O Novato

Zoe Mitchell era a nerd que ajudava os calouros a se adaptarem à rotina escolar. Ela seria monitora de Harry Styles, o mais recente novato. Entretanto, sua vida ganhou uma reviravolta quando o garoto absurdamente sexy resolveu exercer seu poder sobre ela.

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4. Você está louco?

– Não é nada. Tenho que ir embora. – e Harry deixa o banheiro, partindo para a varanda.

No fundo o garoto sabe que a monitora não cederia nada a ele tão espontaneamente. Requereria um pouco mais de tempo, e consequentemente um plano melhor teria de ser formulado. Resolvera então aguardar que a poeira baixasse. Quando Zoe menos esperasse, ele agiria. Não haveria como resistir ao novo Harry. Isso o garoto tinha absoluta certeza.

No banheiro, a menina piscava freneticamente, buscando compreensão à atitude do rapaz. Será que ele era mais um com transtornos de comportamento? Ou estava se fazendo de coitado para despertar pena? Zoe precisava de respostas. De algo que comprovasse que Harry apenas procuraria garotas para se divertir. A proposta para ser namorada dele, jamais entraria na cabeça da menina. Ela poderia ser ingênua às vezes, porém, não era burra a ponto de cair outra vez na lábia afiada de Harry.

O rapaz socou-se debaixo do chuveiro, já atrasado para a aula. Hoje provavelmente receberia sua primeira advertência, anexando-se ao ótimo histórico escolar que trouxera dos colégios anteriores. A água escorria por seu corpo, enquanto permanecia imóvel, pensando. Ele estava confuso, pois não conseguia bolar uma abordagem descente para com Zoe. Seu desejo por aquela garota havia aumentado. Não se tratava de somente namorá-la para obter experiência. Agora a situação virou questão de honra. Harry queria provar para si mesmo que garota nenhuma lhe diria não. E no final todas voltariam rastejando aos seus pés.

O espelho refletia um homem com o corpo já definido. Harry não podia mais ser considerado um adolescente. Suas formas estavam bem evoluídas para isso. Ele passou a toalha nos cabelos, tirando o excesso de água. Os pingos ainda cobriam-lhe a pele. Harry então olhou o reflexo mais uma vez, franzindo as sobrancelhas. O que havia de errado com ele? Por que aquela garota não o desejava? Ele necessitava de uma justificativa. E sim, Zoe teria de dar-lhe o mais rápido possível.

Por sorte o ônibus resolvera atrasar-se naquele dia. O garoto se apressou e entrou no veículo, encontrando-o quase cheio. Sua mãe não deixara as chaves do carro, e Harry teria de usar o transporte escolar. Seus olhos vasculharam por um acento, e um sorriso aumentou em seus lábios quando vira seu alvo sozinho, sentado no fundo. Prontamente desviou da multidão, e acomodou-se ao lado de Zoe. Ela transportou o olhar para a janela, ignorando veemente o garoto.

– Bom dia. – o rapaz sussurrou em seu ouvido. Ela estremeceu em surpresa, mas evitou demonstrar o acontecido.

– Bom dia Harry. – pronunciou séria, negando-lhe o contato visual.

– Ainda está brava? – acariciou a mão da menina, que segurava a mochila sobre o colo. Zoe não respondeu, e o rapaz sorriu novamente, deduzindo que ela realmente não teria se recuperado do susto. – Eu gosto de vê-la assim... – ele roçou o nariz na bochecha dela. – Zangada... E por minha causa.

– Pode me deixar em paz ao menos uma vez na vida? – resmungou, virando-se para o garoto. – Não vê que suas tentativas de chamar atenção não estão surtindo efeito? – arqueou as sobrancelhas, cruzando também os braços contra o peito.

– Hum... Ainda está chateada comigo não é? – tocou o queixo da moça, aproximando o rosto. – Prometo recompensá-la mais tarde. – beijou-lhe o canto da boca. Ela pôs as mãos sobre o peitoral do garoto, o empurrando de volta para seu lugar.

– Não se atreva a tocar em mim novamente. – esbravejou, demonstrando a raiva que sentia de Harry. – Olhar para você me dá náuseas.

Harry olhou perplexo à reação de Zoe. Uma pontada de ódio o invadiu, e ele desejou como nunca, bater naquela menina. Ela estava o tirando do sério. Zoe teria que pagar por cada palavra dita.

Após o almoço, as turmas do terceiro ano iriam se reunir para a aula coletiva de Educação Física. Zoe não praticava esportes por conta dos problemas respiratórios que tivera desde o nascimento. Porém, a professora fazia questão de que a menina estivesse presente, ao menos observando os colegas correrem atrás de uma bola no campo de futebol.

