Submundo

Narra a estória de um rapaz morador do subúrbio carioca que trabalha com informática e precisa realizar uma série de alterações nos sistemas de sua nova empresa. Em pesquisas via internet, ele descobre que os melhores especialistas nas áreas em que ele necessita de ajuda, pertencem ao submundo hacker e essas pessoas são praticamente inacessíveis. Ele consegue fazer contato mas A Polícia Federal está no encalço de todos e nosso protagonista "dança junto". Eles começam a trabalhar para um grupo secreto do submundo do governo brasileiro, recuperando dinheiro desviado por políticos desonestos através de infiltração nas instituições bancárias. A PF oficialmente não sabe de nada e coloca toda sua equipe de peritos no encalço dos mesmos. O banco lesado contrata consultorias externas para procurá-los. Os políticos e seus asseclas os caçam para eliminá-los. O submundo cria um grupo especial de agentes extremamente letais para protegê-los. Em pouco tempo, cria-se um caos.

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5. Apertando o cerco

Linda dirigia pela avenida Brasil na pista da esquerda em alta velocidade. Giroscópio de luzes azuis aceso grudado no teto, farol alto e muita paciência com o trânsito pesado. Dirigia um Toyota Corolla negro com os vidros escuros e o dourado escudo da Polícia Federal na porta. Estava a todo vapor em direção a central, no centro do Rio. Havia recebido a informação que seus seus suspeitos, ou “seus meninos”, como gostava de chamá-los, haviam cometido um deslize que permitiu que os localizassem fisicamente. Como especialista em segurança e crimes cibernéticos essa era o tipo de notícia que fazia o sangue correr mais rápido nas veias, afinal de contas, ela tinha trabalhado muito tempo nesse caso.

Corria contra o tempo. Os agentes tinham que agir rapidamente. Não sabiam se suspeitavam de algo. Um grupo já havia se preparado para uma batida no local e ela estava na dúvida entre deixá-los partir e correr para fazer parte daquilo. O trânsito estava pesado e o celular debaixo da coxa vibrava a todo instante. O grupo que iria sair não podia revelar o destino e ao mesmo tempo temia que a demora resultasse em fracasso e Elisa com seu senso de responsabilidade falando mais alto liberou-os para partir e amaldiçoou o universo por não estar na central justamente na hora em que se concluiria toda sua investigação.

A Polícia Federal no centro do Rio de Janeiro, abriga-se em uma edificação antiga, grande, que tomava todo o quarteirão e possuí apenas uma entrada central em forma de pórtico, onde a guarita com acesso controlado por grossas barras de ferro, dá entrada a um pátio central de estacionamento. Toda a edificação e salas ficavam ao redor desse pátio. Linda quando entrou, viu a vaga vazia do furgão da equipe de batida. Ela ainda tinha a esperança de estarem se preparando. Socou o volante com raiva e gritou:

— Merda!

Ela era a líder daquela investigação e agora teria que ficar restrita a sala de comunicações para acompanhar o andamento da batida no local identificado.

No primeiro contato com a equipe, recebeu a informação de que estavam a cinco minutos do objetivo e pediu para falar com o agente local.

— Bom dia Carlos, aqui é a Linda. Como estão as coisas no ponto?

— Até o momento não houve nenhum tipo de movimentação. Tudo está calmo. A senhora vai perder a festa?

— Não pude, acabei de chegar. Fique atento e nos informe assim que o furgão chegar.

Linda continuou na coordenação da operação.

— Alguém por favor me ponha em contato com a equipe que identificou a origem do tráfego de dados? Quero saber se ainda existe algum tipo de atividade na rede e se eles estão operando nesse momento.

— Carlos chamando! A equipe chegou. - No mesmo instante a central recebeu uma comunicação da equipe da VAN.

— Chegamos no ponto!

— Quem está no comando do grupo da batida? - Perguntou Linda.

— Aqui é o Monteiro. - Linda respirou e ficou mais tranquila. Monteiro era um dos mais antigos agentes na operação. Bastante experiente e calmo. Tinha uma equipe muito boa. As coisas estavam caminhando bem. Ela adoraria que ele estivesse disponível naquela noite no edifício no centro do Rio. Ela terminou aquela operação desacordada sem saber o que acontecera. Havia sido um fracasso e o “meninos” simplesmente desapareceram sem deixar rastros. Um varredura total no prédio e no ao lado não resultaram em nada.

— Monteiro, está com o mandado de prisão e fotos de todos? - Perguntou Linda.

— Não senhora. Estou com toda toda documentação aqui mas não deu tempo de pegar o mandato.

— Merda! Gritou Linda.

— Central, estamos prontos para subir. Aguardando autorização. - afirmou o Monteiro.

— Aguarde um instante, estou esperando confirmação de movimento no local. - Nesse instante um outro operador confirmou que os registros de log da rede informava plena atividade.

— Monteiro, pode prosseguir com a invasão mas cuidado para não chamar muito a atenção, pois não estamos com o mandado.

O edifício alvo, era um prédio residencial de classe média com porteiro e grades na entrada. Possuía cinco andares e o alvo estava no último. Eles tinham que chamar a atenção do porteiro e garantir que ele não avisasse para ninguém da chegada da polícia. Por sorte, ele estava atrás das grades, molhando as plantas da portaria com uma mangueira. O primeiro agente, sacou um Teaser e mostrou o distintivo para o porteiro que ficou olhando a meia distância sem saber o que fazer. O agente falou:

— Qual o seu nome amigo?

