O Novato

Zoe Mitchell era a nerd que ajudava os calouros a se adaptarem à rotina escolar. Ela seria monitora de Harry Styles, o mais recente novato. Entretanto, sua vida ganhou uma reviravolta quando o garoto absurdamente sexy resolveu exercer seu poder sobre ela.

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7. Espera!Eu vou com você

– Como é? – ele soltou-se rapidamente, tentando se recompor. Zoe o olhava assustada, não querendo que ele respondesse sim à pergunta.

– Meu Deus! Meu irmão está completamente apaixonado! – elevou a mão à boca, demonstrando surpresa.

– De onde tirou isso? – piscou freneticamente, sentindo que quase gaguejara. Por que aquela situação estava lhe deixando tão desconfortável?

– É melhor eu ir embora. – Zoe levantou-se sem graça. As coisas não deveriam ter chegado a tal ponto.

– Não Zoe. – Gemma a manteve no lugar, segurando pelos ombros. – Fica. Depois o idiota do meu irmão a leva para casa... E eu ainda não acredito que ele finalmente se interessou por uma garota. – disse empolgada, abraçando a menina.

Harry bateu sobre a testa, se repreendendo. Precisava urgentemente de um buraco para enfiar a cara e se esconder da vergonha a qual sua irmã estava lhe fazendo passar.

– Nós somos amigos, Gemma. – ele disse em tom sério. – Só amigos. Entendeu?

– Está claro que ela mexe com você Harry. – disparou a irmã, largando-se do abraço. – Nunca lhe vi tão carinhoso com alguém que não fosse a mamãe.

– Gemma, por favor. – fechou os olhos, tentando manter a calma.

– Ele realmente gosta de você Zoe. Só está com medo de admitir. – bateu levemente sobre o ombro da menina. – O Harry é um fraco, eu sei. – ela sorriu.

Zoe olhou para os lados, imaginando que o mundo poderia se abrir aos pés dela e engolir seu corpo, transportando-o para outra dimensão. Poderes sobrenaturais seriam mais que bem vindos. E ela desejava que Gemma parasse de afirmar que o irmão estava apaixonado. Isso não poderia acontecer. Até porque ela tinha conhecimento do quão volátil eram as paixões de Harry.

– Me desculpem, mas chegou a minha hora. – pronunciou a menina, desviando para ir ao quarto pegar suas coisas. O garoto rapidamente a seguiu, com receio de que a conversa da irmã tenha surtido algum efeito em seus pensamentos.

Pegou o uniforme dobrado sobre a cama, e retirou a camisa do garoto, pondo a camiseta social e blazer em seu lugar. Quando o garoto adentrou, ela estava terminando de subir o zíper da saia azul-marinho. Ele a olhou ainda aturdido com a situação, e coçou a cabeça tentando formular algo descente para dizer.

– Eu peço que não acredite em tudo que a minha irmã fala. – pronunciou em tom baixo, ainda com as mãos sobre a cabeça.

– Tudo bem Harry. – ela se aproximou do garoto, a fim de pegar a mochila que deixara no chão. – Você não gosta de mim, eu sei. – encolheu os ombros, dando um meio sorriso.

– Ei. Também não é assim. – o menino deu um passo à diante. Seus braços segurando os ombros de Zoe, e trazendo-lhe para perto. – Eu gosto de você. – sussurrou a encarando. Em um gesto de surpresa, a moça arregalou os olhos, e sentiu o peso da revelação elevar os batimentos cardíacos. Um frio percorreu a espinha, deixando um breve arrepio pelo corpo. Ela havia interpretado mal o comentário de Harry. – Como amigo é claro. – completou após certo tempo. Tempo suficiente para Zoe alimentar esperanças em relação aos dois.

– Eu sei disso. – suspirou.

– Quer que eu a acompanhe até em casa? – retirou as mãos dos ombros da moça, enfiando-as nos bolsos da calça de moletom.

