O Novato

Zoe Mitchell era a nerd que ajudava os calouros a se adaptarem à rotina escolar. Ela seria monitora de Harry Styles, o mais recente novato. Entretanto, sua vida ganhou uma reviravolta quando o garoto absurdamente sexy resolveu exercer seu poder sobre ela.

73Likes
38Comentários
4997Views
AA

6. Por acaso está apaixonado?

Após o final da aula, o garoto convidou Zoe para tomarem sorvete. Dirigiram-se à sorveteria próxima ao colégio e sentaram-se nos bancos giratórios de frente ao balcão. A menina olhava para cima, em dúvida sobre qual sabor pedir.

– Flocos. – ela balançou a cabeça em afirmativa.

Um homem entregou os pedidos, e partiu para atender o restante dos clientes. Os amigos desocuparam os assentos e passaram a caminhar pela calçada, em direção à pracinha. Harry montou-se sobre o banco estreito, ficando diante da menina, que tomava atenciosamente o sorvete, com medo de sujar a roupa. Nuvens escuras começaram a dominar o céu, e uma chuva ameaçava cair a qualquer momento.

– Como está a cabeça? – questionou Harry, se referindo ao machucado, que parecia bem menor agora.

– Ah, já não dói mais como antes. – ela deu de ombros.

– Ah não? – o garoto pressionou o dedo indicador sobre o pequeno galo, exibindo um sorriso divertido.

– AI! – gritou Zoe, apertando os olhos e fingindo dor.

– Desculpa. – pronunciou preocupado, caindo no teatro da menina. – Pensei que estivesse melhor, eu juro. – ele se aproximou, encarando os olhos dela.

– Seu bobo. – gargalhou, batendo a mão que segurava o sorvete de casquinha sobre o ombro de Harry. O blazer logo ganhou uma mancha branca com pinguinhos de chocolate. – Epicuro! Epicuro! Epicuro! – batia com a mão sobre a cabeça, se martirizando.

– Para Zoe. Foi só um acidente. – o rapaz tirava o blazer colocando-o sobre o assento. – Está tudo bem, okay? – segurou o queixo dela, procurando seu olhar.

– Tá. – sussurrou ela, olhando profundamente o verde dos olhos de Harry.

Pingos caíram fortemente, pairando por todo o lugar. A chuva repentina começara a molhar as pessoas que ali estavam.

– Droga! – resmungou o menino, levantando-se. – Vamos embora. – estendeu a mão a Zoe. – Pegaremos um resfriado com toda essa chuva. – ele a guiou até o meio-fio da rua, dando sinal para um taxi.

– Oh minha nossa! Minha alergia! – comentou Zoe, adentrando no carro com Harry. A menina lembrava o quão ruim seria tomar um banho de chuva e ter de sentir aquela droga de cansaço mais tarde.

– Tire o blazer. Está encharcado. – Harry pediu. A garota o obedeceu e ele passou o braço por volta das costas dela. Ambos totalmente molhados.

Não se podia ver quase nada por conta da jorrada de água que caia em Londres. Zoe não conseguia identificar o lugar ao qual estava indo. Era uma rua desconhecida. Não recordava de ter passado por ela. Minutos depois o motorista parou em frente à casa de Harry.

– Venha. – o garoto lhe convidou a entrar.

– Por que não me levou para a minha casa? – ela adentrou, tentando não molhar o chão com os pingos vindos do uniforme.

– A minha é mais perto. – ele tomou sua mão, a arrastando para as escadas que davam no andar superior. Cruzaram um corredor e passaram para um quarto. O quarto do rapaz. – Vou procurar algo meu para você vestir. – comentou, indo rumo ao armário que ficava no lado oposto à porta.

O cômodo era mediano, com pôsteres de bandas de rock colados acima de uma escrivaninha na parede direita. Havia um computador sobre a mesa, e livros didáticos. A cama de casal tomava uma parte considerável do quarto. Uma mesinha de cabeceira comportava alguns CDs e despertador. E a televisão grande ficava de frente à cama, sobre um móvel largo de madeira escura.

Harry vasculhou algo pelos cabides e retirou uma camiseta preta e cueca boxer branca. Zoe já estava com os braços cruzados sobre o peito, tremendo com o frio.

– Acho que vai servir. – ele se virou para entregar as peças, mas vira o estado da garota. Jogou as vestimentas sobre o colchão, e a envolveu em um abraço. – Eu a ajudo com isso. – passou as mãos pelos braços da menina, parando nos botões da camisa social agora transparente. Poderia ver claramente a lingerie escura que usava.

– O que está fazendo? – indagou Zoe, observando Harry desfazer o primeiro botão. – Posso fazer isso sozinha. – ela segurou as mãos do rapaz.

– Como quiser. – sussurrou, não evitando morder o lábio inferior.

A menina entrou no banheiro, retirou as peças molhadas e tomou um banho quente. Seus pelos arrepiados pela temperatura da água, e os primeiros espirros surgindo. Enquanto isso, Harry tratou de trocar de roupa, vestindo uma das calças de moletom, e secando os cabelos com a toalha. Ele mal acreditava que quase tirou a camisa de Zoe. Eles não deveriam fazer tal coisa, se quisessem apenas uma amizade.

