O Novato

Zoe Mitchell era a nerd que ajudava os calouros a se adaptarem à rotina escolar. Ela seria monitora de Harry Styles, o mais recente novato. Entretanto, sua vida ganhou uma reviravolta quando o garoto absurdamente sexy resolveu exercer seu poder sobre ela.

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1. 1° Dia

É a segunda vez que Zoe analisa os dados na folha branca que trás em mãos. Seus olhos vidrados no nome do garoto, ao qual será monitora. Ela ajeita os óculos de grau no rosto, e checa o comprimento da saia azul-marinho. Está curta demais para seu gosto, mas não tivera culpa se a máquina de secar resolvera diminuir o comprimento em cinco centímetros. A camisa branca de linho e o blazer cinza estavam impecáveis como de costume. A menina teria de passar credibilidade, e nada melhor que uma boa produção.

Por mais que esse fosse o terceiro aluno que auxiliara durante o ano, seus nervos estavam à flor da pele, imaginando se ele seria grosso como os outros dois. Zoe sempre fora taxada como a nerd da escola. O que lhe obrigava passar maior parte do tempo isolada em sua mesa na cantina. Conseguira construir poucas amizades em quatro semestres de estudo. Todos os amigos foram afastados para turmas diferentes, e mais uma vez ela se mantinha sozinha. Sem companhia alguma. A não ser os próprios livros de ciências da natureza.

Tomou coragem e adentrou pela grande porta do colégio. Seus cabelos escuros e soltos se estendiam até a cintura. A pele clara demais demonstrava que não tomara sol por muito tempo. Mas, aquilo não podia ser intitulado como verídico. Pois os pais possuíam uma casa de praia nos EUA. Apenas o antissocialismo não a motivara a visitar a América.

Sua visão parou em um garoto de cabelos castanhos e encaracolados, que segurava alguns papéis e estava encostado no armário dela. Logo matutou que seria o tal novato e partiu rapidamente para cumprimentá-lo. Um dos seus deveres era tratar bem todos os seus aprendizes. Sua bolsa de estudos dependia de uma boa conduta e trabalho acadêmico.

‒ Você deve ser o Edward, não é? – ela cutucou o garoto, que olhava para o outro lado do corredor. Automaticamente, seus olhos focaram na garota parada à sua frente. Ele sorriu e passou a mão no cabelo.

‒ Harry... Me chame de Harry. – pediu gentilmente.

‒ Oh sim, me desculpe. É que vi Edward na sua ficha cadastral. – a menina deu um sorriso fraco, desculpando-se pelo erro. No fundo seu subconsciente jogava dezenas de reclamações.

‒ Sem problema. – ele deu de ombros, colocando as mãos no bolso da calça social.

Zoe analisou o menino por um instante e percebeu o quanto era bem abençoado. Pensou que ele poderia facilmente se enturmar com os populares, pois possuía um corpo bonito e rosto angelical. As lideres de torcida adoravam seres assim. Seus pensamentos se desnortearam quando ele tocou em sua mão, passando uma pequena corrente elétrica, que a fez arrepiar os pelos dos braços.

‒ Então... Você ainda não me disse seu nome. – Harry sorriu, mostrando as covinhas em seu rosto. A menina sentiu as bochechas corando, mas tratou de se recompor. Ela não deveria deixar-se influenciar pelo charme do garoto. Ele nunca a daria uma chance. Não a uma simples CDF.

‒ Zoe Mitchell. – falou suavemente, livrando-se do seu toque. – Sou sua monitora. Espero que possamos nos dar bem durante as próximas duas semanas. – olhou para o armário, demonstrando para Harry que precisava pegar algo.

‒ Oh sim. Nos daremos muito bem. – ele deu alguns passos a frente, entendo o recado da menina. – Como faço para encontrar minha sala? – questionou baixinho, por trás dela.

‒ Vou ajudá-lo com isso também. – suas mãos retiraram dois livros do armário cinza, desequilibrando um porta-lápis que lançou-se sobre o pé da garota. – Aristóteles! – gritou ela.

‒ Como? – Harry fez uma careta confusa, observando Zoe se abaixar para recolher o material. Prontamente, se pôs a ajudá-la. – Você costuma chamar seus lápis de Aristóteles? – indagou divertido.

‒ Oh não. – Zoe deu uma risada. – Costumo trocar palavrões por nome de pensadores. É uma mania idiota, mas tudo bem.

‒ É interessante. – ele depositou os objetos que tinha pegado no porta-lápis que estava sobre o piso encerado.