A menina sentou-se na arquibancada, portando um livro de romance nas mãos. Ela aproveitaria para ler algo enquanto os alunos se matavam fazendo flexões. Aos poucos o campo ganhou ocupação. Todos os pré-universitários estavam lá, vestindo agora as roupas típicas da aula. O espaço foi dividido, e logo as meninas dominaram o lado direito, fazendo com que os garotos iniciassem uma partida de vôlei no sentido oposto.

Ouviam-se algumas reclamações por parte da professora Norah. As meninas pareciam concentrar-se mais na camiseta molhada dos garotos, do que em suas próprias atividades. Zoe folheou o livro, procurando a página em que havia pausado a leitura. Harry avistara a monitora desde que colocou os pés no gramado. As palavras dela ainda rebobinavam em sua mente, e ele estava de certa forma furioso com tudo aquilo.

Todos os olhares femininos se voltaram para o rapaz. Harry possuía habilidades com a bola. Três troféus em sua estante demonstravam muito bem o quão bom jogador ele poderia ser. A camisa cinza e o calção azul-marinho estavam pregados nos músculos do rapaz. Suor descia em sua testa, molhando os cabelos bagunçados. Ele estava dando o que tinha naquela partida de vôlei. Sua raiva por Zoe seria descarregada na bola, ou nos próprios colegas de classe.

Por um dado momento, o olhar da garota cruzou-se com o dele. Ela apenas virou o rosto e retornou a ler. O cansaço pela rejeição afetara o raciocínio de Harry, e em um impulso, sua mão sacou a bola para a arquibancada, atingindo em cheio a cabeça de Zoe. Uma pancada ecoou pelo lugar. A garota que estava no quarto banco fora ao chão, desmaiando com impacto. A multidão de alunos formou um circulo ao redor da menina, esquecendo-se do real culpado por sua queda. Um dos garotos a pegou no colo, transportando-a a enfermaria. Harry preocupou-se com o estado ao qual havia deixado Zoe. Ele tentou acompanhar a moça, mas uma mão segurou seu braço, o mantendo no local.

– Está suspenso Styles. – estalou a professora. – Quero vê-lo na diretoria daqui a meia hora.

Harry partiu para o vestiário, tomando banho e trajando novamente as vestimentas da instituição. Caminhou a passos lentos para a sala da diretoria, encontrando a professora de Educação Física a observar a pasta escolar do garoto, acompanhada pelo diretor.

– Com licença. – falou, adentrando e sentando em uma das cadeiras à frente da mesa.

– Eu imagino que não tenha acertado aquela bola em Zoe de propósito. Estou certa Sr. Styles? – Norah ergueu uma sobrancelha, ajeitando o rabo de cavalo em seu cabelo negro. Os olhos azuis da mulher recém-graduada analisaram a expressão assustada do menino.

– Sim senhora. – sussurrou Harry, mentindo descaradamente. – Foi sem querer, me perdoe. – entrelaçou os dedos, fitando os sapatos.

– O que faremos com que ele diretor? – indagou a moça.              

– Como ela está? – Harry questionou, sentindo-se na obrigação de saber o estado de Zoe. Ele parecia preocupado com a gravidade do incidente.

– Não me interrompa. – repreendeu Norah.

– Suspensão. Dê-lhe uma semana de suspensão. – disse o diretor, em tom grave. – E está dispensado Sr. Styles. Agora faça o favor de retirar-se da sala.

Harry fechou a porta e deu um chute na parede do corredor. O ódio se fazia visível em seus olhos. Ele queria ver como a menina estava, porém, mal conhecia aquela maldita escola. Existiam inúmeras salas e corredores suficientes para manter alguém perdido por horas. Foi andando sem rumo, observando pelos pequenos vidros no topo de cada porta. Existia uma sala com janelas em persianas, e se podia ver uma cama com alguém sobre. Uma mulher em vestes brancas passava algo na cabeça de Zoe, que fazia careta. Harry apenas girou a maçaneta e adentrou no recinto.

– O que faz aqui? – comentou a menina, apertando os olhos com a dor. Havia um galo enorme em sua testa. A franja lateral não poderia cobrir sua extensão.

– Olá mocinho. – sorriu a enfermeira de meia idade. - Você é irmão dela? – a mulher lhe entregou um pacote com algodão.

– Não... É, eu sou... – Harry ficou observando o objeto em suas mãos. Ele não sabia o que fazer com aquilo.

– Ele não é nada. – completou Zoe, segurando a mão da enfermeira que teimava em passar álcool no machucado. – Platão! – gritou, quase derramando as lágrimas que formaram no canto dos olhos.