– Não precisa. – ela sorriu gentilmente, enrolando o cabelo comprido em um coque. – Até amanhã Harry. – passou por ele, caminhando até a porta.

Deitou bruscamente sobre o colchão, enquanto seus pensamentos seguiam Zoe. Será que ele estava gostando da garota? Não... Não poderia ser. Ele nunca havia se interessado por alguém. Não alguém que valesse à pena, ou que desejasse passar mais que uma noite. Apesar de sentir algo diferente pela monitora, Harry podia afirmar que aquilo não era paixão. Atração talvez. Mas, um sentimento maior não seria possível. Ele tinha uma reputação a zelar. Garotas o procuravam todos os dias. Como um garanhão seria comandado por uma única mulher? Isso não existia nas concepções de Harry.

No taxi ecoava uma canção lenta que transportara a moça aos fatos ocorridos durante a tarde em que esteve na casa de Harry. Abraçando a mochila contra o corpo, ela analisou o significado das frases de Gemma. Seu irmão poderia estar interessado nela? Apaixonado?

E as mesmas interrogações não a levavam para nenhum lugar, a não ser a cruel dúvida de não saber ao certo o que o garoto sentia. Havia receio de iludir-se novamente, e tentar juntar algo que deveria permanecer separado. Ela só almejava por sossego, e estabelecer uma boa relação com o amigo.

[...]

Os cabelos escuros esvoaçavam com a brisa da manhã. Sua visão pairava nas páginas do livro pego na biblioteca escolar, enquanto se permitia sentar com as pernas esticadas sobre a grama do pátio, embaixo de uma árvore.

Fazia certos minutos que o garoto mantinha seus olhos na amiga, calculando uma forma discreta de chegar até ela, sem causar-lhe espanto. Retirou os óculos pretos, pendurando-os no bolso da camisa social. Por mero costume, passou as mãos arrumando o cabelo e ultrapassou os alunos que dominavam grande parte do gramado. Caminhou a passos lentos e parou ao lado da menina, que elevou o olhar, quando o percebeu.

Era manhã de uma sexta-feira. Faltavam planos para o fim de semana do garoto. Pensou seriamente em acompanhar a irmã em uma visita técnica da universidade. Entretanto, o convite de uma festa lhe fora oferecido por um dos colegas do time de futebol. Obviamente, seria mais interessante ficar com garotas em uma noite, do que fazer hora extra nos estudos. Harry estava bolando uma forma de pedir que Zoe o acompanhasse.

– Está muito ocupada? – perguntou Harry, fitando os estudantes que conversavam antes do sinal tocar.

– Não. – Zoe largou o livro, marcando a página com o polegar, enquanto jogava sua atenção para Harry.

– Quer ir a uma festa comigo amanhã? – ele despejou, não encarando a menina. As minissaias das lideres de torcida lhe chamavam à atenção.

– O quê? – gritou mais alto do que deveria. – Não, não. – balançou a cabeça veemente. – Não sou de frequentar festas, Harry. – e seus olhos retornaram a ler a obra de Jane Austen.

– Por quê? – e de repente o interesse pela aversão à diversão de Zoe, tornara-se mais importante. – O que tem contra as festas? – puxou o livro de suas mãos, escondendo-o atrás de si.

– Não gosto. – ela fez uma carranca, esticando a mão para que o garoto lhe devolvesse o objeto. Ele apenas negou com a cabeça enquanto exibia um sorriso desafiador. – Quando quero ver adolescentes loucos, assisto programas de TV. – cruzou os braços contra o peito.

– Pode ver pessoalmente desta vez. – virou-se para a menina. – E aposto que terão muitos garotos lá. – falou de forma tentadora. Esperando que Zoe aceitasse seus argumentos. Porém, ela ao menos dirigiu o olhar, demonstrando mais preocupação com as formigas que subiam em seus sapatos. Sim, ela estava desapontada com aquela conversa sem fundamentos do amigo. Nunca iria lhe convencer de que pular até altas horas da noite fosse algo saudável e garantisse notas boas no fim do semestre.