‒ Você quis dizer estranho. Eu sei. – seu tom de voz mudou de contente para um grau fraco de melancolia. Todos naquele lugar a consideravam como a esquisita. No fundo Zoe sabia que estavam certos. Pois qual o ser habitante no planeta Terra, usaria filósofos como mascaramento a termos ofensivos?

‒ Mas, eu não disse. – Harry se defendeu, aproximando-se da menina e lhe estendendo a mão para ajudá-la a se levantar. Ele era o primeiro menino a ser amigável e tentar estabelecer um contato. Porém, Zoe ainda tinha um pé atrás em relação a Harry. Ele mudaria totalmente quando conhecesse Zayn, o capital do time de futebol.

‒ Seu cérebro pensou em dizer. – e ela pôs a mão por cima da dele, sentindo a reação que seu toque causava. Era algo bom e extremamente esquisito. Passava-lhe confiança e proteção.

‒ Acho que estou ficando com medo de você. – comentou debochadamente, ficando ambos de pé. – Realmente está me provando que é estranha. – ele riu.

‒ Com o tempo se acostumará comigo. – deu um leve tapa no ombro dele. – Mas então Edward, nós temos que ir para a sala. O sinal já vai soar.

‒ É Harry. – corrigiu ele, sem soltar a mão da garota, que agora estava guardando os lápis no armário.

‒ Desculpe. É que gastei horas no banheiro tentando decorar seu segundo nome. Não sou boa com essas coisas. – ela deu um meio sorriso, virando-se para ele. – Bom o que acha de conhecermos o 3º B? – perguntou animada.

‒ Tudo bem. – suspirou Harry, sem humor.

‒ Só uma pergunta antes de irmos para sua classe. – ela olhou para a mão entrelaçada na dele. – Você costuma segurar a mão de todas as meninas que acabou de conhecer? – ergue uma sobrancelha, fitando o rosto de Harry.

‒ Somente as que me interessam. – mordeu o canto dos lábios. Zoe não entendera o significado do seu comentário, mas resolvera levar na esportiva. Ela não acreditava que Harry estivesse mostrando segundas intenções. Nenhum aluno deu bola para ela, e não seria o novato que demonstraria estar interessado.

Ambos subiram dois lances de escadas para o piso do terceiro ano. Zoe aproveitou para lhe apresentar a biblioteca e a cantina. Harry indagou sobre o nome de algumas alunas. Ele parecia estar entusiasmado para arrumar amizades rapidamente.

‒ Apresentou-lhe o 3º B. – ela estendeu a mão, apontando para a sala. – Espero que tenha um ótimo primeiro dia. – deu-lhe as costas, caminhando para sua classe.

‒ Ei, você vai me deixar aqui sozinho? – Harry agarrou no braço dela, girando-lhe para ele.

‒ Estarei na sala ao lado. – Zoe explicou. Seus corpos estavam próximos, e Harry não parava de fitar sua boca. – Qualquer coisa é só gritar. – sorriu. A expressão do garoto permaneceu séria. Logo ela imaginou que havia falado alguma bobagem e se castigou mentalmente por isso. – Maquiavel. – sussurrou, olhando para baixo.

‒ Ahn? – murmurou Harry, erguendo o rosto da menina com o polegar. – Algum problema? – seu dedo deslizou pelas bochechas, agora rosadas. Zoe estremeceu com a carícia.

‒ Oh não. Eu estou bem. – esboçou um sorriso sem graça, desviando-se de Harry. – Tenho que entrar. – encolheu os ombros, fazendo uma expressão de decepção. – Nos vemos no intervalo. Se quiser é claro. – foi andando de costas, até que esbarrou na parede, sentindo o impacto. – Pitágoras! – fez uma carranca, batendo o pé no chão. Harry balançou a cabeça em negativa e abafou um sorriso. Ele realmente estava apreciando observar sua monitora atrapalhar-se com qualquer coisa.

            Harry Edward Styles viera estudar em Londres após a promoção que a mãe recebera no trabalho. Ele e Gemma – sua irmã mais velha – foram matriculados em colégios diferentes. O garoto estava acostumado à vida pacata que tivera em Holmes Chapel. Morar na capital era demais para ele. Estava imensamente encantado com a beleza da cidade e com tudo que poderia conhecer. Zoe Mitchell seria sua nova supervisora, segundo o diretor Wilson. Não passava pelos pensamentos de Harry, que a menina pudesse cativá-lo de imediato. Seu desastre era uma das coisas que lhe chamava atenção. Ela aparentava ser uma moça boa, e ele queria algo mais que uma simples amizade.

