Sombras do Destino

Garota rebelde tem que enfrentar os erros e os acertos da vida com sua família após a morte de seu irmão mais velho

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6. Declarações

Declarações

Naquele exato momento senti que havia resgatado minha relação com meu pai. A mesma que tínhamos antes de tudo. Minha família estava pronta pra se apoiar e se amar novamente. Não sei ao certo como, mas acordei como de costume no meu quarto. É muito provável que meu pai tenha me carregado no colo até em casa após eu ter adormecido em seus braços. O sol escaldante enganava que já passava das dez, quando na verdade mal tinha dado oito horas da manhã. Meu coração bateu aliviado ao encontrar meus pais tomando café da manhã à mesa. Nos últimos tempos essa era uma cena rara. Brindei-os com um sorriso tímido, sendo correspondida pela minha mãe num abraço.

- Eu te amo sabia? – eu disse confiante sabendo que todas as palavras que feriram, magoaram e todas as outras divergências haviam ficado para trás.

- Eu também querida. – ela me beijou a testa, enquanto meu pai movia-se na cadeira para olhar pro lado de fora, após uma suave buzina chamar sua atenção.  Girou bruscamente na cadeira e seguiu para abrir a porta na iminência de alguém batê-la.

- Olá Sr. Melbrook. Amanda está? – a voz inconfundível de David Zemecks, me fez dar um salto. Eu e minha mãe nos entreolhamos com apreensão, observando meu pai esquivar o corpo para que o oficial entrasse. Retirou um papel de sua pasta e antes que o estendesse na minha direção, meu pai se apossou dele. Sua fisionomia não demonstrava boas notícias, então me postei ao seu lado e tomei o papel de suas mãos.

- O que acontece agora Sr. Zemecks? – meu pai indagou, enquanto minha mãe permanecia ao meu lado como um apoio.

- A juíza vai definir uma nova audiência para reavaliar a sentença de sua filha e decidirá mediante os novos relatórios o que será feito. Eu sinto muito Mandy, você estava indo muito bem. – ele foi sincero esfregando os óculos como de costume, enquanto meu pai assinava o documento. Zemecks e eu nunca tivemos muita simpatia mútua, mas eu sabia o quanto ele passou a torcer por mim.

 – Vou adicionar meu relatório nessa nova audiência. Espero que isso ajude. Bom dia a todos.

- Obrigado David. – meu pai agradeceu fechando a porta atrás dele. Observou minha mãe abraçada a mim e não rejeitou se juntar a nós quando minha mãe lhe estendeu os braços. Surpreendentemente não senti medo ou fraqueza. Mas sabia que estava mais forte do que já estive antes.

O ar fresco da manhã revigorou meu dia e cheguei até o haras dos Mcdowell na expectativa de encontrar Dylan por lá. O que para minha infelicidade não ocorreu. Fazia quase uma semana que não o via e por mais que eu tentasse fugir, não podia deixar de admitir que sentia saudades do moleque. Caminhei por alguns minutos e nem me dei conta de que estava dentro do estábulo; frente a frente com Black Jack. Instantaneamente fui tomada por um desejo incontrolável de tocá-lo, mas a dúvida e por que não dizer, o medo me fez recuar. Será que estaria desonrando a memória do meu irmão ao tentar uma aproximação? O pensamento veio como um raio à minha mente e a angústia da resposta me consumiu por um momento. O enorme manga larga me observou profundamente nos olhos, como se enxergasse o fundo da minha alma.

- Por muito tempo eu te odiei, mas depois do que houve essa semana, não te quero mais mal. – minhas palavras pareciam ter sido entendidas pois rapidamente ele pôs a cabeça bem próxima do alcance de minhas mãos na cocheira. Depois de alguns segundos, me rendo ao meu desejo e o acaricio lentamente no seu focinho. Seu pêlo, sua força e beleza. Todas essas qualidades me deixam encantada, quase hipnotizada. Mal percebo a presença de Dean ali.

- Você é lindo! – eu exclamo num sorriso, enquanto Dean me surpreende.

- Você é mais. – ele diz se aproximando de mim, me arrancando um tímido sorriso.

- Não te vi chegar. Tem alguma noticia do Dylan? – eu indaguei indecisa observando ele se aproximar cada vez mais. Senti uma determinação em seus olhos e convicção nos seus passos firmes. Tentei manter a distância entre o que sentia por Dean com medo de me machucar, mas nesse momento parece que as coisas estão andando fora de controle.

- A Sra. Davis não o trouxe mais após o incidente. – sua resposta foi objetiva, enquanto pude sentir o ritmo da minha respiração aumentar descompassadamente.

- Já esperava por isso. Estou com saudades dele. – eu praticamente sussurrei as palavras, mais preocupada com a aproximação de Dean, do que de fato lidar com a falta de Dylan.

- Eu realmente sinto muito Amanda. Não queria te prejudicar. – ele foi sincero segurando uma das minhas mãos. Dean agia como se houvesse apenas uma única chance de resolver o que estava implícito entre nós, me deixando confusa.

- Eu sei Dean. É a única certeza real que tenho hoje. Que você vai estar sempre aqui pra me ajudar. Você é o melhor amigo, que alguém como eu poderia ter. – eu não tive coragem de mirá-lo nos olhos e minhas pernas bambearam quando ele puxou meu corpo contra o seu. Calor. Calafrio. Falta de ar. Desejo incontrolável emanando do meu corpo. Tudo ao mesmo tempo. Minha mente já não conseguia processar o que acontecia ao meu redor.

- Há muito tempo que não te vejo mais só como amiga Amanda. – impulsivamente ele segurou o meu rosto, me forçando a fazer contato visual. Me peguei perdida em seus imensos olhos azuis e nada mais do que euforia tomava conta de mim.

- Do que você está falando Dean? – eu já não conseguia ordenar meus pensamentos. Estava tudo confuso e literalmente mágico também.

- Eu te amo Mandy. Eu te amo. – minha indecisão teve fim quando senti o gosto quente dos seus lábios contra os meus. Uma febre começou a percorrer meu corpo e de suave passamos a um caloroso beijo, que me deixou sem ar por alguns segundos. Encosto minha testa na dele e ao fitá-lo expresso um desejo de preocupação por alguns segundos.

- Pode me fazer um favor? – digo mordendo o lábio sem tirar meus olhos dos seus

- Faço qualquer coisa por você. – ele me disse com um leve beijo na ponta do meu nariz. Dean me abraçou com carinho e jurava que poderia permanecer ali pra sempre se fosse possível. Mas não era.

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