Primadonna Girl

Você ainda não consegue acreditar que conquistou o seu lugar na competição. Até agora não caiu a ficha que você pode ser a primeira vencedora da versão brasileira do X Factor. Você consegue o seu prêmio, não o que você imaginava, algo muito melhor e mais duradouro. Há realmente males que vem para o bem?

(You still can not believe you won your place in the competition. So far not sunk in that you can be the first winner of the Brazilian version of the X Factor. You get your reward, not what you imagined something much better and more enduring. There are evils that really comes to the well? Is it a blessing in disguise?)

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1. Prólogo.

Meu nervosismo era inversamente proporcional ao tempo que ainda restava para a minha vez. Aquela contagem regressiva parecia estar na velocidade da luz, assim como meus batimentos cardíacos, que aumentavam de forma preocupante. A garota que andava de um lado para o outro na minha frente só piorava a situação. Desejava imensamente que ela conseguisse logo abrir esse maldito buraco no chão e sumisse pra dentro dele até o inferno.

Não havia conseguido evitar olhar para o relógio no mínimo quinze vezes no último minuto, sentindo-me em uma daquelas cenas de filmes de ação, quando a mocinha olha para a contagem regressiva da bomba-relógio, esperando o herói bonitão vir cortar o fio que pararia a contagem. O que, com a minha sorte, provavelmente resultaria no prédio todo indo pelos ares.

Depois de horas na fila – poucas se comparadas com as pessoas que chegaram depois das 8 – faltavam apenas seis pessoas até a minha vez, tempo suficiente para o meu nervosismo chegar a níveis astronômicos ao observar o quão sem graça eu era em comparação àquelas pessoas, as quais eu não queria ter que chamar de concorrentes. Antes de mim havia uma garota cheia dos lenços e colares, estilosa ao extremo com seu look Madonna-pós-moderna, algo sem comparação ao meu jeans surrado e falta de adereços; um garoto que se vestia à la Brad Paisley, porém mais parecia o Brad Pitt, outra característica incomparável a minha apatia e falta de charme; e uma senhora (ou senhor?) com uma potência vocal Beyoncé-ish e um alcance que causaria inveja a Mariah Carey, sem comentários.

Enquanto eu me arrependia por não ter aceitado que minha prima me produzisse (por não ser nem um pouco fã de paetês e cílios postiços), chegou a vez do cowboy garboso. Não sou muito a favor dessa moda sertaneja, com bota, espora e pinta de herói (sim, eu citei Victor e Léo, processe-me), mas preciso admitir que o Brad ali estava uma graça, eu praticamente conseguia ouvir a música tema de "the good, the bad and the ugly" enquanto ele caminhava até a porta. Ele parecia... Perigosamente sexy, devo dizer.
Foi nesse meio tempo, entre fantasias inapropriadas com Brad e batalhas internas por conta da dúvida se eu deveria ou não ter deixado a Vanessa me embonecar com suas maquiagens grudentas e suas roupas curtas, que o assistente de palco nos avisou sobre os próximos a entrar.

Só uma pessoa. E eu.

Depois do que me pareceu uma eternidade, o assistente chamou a minha atenção e me disse para ir em frente. Pelo menos era o que ele parecia dizer, porque tudo parecia um borrão e soava como uma interferência dentro da minha cabeça. Ele chegou mais perto e estalou os dedos na frente dos meus olhos, perguntando algo diversas vezes e então, sem perceber, eu me levantei e fui até a porta. Parecia estar no piloto automático, não tinha ideia de como estava me movendo e aparentemente não tinha controle algum sobre minhas ações.

De repente o silêncio, parecia que tudo a minha volta havia paralisado e eu me sentia em câmera lenta. Minha mão alcançou a maçaneta e eu fiz força para puxá-la.
Às vezes, se prestar muita atenção, você quase consegue ouvir aquele momento que sua vida muda.

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