Seu ego precisava provar que ele conseguiria a menina que almejasse, independentemente de ser a mais oferecida ou difícil do colégio. E Zoe se classificava nas intocáveis. O que lhe atraia compulsivamente.

Enquanto um plano mirabolante se fazia na cabeça do garoto para conquistar a monitora. A mesma estava concentrada em resolver as questões de matemática. Seus dedos rabiscavam cálculos sobre números complexos. Havia queimado dezenas de neurônios com a primeira alternativa. Porém, não poderia perder a bolsa por falta de esforço.

Zoe fechava o caderno, concluindo o exercício, quando o sinal do intervalo soou. Arrumou a saia e saiu pela porta. Sentar na cadeira da frente dava-lhe a bênção de ser uma das primeiras a abandonar a classe. Ela deu um sobressalto quando encontrou Harry a esperando, com um grande sorriso no rosto. Seus dedos se juntaram aos delas, e se dirigiram à cantina, no segundo andar.

Aquilo estava ficando estranho para Zoe. Foi quando resolvera retirar a mão da dele, e manter uma distância considerável. Não que meninos não lhe atraíssem, mas um dos conceitos que colocara na cabeça, era que não deveria alimentar ilusões por seus colegas de classe. Tampouco àqueles que lhe prestava monitoria. Apenas um garoto fazia seu coração rejeitar as concepções. E ele nunca a notaria. Já que estava ocupado admirando as populares.

A menina arrastou sua bandeja até a mesa, sendo acompanhada por Harry.

‒ Não precisa sentar comigo, se não quiser. – comentou, bebericando o sanduiche de carne.

‒ Por que não? – perguntou curioso, puxando sua cadeira para mais perto. – Não gosta da minha companhia?

‒ Não é isso que quis dizer, Harry. – explicou-se. – Você terá chances de conseguir amigos se tiver contato com aquelas pessoas ali. – apontou para a mesa de Zayn. Harry virou-se e observou os garotos rindo e conversando alto. Haviam meninas sentadas no colo deles. – Eu não me importo se quiser ficar com eles. – sussurrou.

‒ Ei, você está me expulsando sabia? – ele se ajeitou na cadeira, sorrindo para a menina.

‒ Não estou. – franziu as sobrancelhas.

‒ Não é o que está parecendo. – Harry mordeu o sanduiche.

‒ Tudo bem. Desculpe. – ela rolou os olhos.

‒ Preciso da sua ajuda. – o garoto falou de boca cheia. – Sou um asno em física.

Zoe riu, engasgando-se com o suco de laranja. Harry levantou-se e bateu nas costas da menina, que tossia desesperadamente.

‒ Descartes. – ela tentava pronunciar, sem fôlego.

‒ Pare com isso. – repreendeu o menino. – Seus filósofos estão me dando nos nervos.

‒ Sinto muito. – encolho os ombros, cessando o ataque de tosse. Sequencialmente, Harry acomodou-se de volta em sua cadeira e reiniciou a comer. – Precisa de aulas particulares?

‒ Com certeza. – seus olhos encararam os olhos escuros dela. – Pode me ajudar? – perguntou vagarosamente, testando seu poder de sedução. – Por favor. – mordeu o lábio inferior.

‒ Posso sim. – respondeu com desdém, sem esboçar nenhum afeto pelo tom de voz sexy de Harry. Ele sabia que conquistá-la seria um desafio, mas estava disposto a utilizar todas as armas possíveis. Harry não era o tipo que desistia na tentativa inicial. Ganhar continuava sendo seu maior objetivo.

‒ O que acha de me dar umas aulas hoje à tarde?

‒ Hoje? – ela arregalou os olhos. – Mas, estamos no começo do semestre. Os professores nem passaram os conteúdos.

Por essa, Harry não esperava. Ele tinha de arrumar uma desculpa. Uma boa desculpa por sinal. Como tentar se aproximar de Zoe, sem que ela percebesse de cara suas intenções?

‒ Por isso mesmo. – concluiu o lanche. – Não quero sentir tanta dificuldade como nas minhas outras escolas. – fez uma cara triste, fazendo com que a garota sentisse pena dele.

‒ Tudo bem. – suspirou. – Vou lhe dar meu endereço. Podemos nos ver as cinco, okay?

‒ Perfeito. – abriu um largo sorriso, vitorioso.