– Não insista. Eu não vou com você. – deu um olhar de relance, vendo o sorriso sexy do garoto. Aquelas malditas covinhas bem visíveis em suas bochechas.

– Me dê um bom motivo e lhe deixo em paz. – perguntou divertido, desviando uma mecha de cabelo da menina para trás da orelha. Os olhos escuros de Zoe se voltaram para cima, e ficou a analisar as folhas, esperando que uma resposta lhe viesse à cabeça. Motivos... Ela precisava de um ótimo motivo.

– Não sei dançar. – e foi a primeira bobagem que saiu de sua boca. Uma justificativa chula por sinal. Da maneira como as coisas andavam, qualquer vídeo aula no Youtube seria capaz de transformar um ser desprovido de movimentos, em pé de valsa. – E eu não bebo.

– Não precisa beber. – o garoto fez menção de deitar-se, e logo pôs a cabeça sobre as pernas da menina, erguendo o olhar de encontro ao dela. – E hoje em dia ninguém presta atenção nas danças. Normalmente as pessoas vão com outro intuito... Acho que deve imaginar qual. – ele sorriu maliciosamente. Um fogo percorreu as bochechas da garota, e ela suspeitou que estivesse com uma tonalidade alta de vermelho.

– Não quero voltar a fazer “essas coisas” antes do casamento. – referiu-se ao sexo. Seu semblante envergonhado com a confissão.

– Como é? – gargalhou Harry. – De onde tirou essas ideias absurdas?

– Não são absurdas! – abriu a boca, em choque. Quem era Harry Styles para dizer o que é certo ou errado para Zoe? – Se não fosse por sua causa, eu ainda seria... – falou rapidamente, mas recordou que não fora tão ruim perder a virgindade com o rapaz. – Esquece. – deu de ombros.

– Não, espera. – ele se sentou apressadamente, ficando próximo demais da menina. Agora ela teria de esclarecer o que iniciou. – Quer dizer que está arrependida de ter feito comigo? – indagou com medo da resposta que ouviria. No fundo, ele tinha absoluta certeza que não era tão ruim na cama. Estávamos falando de anos de experiência. Como Harry não aprendera a lição direitinho, sendo um aluno tão aplicado?

Intimidada com o impacto da pergunta, a menina desviou o olhar. Sua consciência estava dividida entre um sonoro sim, ou o verdadeiro não. Pouco lhe importava a reação do amigo. Ela mentiria só para acreditar que dessa forma se sentiria melhor.

– Sim.

Um misto de surpresa e decepção se fez no semblante de Harry. Piscou por diversas vezes, e quase se engasgou com a própria saliva. Estava tentando digerir a afirmação da menina.

– Desculpa Harry. – ela sussurrou, presenciando a situação do amigo. Que se encontrava com os olhos fitando um lugar qualquer, e as mãos sobre os joelhos, em posição de estátua. – Harry? – perguntou preocupada, passando a mão diante da visão do menino.

– O que eu fiz de errado? – cochichou para si mesmo. Ele rebobinou a noite em que transou com Zoe e procurava por algo que o denunciasse. Sempre carinhoso, voraz e acima de tudo quente. Sim, ele era muito quente. Mas, o que não agradou à moça? Harry necessitava conhecer. – Zoe... O que não gostou? – seu nível de preocupação tornava-se visível a qualquer um.

– Ahn? – a menina tentou desconversar. Talvez não fosse a melhor hora para mentir. Ela apreciou a tarde de estudos conturbada com o rapaz. – Na verdade, eu não sei ao certo o que não me atrai em você.

– Não minta para me agradar. – estalou. – Seja sincera Zoe Mitchell. – ergueu a sobrancelha.

