We are love

A girl travels to Italy to spend her school holiday with her aunt. But shw didn't know that she would find much more than she can imagine: real love.

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10. O baile (The masked ball)

Ainda dia 24/01 (still 24/01)

 

“Você...”digo.

“Você é a brasileira, não é? Como é bella!”, o menino com um sorriso tortamente charmoso me responde.

“Eu conheço você. Te vi na televisão, de óculos vermelhos.”, digo.
“Si, si... Mio nome é Piero” responde, me ajudando a levantar e limpar os cacos que ainda estavam em minha mão.
“Está bem, cara mia? Se machucou?”, diz, limpando os estilhaços da minha mão.
“Não, não, está tudo bem. Temos que limpar isso aqui...Ah! Prazer, Piero... Desculpa pelo encontrão! Você participou do programa...É cantor então? Que legaaaal!” falo animada.
“Como é seu nome mesmo?” perguntou.
“Giulianna. Mas é a primeira vez que te falo meu nome.” respondi.

“É che Gian já havia parlato sobre te”, ele diz, sorrindo maliciosamente torto.

“Ah! Ah, entendi. O Gian... Gianluca? Você o conhece?”
“Você realmente não nos conhece... Interessante!”, diz Piero.
“Desculpe, não conheço.” digo honestamente.
“Somos um trio de tenores, fazemos o que chamamos de pop lírico. O nosso trio chama-se Il Volo”, responde.

“NÃO! Il Volo? Il Volo que se formou naquele programa que estou louca para assistir, o Ti lascio una canzone? Não brinca! Vi várias notícias sobre vocês!” digo animadíssima!
“Si, si, esse mesmo!” responde Piero sorrindo bastante.

“Eu não estou acreditando, que legal! E quer dizer que Ignazio está aqui também???” pergunto.

“Si, está! Epa, mas como sabe o nome dele e não o meu?”

“Desculpe, eu conseguir guardar o nome de um só quando lhes vi na propaganda!” digo, rindo.

“Falando sobre Gian, o qu...”

Piero foi interrompido por minha tia, que pegara um microfone e começava um anúncio.

“Ciao, amici! Hoje teremos uma surpresa especial! Já que este jantar está sendo uma festa tão linda...” Titia é interrompida por aplausos e ovações, em concordância ao que ela falou sobre a festa.
“Obrigada, obrigada! Então, já que estamos tendo uma bela diversão, que tal aumentarmos a emoção? Vocês, meus queridos, devem saber que, aqui na região de Vêneto, existem os grandiosos, glamorosos e tradicionais bailes de máscaras! E hoje, eu tenho a honra de sitiar um desses românticos bailes aqui, na minha casa!”

Mais aplausos, assovios e gritos de aprovação.

“Por favor, queridos, venham até a mesa de música para pegarem suas máscaras! QUE COMECE O BAILE!”
“Ma che ideia estupenda! Adoro bailes de máscara!”, diz, animado, Piero.

“Minha tia tem umas ideias muito boas! Vamos lá, Piero?, digo.
Chegando lá, vejo minha amiga Morgana, já pegando uma linda máscara roxa.
“Amigaaaaa, que bom que você veio!”, digo.
Morgana me olha e abre a boca. Olha para mim, olha para Piero. Olha para mim, olha para Piero.
“Que foi, amiga? Tá tudo bem?”pergunto.
“É...É...É...É...” ela balbucia.
“Engasgou, bella?”diz Piero, sorrindo lindamente e passando sua mão pelas costas de Morgs.

“É... Giu... É... Piero! PIEROOO!” diz Morgana, se jogando em Piero em um apertado abraço.
“Meu... Será que eu era a única que não conhecia esses meninos?” digo para mim mesma.

Piero sorri enquanto abraça Morgs e diz “Acalma-te, bella, tutto está bem!”.
Um fofo.
Enquanto escolho uma máscara vermelho escuro, para combinar com meus sapatos, chega Ignazio.
Um estonteante rapaz, alto, elegante e com um gracioso cavanhaque. Chega sorrindo e brincando com Piero: “Ê, Barone, mas já?”, diz, mostrando os dentes.
“Ê, Ignazio, tu non vive sem me, han?” diz e sorri.
Morgana duplica o choque.