A camisa do garoto cobria perfeitamente a cueca que havia emprestado a Zoe. Um sorriso apareceu no rosto da menina quando se olhou no espelho horizontal do recinto, vendo o quão estranho era usar uma peça íntima masculina. Jamais contaria isso a ninguém. Seria absolutamente constrangedor.

Ela secou os cabelos e penteou. Saindo do banheiro logo em seguida. Harry a esperava sentando em sua cama. Com menos roupa do que ela poderia imaginar.

– Como ficou? – a menina sorriu, dando uma voltinha e segurando a barra da camiseta.

– Ótima. – ele mordeu o lábio, observando inteiramente o corpo dela. Nos pensamentos do rapaz sempre existia uma garota vestindo uma de suas roupas, após uma noite de prazer. Naquele momento a garota era Zoe, e ela estava mexendo profundamente com o psicológico de Harry.

– Acho melhor ligar para os meus pais avisando que estou na sua casa. – ela disse de repente, tirando o garoto dos seus devaneios. Prontamente procurou o celular que deixara na mochila abandonada no carpete.

– Está com fome? Eu posso preparar alguma coisa para comermos. – questionou Harry, batendo no rosto, a fim de retornar para a realidade. Ele estava olhando demais as pernas da menina.

– Não quero incomodar. – pegou o telefone, discando o número residencial. – Mãe? – pronunciou, dirigindo-se para a janela do quarto.

Rapidamente o rapaz desceu as escadas, voltando para a cozinha. Sua mãe deixava sempre o almoço na geladeira, e assim Harry não teria de preocupar-se em preparar sua refeição. Por chegar mais cedo, o ele era encarregado de esquentar também o almoço da irmã, que retornava da faculdade por volta das duas horas da tarde.

Ele colocou a vasilha sobre o pratinho do microondas e pressionou os botões, recostando no balcão para esperar que o bit ecoasse.

– Eu o procurei por todo lugar. – Zoe disse ofegante, apoiando-se na porta da cozinha. – Sua casa é enorme. – ela arregalou os olhos.

– Senta aqui vai. – ele apontou para o banco em frente à bancada. – Vamos conversar. – a menina o obedeceu e assim fez, ficando ao lado de Harry, que estava sério. Logo o microondas apitou e ele partiu para retirar a comida, sem por luva alguma. – Merda! – reclamou, sentindo o calor do plástico queimando a palma.

– Às vezes você é um asno Harry. – resmungou a moça, partindo para olhar a mão do garoto. – Não imaginou que aquilo estava quente? – o puxou, levando até a pia, e jogando água sobre a palma da mão, vermelha pela queimadura. – Pensei que fosse mais inteligente.

– Está me chamando de burro? – cerrou os olhos, incrédulo.

– Asno... Eu disse asno. – pegou um pano de prato para envolver os dedos do garoto. – Preciso de pomada para bumbum de bebê. – afirmou, ainda segurando a mão dele.

– Não sei se tenho esse tipo de pomada. Afinal de contas não temos bebê. – ele sorriu sarcasticamente.

– Não tem nada para assadura? – perguntou docemente, fazendo beicinho.

– Acho que minha mãe deve guardar essas coisas no quarto.

A garota o acompanhou de volta ao piso superior. Enquanto ele vasculhava com uma mão as gavetas da cômoda da mãe, Zoe passava o olhar sobre os quadros no criado-mudo. Uma foto de Harry ainda pequeno lhe chamou a atenção. Ela sorriu ao ver que ele possuía o mesmo sorriso sapeca, e as covinhas que deixavam-no mais adorável.

– Tem isso aqui. – ele falou, distraindo a menina, que virou-se rapidamente. – Serve? – e mostrou exatamente um tubo com o nome Hipoglós.

– Harry Styles, apresento-lhe a famosa pomada para assadura de bebê. – ela segurou o objeto e pediu que abrisse a mão, para espalhar o conteúdo pastoso. Harry a guiou à cama, e Zoe passou com calma a pomada sobre o machucado do garoto.

O toque suave dela lhe passava tranquilidade, e por um momento ele desejou que aquelas mãos acariciassem sua nuca, puxando-o para um beijo.

– Você leva jeito. – comentou, procurando o olhar dela.

– Nem tanto. – balançou a cabeça. – Agora precisa esperar secar e tomar mais cuidado, entendeu? – falou com autoridade.

– Tá. – ele deu um meio sorriso, aproximando-se um pouco mais. Os corpos estavam quase colados de novo, e a respiração da menina começava a ficar pesada. A droga da atração parecia falar mais alto.

– Eu preciso arrumar uma forma de secar meu uniforme... – pronunciou Zoe, sentindo Harry perto demais. Os lábios dele lhe tiravam o foco da realidade.

– Vou colocar na secadora. – sussurrou, deslizando a mão sã sobre o rosto da moça. Ela fechou os olhos, sentindo o toque. – Zoe... – encostou a testa na dela.

– Quê? – murmurou.