– Okay! Eu não gosto do seu beijo. – falou sem pensar, chocando tanto o garoto como a si mesma. Não era exatamente isso que uma pessoa apreciaria ouvir. Que raios acabara de dizer? O beijo dele era bom... Extremamente bom. – Oh Nietzsche! – bateu na própria testa, se castigando. – Por favor, me desculpe Harry. Não foi exatamente isso que quis... – iria concluir o pensamento, mas o amigo parecia abalado demais, encarando o nada e tocando os lábios com o polegar.

– Caramba. Eu beijo mal. – murmurou decepcionado consigo.

– Esquece isso. – a menina se pôs na frente dele, segurando-lhe o rosto, e procurando coragem para fazer algo que revertesse o estado de Harry. Respirou fundo, contando uma sequência de dez números. O garoto simplesmente continuava perplexo acreditando piamente nas palavras de Zoe.

Apenas enterrou a mão direita na nuca dele e iniciou um beijo, que sequencialmente foi correspondido por Harry.

– Eu gosto do seu beijo. – ele murmurou, apertando a moça contra si. A maldita atração estava presente como nunca. Reativando todo o desejo que Harry teimava em ocultar. Ele jogou Zoe com cuidado contra a grama, sem importar-se com o restante dos alunos que observavam a cena. Logo, o beijo se tornara apressado, e o garoto já havia retirado o blazer, ficando acima da menina novamente. – Puta merda. É realmente delicioso. – gemeu, chupando-lhe o lábio inferior.

Com as mãos, Zoe deslizou pelo comprimento dos braços de Harry, apertando seus bíceps. Ele estava com uma perna entre as dela, quase roçando o membro em sua saia. Sentiu mãos próximas aos seios, e viu que o garoto desabotoara o primeiro botão da camisa, descendo para o seguinte. Eles não podiam fazer sexo no pátio do colégio. Seria motivo para expulsão.

– Não Harry. – ela o empurrou devagar. Ainda afetada com a necessidade em que ele a tomava. – Todos estão nos olhando. – e havia um circulo de estudantes ao redor do casal. Um misto de expressões confusas, espantadas e curiosas, a observar no que daria aquele beijo.

– Ei! O que perderam aqui? – esbravejou o rapaz, fazendo com que metade dos alunos se afastassem. – Vamos, saiam! – ele se levantou, dando a mão para a amiga fazer o mesmo. Subitamente a prendeu contra árvore, segurando-a pelos pulsos. O olhar assustada da garota, demonstrava o quão confusa estava sendo aquela situação. O que Harry queria a mantendo tão perto de si? – Me diz como gosta de ser beijava. – sussurrou ao pé do ouvido.

– Nós somos amigos Harry. Lembra? – ela tentou afastá-lo com cuidado. – Não podemos ficar nos beijando.

– Eu sei. – ele suspirou decepcionado, descansando as mãos na cintura da menina. – Mas é que você me deixou muito confuso... Ninguém nunca falou que beijo mal.

– Desculpe. – segurou-lhe o rosto, encarando os olhos verdes agora tristes. Zoe gostaria de dizer que aquilo não se passava de uma mentira, e que o beijo dele não possuía defeito algum.

– Não precisa se desculpar. – fitou o chão, com a voz embargada. – Acho melhor irmos para a sala. – desviou, pegando a mochila recostada na árvore.

– Espera Harry. – correu atrás dele, entrelaçando as mãos em seguida. O garoto deu um meio sorriso e Zoe sentiu a culpa desmoronar em seu peito. Como concertar aquele erro? – Eu aceito ir à festa com você. – comentou, sabendo que depois se arrependeria por dizer tal coisa. Mas, apenas estava tentando amenizar a tristeza do amigo. E havia realmente conseguido, quando vira as covinhas novamente em suas bochechas, exibindo aquele sorriso que lhe derretia por completo.

– Obrigado. – ele beijou sua bochecha.

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