Desmortos

Desmortos conta a história de Lorena, uma garota que sempre desejou ser invisível e que não gosta do que acontece quando o seu desejo é brevemente atendido: ao ser atropelada e morrer. Aquilo que supostamente seria o fim de sua vida acaba se tornando o começo de uma jornada muito mais complicada do que poderia imaginar: ela se tornou um zumbi e acorda numa gaveta de necrotério. Contudo, ela não estará sozinha nessa jornada, Lucas, um garoto fantasma irá guiá-la através desse admirável mundo novo onde os restaurantes possuem um cardápio especial para os sem vida, vampiros gostam de pantufas e uma república abriga aqueles perdidos entre o mundo e o Mais-Além. Lorena será jogada numa arena no Limbo, obrigada a enfrentar criaturas de todos os planos de existência e ainda encontrar um jeito de fugir. E como se isso não fosse o suficiente ela irá descobrir que existe um pouco de vida após a morte. Curta a fanpage! Facebook.com/livrodesmortos

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1. Prólogo

Parte 1 - Nascer

 

And hey, you, don’t you think it’s kinda cute
That I died right inside your arms tonight
That I’m fine even after I have died
Because it was in your arms I died.
(Mother Mother – Arms Tonight)

 

Goodbye my friend
Life will never end
And i feel like you
And i breath on truth
Love is the life breath of all i see
Love is true life inside of me
And i know you somehow
As i hold you in my heart, in my heart
(Anathema – Internal Landscapes)

 

 

 

Prólogo - Onde tudo começa e acaba ao mesmo tempo

 

 

O enorme e colorido fone da Skullcandy não ajudava, chamando mais atenção na rua do que considerava aceitável. Gostava de se sentir invisível. Diferente, sim, do resto das pessoas, mas queria que simplesmente a ignorassem, que não reparassem no cabelo desgrenhado, na calça colorida ou em sua jaqueta de vinil. As pessoas provocavam ou davam risadinhas, mas ela sempre se fazia de surda.

 

Por isso o fone de ouvido.

 

A maneira perfeita de matar instantaneamente milhares de pessoas: Era só plugar no mp3 e aumentar o volume, que tudo o mais deixava de existir. “Death Cab For Cutie” estava tocando quando seu desejo finalmente foi atendido e alguém resolveu ignorar a sua existência. Naquela noite, o motorista não a viu atravessando a rua. Ou passou por cima dela mesmo assim.

 

Lorena se lembrava de livros e filmes onde os personagens morriam em paz ou não sentiam dor ao deixar a vida. Aquela, para ela, era a maior mentira de todas. As pessoas deveriam saber, diria ela, que morrer dói e que nenhum anjo bonito irá aparecer pra levar você. Não irá tocar uma música bonita e não surgirá uma luz branca.

 

Ela nunca se esqueceria da parte exata da música que tocava quando o carro a acertou: No blinding light or tunnels to gates of white.  Eles estavam certos. Não havia nada. Ou pelo menos, nada de especial. Substitua a luz ofuscante por estrelas ao bater a cabeça e os túneis e portões pela escuridão total depois do primeiro baque. A música angelical é facilmente substituída por gritos de transeuntes, pneus derrapando e ossos se partindo. A parte boa é que o carro a matou bem rápido e só precisou aguentar alguns segundos da dor. A parte ruim... bem...

 

Lorena não tem uma história bonita: Ela não é linda, popular e delicada de cabelos sedosos - pintara-os de tantas cores diferentes que estavam ressecados e manchados. A falta de preocupação com cremes e protetor solar não a deixou com a pele mais perfeita do mundo. Era baixa e os olhos eram escuros, além de precisar dos grandes óculos de armação vermelha para enxergar.

 

A história de Lorena também não é uma história de amor, e caso você esteja se perguntando, o trecho acima não é o final da história, mas sim, o começo.

 

E por último, a morte de Lorena não tem um final feliz.

 

A última coisa que ela ouviu antes de apagar definitivamente foi parte do refrão da música: I’ll follow you into the dark.

 

Alguém a seguiu pela escuridão.

 

O “Death Cab For Cutie” acertou de novo.

 

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