“Vovovovo...você!” diz, abraçando também Ignazio. “Giulianna, você está em sérios problemas por não me contar nada disso!” diz, virando-se apontando o dedo para mim.

“Buona notte, pessoal” diz uma voz que soa como música aos meus ouvidos, irremediavelmente conhecida.
Gianluca aparece para juntar-se aos amigos. De smoking e gravata azul marinho, os cabelos elegantemente arrumados ‘a la Elvis’, a mesma barba por fazer que vi um pouco mais cedo naquele dia e o mesmo rosto divino. Os olhos muito verdes pularam de seus amigos para mim.
Ele levanta a taça em minha direção e diz: “Uau, Giu. Está... Está belíssima...”.

“Obrigada, Gian”. Respondo, sem graça.

“Gi.........Gi..........G...” tenta dizer Morgana.

Agora ela entra em choque mesmo, pensei.

“Depois bella, depois!” diz Piero para Morgana, passando os braços sobre os ombros dela e dizendo a Ignazio: “Vamos procurar um garçom para pegarmos algo para beber, Nazio?”.
“Mas minha taça está chei...” diz Ignazio, antes de ser propositalmente cortado por Piero.
“VAMOS procurar um garçom para pegarmos algo para beber, NAZIO?????” diz Piero, falando entre os dentes.
Saem os três e Morgana dá uma olhadinha para trás e me diz, apenas mexendo a boca: “isso é real???”.
Gian olhava com a boca entreaberta para mim enquanto eu me despedia de Morgana, lhe desejando boa sorte.

Quando me virei para ele, ele olhou para baixo, envergonhado. Fixou os olhos no fundo da taça como a coisa mais interessante do mundo estivesse lá.

Fiz o mesmo.

Ele resolveu amenizar o clima.

“Então... A festa está muito boa, não é?” diz.

A música começou a tocar. Tocava Matinatta.

“Olhe só, está tocando a nossa versão de Matinatta!” diz Gian, orgulhoso.

Eu escutei um pouco da música. Não era possível que aquelas vozes fossem reais.

“Gian... Que vozes você e os meninos têm! Estou absolutamente pasma! É realmente angelical!” disse, tentando (inutilmente) conter as lágrimas que estavam prestes a rolar.

“Oh, bella! Obrigada pelos elogios! Sei que são sinceros e... Mas o que foi? Porque choras?” pergunta, postando sua cabeça bem em frente à minha e olhando-me nos olhos.

“Desculpe, Gian, essa música me traz lembranças de meu nonno... Ele... Ele era tudo para mim” digo, chorosa.

“Oh, cara mia... Eu entendo-te. Tenho grande afeição por mio nonno anche (também, em italiano).” Disse, e quando disse, tinha compaixão em seus olhos verdes com pontinhos pretos.

Abaixei a cabeça e pensei em meu nonno. Cada palavra, gesto e ensinamento seus ainda permanecem em mim. Impossível esquecer a primeira vez que estive na praia, por exemplo. Quem me levava pela mão era ele. Impossível esquecer que, todo domingo, quando ele me levava a restaurantes para almoçar, ele me deixava escolher o restaurante. E eu sempre escolhia o mesmo. Mesmo assim, ele me perguntava, para que eu aprendesse a formar opinião. E, depois desses almoços, eu sempre pedia um gibi da banca ao lado. Ele fingia surpresa, mas sempre me dava. Impossível esquecer o incentivo que ele me deu a vida toda para estudar... Quando eu pensava em lhe pedir algum livro, ele já estava com ele a postos... Isso e muitas outras coisas são impossíveis de esquecer. E eu nem quero esquecê-las.

Fui tirada dos meus pensamentos pelos aplausos, quando era finda a primeira música e percebi que estava aos pratos. Percebi também que Gian falava comigo, e que eu não respondia.