Os dedos dele engatinharam até a nuca de Zoe, acariciando o local. A amizade parecia ter ido para segundo plano naquele momento, e tudo que Harry mais queria era tocar de novo os lábios dela. Logo, a menina entrelaçou os braços sobre os ombros dele, trazendo-o para si. Ambos deslizaram vagarosamente, caindo no colchão. O corpo do garoto sobre o dela, pressentindo os batimentos acelerados que se faziam em seu coração. Harry lhe deu um beijo demorado no queixo, à medida que com a mão, subia a camiseta da garota.

– Maninho! Cheguei! – uma voz soou pelos corredores, obrigando Zoe a empurrar Harry.

– Droga. – o garoto resmungou, com raiva pela intromissão da irmã.

– Eu tenho que ir. – Zoe levantou-se, ainda aturdida pelo quase beijo que esteve prestes a acontecer.

– Espera. Não foge de mim. – segurou-lhe pelo braço.

– Eu não vou fugir. – ela o encarou. – Nós somos amigos, lembra? Só amigos. – e repetiu a frase diversas vezes em sua mente, esperando que realmente entendesse que não poderia rolar mais que uma amizade entre eles.

– É. – falou com decepção. Os sentimentos de Harry não estavam preparados para agir como se Zoe fosse apenas uma amiga. Ele queria mais. Porém, não poderia se quisesse tê-la por perto. – Tenho que lhe apresentar a minha irmã Gemma.

Gemma Styles é estudante de Direito em uma das federações da Universidade de Londres. A menina poucos anos mais velha que Harry, possui os típicos cabelos escuros da mãe, juntamente com os olhos em tom esverdeados, dando-lhe certa semelhança ao garoto. Dona de um temperamento calmo e receptivo; sempre cuidara do irmão como se fosse uma criança, ou seu próprio filho.

– Oh, você também gosta de Phineas and Ferb? – era a terceira vez que Gemma perguntava a Zoe. E ela apenas assentia. – Nossa! Temos muito em comum. – abocanhou mais um pouco de salada em seu prato, sentada no sofá da sala.

– Vocês parecem duas crianças. – reclamou Harry, pegando o controle sobre a mesinha de centro e trocando de canal.

– E o que você é? – Zoe falou de boca cheia, trocando olhares cúmplices com a irmã do Harry. – Não me diga que já chegou à puberdade, porque não parece.

– Nossa! Essa doeu. – ironizou Gemma.

O garoto olhou de soslaio para a monitora, exibindo um olhar mortal. Levantou-se do sofá, e partiu para a cozinha com seu prato.

– Não liga não. O Harry é assim mesmo. – ouviu o menino, encostado na porta. A irmã estava sentada diante de Zoe, segurando em seu rosto. Os olhos de Gemma logo perceberam o rapaz, e ela fez uma cara feia. – Veja o que fez Harry Styles! – pronunciou zangada.

– Ahn? – perguntou confuso, caminhando de volta à sala.

– Chora vai. Chora. – sussurrou a irmã no ouvido de Zoe. A garota assentiu e enterrou a cabeça entre os joelhos, fingindo choramingar. – Por que fez isso com ela? – Gemma esbravejou, cruzando os braços contra o peito. Ela gostava de ver o quão desesperado Harry ficava quando via alguém chorando por sua culpa.

– O que eu fiz? – indagou chocado, sem saber o que fazer. – O que tem Zoe? – parou de frente à menina, acariciando seus cabelos.

– Me deixa Harry. – disse com a voz chorosa. Atrás do menino, a irmã se controlava para não gargalhar e revelar a farsa.

– Me desculpa. – falou preocupado, tentando erguer o rosto da garota. Os olhos estavam levemente vermelhos depois que forçara uma lágrima. Ela fez uma cara piedosa, e prendeu o lábio com os dentes, ameaçando chorar de novo. Harry estava perplexo e acima de tudo perdido. Não entendia o porquê daquela reação. Por que diabos Zoe estava chorando? O que ele tinha feito?

– Vou contar tudo para a nossa mãe. – provocou a irmã, dando uma piscadela para Zoe.

– Cala a boca Gemma. – resmungou, enxugando uma lágrima que com muito esforço descia pela bochecha da monitora. – Eu sinto muito Zoe. – disse docemente, envolvendo-a em um abraço. Suas mãos fazendo um carinho nas costas da menina, enquanto descansava a cabeça sobre o ombro dela. A irmã fez um sinal positivo com o polegar, e pulava de forma discreta, exibindo a dança da vitória. – Me desculpa tá? – beijou-lhe o pescoço. A garota sentiu o toque percorrer pelo corpo, fazendo seu coração bater mais rápido.

Permaneceu quieta, com os braços entrelaçados no pescoço de Harry. Gemma havia cessado os saltos e observava as ações do irmão, que lhe pareciam muito suspeitas. Quando ele se tornara tão atencioso e carinhoso com uma estranha? Estava a gostar daquela garota?

– Harry! – falou com autoridade.

– O quê? – murmurou, deslizando a mão vagarosamente pelo braço de Zoe. Seu rosto continuava enterrado no pescoço da moça, inalando o perfume da pele.

– Por acaso está apaixonado? – estalou Gemma.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...