meio sorriso em compreensão.

– Acho que poderíamos voltar a sermos amigos. Se permitir é claro. – mexeu a sopa, que agora encontrava fria.

– É... Eu acho que podemos. – disse a menina, pensando sobre a proposta de Harry. Serem amigos... Aquilo lhe parecia apropriado. Não existiriam segundas intenções entre amigos. E ela estava querendo transformar o sentimento que sentia por ele, em outra coisa. Uma amizade seria bem vinda. – Amigos? – sorriu, lhe estendendo a mão.

– Amigos. – ele a apertou.

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