– Nós somos namorados. – comentou o garoto, se aproximando da enfermeira. – Eu posso dar um jeito nisso. – ofereceu-lhe ajuda para cuidar da moça.

– Oh, obrigada querido. – sorriu a enfermeira, passando-lhe a maleta com curativos. – Acho que ficará mais calma na companhia do seu namorado. – a mulher deu as costas, indo em direção à porta.

– Ei! Onde está indo? Não me deixe aqui com esse serial killer! – resmungou Zoe, vendo a enfermeira sair com um sorriso no rosto.

– Me desculpe. – sussurrou o garoto, sentando-se na borda da cama.

– Então foi você quem me atingiu com aquela porcaria de bola? – a menina apertou os olhos, mas rapidamente sentiu a testa latejando. – Por que fez isso Harry? – choramingou, fazendo uma careta. – Está doendo muito. – uma lágrima escorreu por sua bochecha.

– Sinto muito Zoe. – limpou as bochechas da menina. – Deixe-me cuidar de você. – ele pediu, encarando fixamente os olhos escuros.

– Não. – ela se encolheu, desviando o olhar. – Você só sabe me machucar Harry. – cobriu o rosto com as mãos, chorando baixinho.

Harry estava se sentindo um lixo por dentro. Ele continuou a observar a moça, sem saber como agir. Internamente, ele queria pegá-la no colo, e protegê-la do mundo. Entretanto, seu psicológico encontrava-se muito abalado. Quer merda de sentimento era esse que nascia em seu peito? Por que diabos ele queria tanto beijá-la, mesmo sabendo que ela o rejeitaria?

– Zoe. – colocou as mãos sobre as delas, revelando novamente o rosto da moça, vermelho por consequência do choro. – Eu sou um idiota. – tentou olhar em seus olhos.

– Sim, você é. – choramingou.

– Me desculpe, por favor. – suplicou, envolvendo a garota em um abraço. Ela se deixou levar pela ocasião, e descansou a cabeça sobre o ombro de Harry. – Você me desculpa? – sussurrou no ouvido dela.

– Sim. – suspirou.

– Obrigado. – ele beijou seus cabelos.

Ambos permaneceram abraçados por alguns minutos, até que o machucado de Zoe deu sinais de vida, e as dores retornaram com força total.

– Mais devagar Harry. – reclamou ela, retirando a mão do garoto da sua testa. Ele tentava passar em vão um pouco de álcool no local.

– Se você ficasse quieta não doeria tanto. – disse sério, molhando o algodão.

– Promete que vai soprar dessa vez? – perguntou docemente, fazendo com que o garoto sorrisse com o pedido.

– Está bem. – ele mordeu o lábio, se aproximando. Suas mãos tocaram suavemente o galo e ele soprou todo o caminho percorrido pelo líquido.

– Bem melhor. – Zoe soltou a respiração presa, e logo seus músculos também relaxaram. Harry estava sendo muito atencioso com ela. Com habilidade fez uma curativo sobre sua testa, ajeitando a franja da garota para que encobrisse ao menos metade do machucado. – Obrigada Harry. – ela sorriu se levantando da cama.

– Espera Zoe. – o menino segurou em seu braço, fazendo-a girar para ele. – Me dá um beijo? – pediu encarecidamente, fitando os olhos dela.

– Ahn? – perguntou chocada.

– Só um beijo. – sussurrou, diminuindo a distância entre as bocas. – Por favor. – mordeu o canto do lábio, esperando a resposta da moça.

– Harry, eu não sei se isso é o certo. – ela fez uma careta confusa, e desviou o olhar para outro ponto da sala.

– Do que você tem medo? – segurou-lhe o queixo, virando o rosto da menina para ele.

– Medo? – ela umedeceu os lábios.

– É. – e Harry não conseguia parar de encarar os lábios entreabertos de Zoe. Ele não poderia controlar-se por mais tempo.

– Harry, é que... Eu bom...

– Esquece Zoe. Eu não aguento mais esperar. – e ele tomou a boca da moça, tocando calmamente os lábios dela. As mãos prendendo sua cintura, mantendo-a perto de si. A menina entrelaçou os braços no pescoço de Harry, acariciando os cabelos dele. As respirações estavam ofegantes e ambos queriam esse beijo mais do que tudo.

– Oh, com licença. – a enfermeira adentrou. – Me desculpem. – pronunciou envergonhada vendo o casal.

– Oh Darwin! Que mico! – a menina afastou-se de Harry, sentindo-se corada. – Acho melhor ir embora depois dessa. – ela saiu. O garoto e a enfermeira trocaram olhares divertidos e sorriram do estado de Zoe.

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