Quando chegou em casa, Harry se esparramou na cama e ficou fitando o teto por um período longo de tempo. Tudo estava começando a entrar nos eixos. Ele conquistaria Zoe facilmente e logo a dispensaria como fez com todas as outras. O problema estava em como encantar a garota. Charme, ele possuía de sobra. Entretanto, ela aparentava ser complicada, do tipo que não se ilude com qualquer um.

Havia um vestido sobre a coberta da cama de Zoe. Ela soltou a toalha em que se enrolara e passou a vestir as peças íntimas. Cedo aprendera que se deve auxiliar o próximo em suas necessidades. Com isso, não sentia remorso por ter oferecido apoio ao colega.

Às quatro horas da tarde, Harry pegou o carro da mãe e seguiu rumo ao endereço da monitora. Sua visão se projetou no retrovisor do veiculo, e um sorriso se fez em seus lábios. Ele realmente estava impecável em jeans skinny preto e camisa branca, deixando à vista seus músculos, ganhos com exercícios diários. A voz feminina ecoava no GPS, alertando sobre quais ruas adentrar. Seu pé pisou fundo no acelerador, rodando rapidamente pelas avenidas de Londres.

Zoe terminava de pentear os longos cabelos negros, arrumando-os em um coque. O vestido florido de alças finas ficara perfeito em seu corpo magro. Enquanto esperava por sinais do garoto, ela pegou alguns livros de física, colocando-os sobre a escrivaninha em seu quarto. Poucos minutos depois, o som da campainha ecoa, fazendo com que desça apressadamente as escadas para atender.

‒ Oi. – Harry mordeu o canto do lábio, fitando por inteiro o corpo da menina. Ela sentiu um formigamento nas bochechas e logo um desconforto tomou conta de si.

‒ Oi Harry. – sussurrou, dando-lhe passagem para entrar. – Podemos ir para o meu quarto. – disse timidamente, mostrando as escadas para o piso superior.

‒ Você está linda. – comentou, seguindo-a.

A menina corou mais uma vez. Ela sabia que Harry só poderia estar louco ou coisa pior. Ninguém a achava linda. Digamos que seus atributos não lhe faziam levar à perfeição ou padrão exigido pela maioria da população masculina.

‒ Obrigada.  – cochichou.

Ambos sentaram-se nas cadeiras à frente da mesa. Zoe abriu um dos livros, apresentando-lhe o capítulo sobre Carga Elétrica. O garoto apanhou o caderno para fazer anotações, fingindo descaradamente o interesse pela matéria. A menina sorriu e iniciou a explicação. Vez e outra, ele tocava na mão dela, acariciando os nós dos dedos com o polegar. Ela simplesmente tentava fugir, mas Harry não se dava por vencido. Não depois de ter conquistado o que queira.

‒ Vou procurar mais alguns exercícios na internet. – falou Zoe, ligando o notebook. – Nada melhor do que praticar.

À medida que os olhos escuros da garota verificavam o nível das questões encontradas, Harry empurrava discretamente sua cadeira para perto. Seu queixo repousou no ombro de Zoe e ela pode sentir o calor da respiração em choque com seu pescoço. Um arrepio percorreu sua espinha, fazendo-lhe estremecer. Harry percebeu o estado que causara na moça, e tomou a iniciativa de provocar-lhe um pouco mais.

‒ Eu gosto do seu cheiro. – seu nariz roçou no ombro dela, chegando ao pescoço sequencialmente. Zoe fechou os olhos e respirou pesadamente. Harry não estava jogando limpo, e ela teria que obrigá-lo a parar. – É inebriante. – beijou-lhe a nuca. A garota deu um impulso para frente, sentindo todo o corpo respondendo ao toque quente do menino. Seus lábios eram macios e lhe tocavam precisamente em lugares estratégicos.

‒ Harry... – sua respiração era ofegante. Ela estava a ponto de se contorcer no assento.

‒ O quê? – a língua dele percorreu sua orelha, dando uma leve mordida no lóbulo e puxando o pequeno brinco com os dentes. – Diga-me. – suas mãos a agarram por trás, erguendo-lhe da cadeira.

‒ O que está fazendo? – ambos ficaram de pé, e Harry a puxou contra si, colando os corpos. Suas mãos apertaram os ombros de Zoe, e rapidamente sua boca se alocou no pescoço dela, chupando fortemente. – Pare Harry. – ela lançou a cabeça para trás, relutando às sensações que o garoto estava lhe fazendo sentir.

 

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