“Oh, desculpe, Gian, eu estava pensando em tudo que passei na vida, me bateu uma saudade de casa e...” digo soluçando, mas Gian me interrompe num abraço.


Ele me abraça e eu sinto o mundo girar, sinto que não existe festa, nem pessoas, nem música... Naquele momento, só existe nós dois.

Solto meus braços cruzados e o abraço de volta. Sinto cheiro de roupa limpa e de perfume importado. Estou com a cabeça encostada em seu peito e sinto sua mão passar pelos meus cabelos. Estou no céu.

Sua outra mão está na minha cintura.

Ele me segura firmemente contra seu corpo e me sinto protegida. Pela primeira vez estando com um garoto, me sinto completamente segura.

Não quero que esse momento acabe. Nunca mais.

Mas minha tia não fui muito minha amiga nessa hora. Ela pega novamente o microfone.
“Ciao, amici! Gostaria de pedir aos meus queridos garotos do Il Volo que nos presenteassem com suas magníficas vozes, agora, ao vivo! Per favore, ragazzi! Venham aqui!” diz.

Ele suspira um pouquinho. Acho que também aproveitava o momento.

Ele me solta lentamente e dá um sorriso quando nos olhamos.

“Eu tenho que ir” diz rindo.

“Eu sei, tudo bem. Cante bem bonito” digo.

“Pode deixar” responde.

E ele vai.

Cante bem bonito? Que tipo de coisa para se falar é essa? Que tipo de coisa para se falar é essa para GIANLUCA GINOBLE?
Estou realmente muito doida.

Enquanto ria sozinha de mim mesma e pensava no momento pelo qual eu tinha acabado de passar, sinto uma mão postada em meu ombro, e quando olho...

“Cherrie. Eu vim me desculparrr pelo modo como falei com você... Ou melhorrr, pelo modo como te deixei falando sozinha. Estou com outros prrroblemas, prrroblemas com minha mãe, não tem nada a ver com você, Giu. Me desculpe.” diz Henry.

“Ah, tudo bem, Henry. Está tudo certo.” digo, admirando sua atitude de se desculpar.

“Você aceita dançarrr essa música comigo? Como demonstrrração de amizade?” pergunta.

“Claro” respondo. Afinal, ele é meu amigo, já me ajudou muito e está pedindo desculpas.

Os meninos cantam lindamente ‘Luna Nascosta’, segundo ouvi Morgana gritar ao meu lado, aproveitando como legítima fã o show quase particular dos garotos.

Henry curva-se à minha frente antes de pegar minha mão e conduzir-me numa valsa.

Ele não é lá essas coisas como dançarino. Mas pelo menos tem ritmo, rs. No meio da música, o celular de Henry toca. Ele me pede licença e olha no visor.

“É minha mãe.” Diz. “Devo atenderrr, pardonne moi, Giu” diz, visivelmente decepcionado.

“Sem problemas!” digo.

A música acaba e logo começa outra. É Andrea Bocelli (não ao vivo). Ah, que música linda.

É uma música romântica, as luzes estão baixas, está bem escuro, só existem as luzes das velas dentro dos candelabros nas paredes.

Enquanto fecho os olhos para apreciar a melodia, Henry volta. Passa as costas do dedo indicador em meu rosto e abro os olhos.

Ele estende a mão para continuarmos nossa dança. Pego em sua mão e valsamos novamente.
Ele dança diferente, agora. Conduz muito melhor. Uma dança suave, tranquila. Suas mãos são macias, não havia notado isso antes.
Me segura com uma mão e me gira com a outra. Sorrio e ele sorri também. Debaixo das máscaras, não víamos os olhos um do outro. Mas eu podia jurar que sorria com os olhos também.

Ele está feliz, imagino que tenha resolvido seu problema com sua mãe.

Mas seu sorriso está muito diferente...

Será que...

“Henry?” pergunto.

Ele para. O sorriso some de seu rosto. Tira a máscara e vejo Gianluca.

“Não, não é o Henry” diz, virando-se de costas.

“Gian, espere, eu achei qu..”digo, mas era inútil, ele sumira em meio aos convidados.

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