— Carlos.

— Pois bem, o meu também é Carlos. Você é o porteiro do prédio?

— Sim senhor. - Respondeu com um olhar desconfiado, já olhando tudo a volta.

— Eu sou da Polícia Federal e gostaria que você abrisse o portão pois recebemos uma informação de que bandidos entraram nesse prédio.

— Quem disse?

— Não lhe interessa, abra a porra do portão. - O agente falou sem mudar o tom de voz, o que deixou Carlos em dúvida, pois no geral bandidos sempre são nervosos e esse homem falava pausadamente olhando em seus olhos, tinha um distintivo, um colete e uma arma no coldre.

Nesse instante o grupo de mais seis agentes se aproximou do portão e o porteiro viu ao fundo a VAN da Polícia Federal. Enfim, viu que era verdade e puxou uma chave da cintura para abrir a passagem.

Linda escutou pelo radio:

— O apartamento pertence a Carla Mendes Soares, viúva. Só um instante… tem setenta e seis anos e mora sozinha.

— Isso não está certo, você tem realmente certeza dessa origem? - Perguntou Linda.

— Foi confirmado pela operadora. O endereço IP pertence a essa residência.

— Monteiro está na escuta? - Perguntou Linda.

— Sim, escuto, alto e claro.

— Onde vocês estão?

— Estou aguardando o elevador com um suporte e o outro grupo indo pelas escadas enquanto o retaguarda ficou na portaria.

— Monteiro, acho que é alarme falso ou que estão usando a rede dessa senhora. Converse com a moradora de maneira bastante informal. Não a deixe entender. Faça o possível para conseguir uma breve busca em seu apartamento. Não a assuste que sairemos disso rapidamente.

— Tudo bem, deixe comigo.

— Monteiro, mais uma coisa - afirmou Linda -, deixe o microfone aberto para acompanharmos.

O grupo de apoio e a central a partir desse momento passaram a escutar o áudio proveniente do líder, o Monteiro. Ele era um policial das antigas. Já quase se aposentando depois de três décadas na polícia. Era branco, alto, algo em torno de um metro e noventa, cabelos escuros com vários fios prateados, sempre de barba bem feita e uma voz de tenor. De hábito refinado, tinha como passatempo favorito a pescaria, o que lhe deixava com um bronzeado eterno. Para sua idade, estava muito acima do padrão esperado, o que despertava uma certa curiosidade e interesse nas mulheres de todas as faixas etárias. Já havia passado por três casamentos e tinha seis filhas. Todas com os seus olhos azuis. Ele era muito sério e não brincava no trabalho. Sua inteligência, porte e experiência, o pusera sempre em tarefas de campo mais refinadas, tais como a prisão de figurões e políticos. Linda sabia disso e o deixou a vontade para tratar com a moradora.

Todos escutaram a campainha do apartamento. A porta se abriu e uma senhora se cabelos brancos, pijamas e um roupão apareceu. Havia uma corrente de segurança limitando a abertura da porta. Monteiro não esperou que ela falasse e iniciou o diálogo com um lindo sorriso no rosto.

— Bom dia. A senhora deve ser a Carla, correto?

— Sim, sou eu, porque? - Respondeu a senhora desconfiada.

— Olá, meu nome é Monteiro. Está tudo bem com a senhora?

— Sim, o que o senhor deseja? Porque o porteiro deixou você entrar? - Nesse instante alguma voz no circuito disse que o nome do porteiro era Amarildo.

— Não se preocupe senhora Carla, o Amarildo me deixou subir porque eu sou uma autoridade policial em missão aqui no seu prédio e ele me disse que a senhora morava aqui sozinha. Eu fiquei preocupado, pois houve rumores de que alguns bandidos correram por essa rua e naturalmente a senhora sabe que as vezes eles se escondem nos prédios e dentro dos apartamentos das pessoas. Eu vou mostrar para a senhora a minha carteira funcional. - Monteiro, abriu a carteira e colocou a mão dentro do apartamento para que ela visse sua foto e o distintivo.

— Sim, estou vendo, seu nome é Monteiro.

— Mil perdões dona Carla pela minha falta de educação. Eu não me apresentei, é verdade, que lapso o meu. Mas a senhora me perdoe, acho que foi a pressa e vir ver se estava tudo bem e esqueci os bons modos. Sim, meu nome é Monteiro e já trabalho na polícia desde novo. - Nesse instante Monteiro viu em um canto da cozinha, um grande crucifixo e um santo com uma pequena luz azul iluminando-o. A senhora Carla mantinha a porta com a corrente se segurança sem abrí-la mas prestando atenção a tudo que fazia.

— E está tudo bem com a senhora, dona Carla.

— Sim, tudo bem.

— Entrou alguém no seu apartamento e contra a sua vontade?

— Não ninguém entrou.

— Que bom, esses bandidos não respeitam ninguém. Para mim dona Carla, a nossa casa e a nossa família são coisas sagradas e graças ao nosso bom Deus ele me deu uma linda família e seis filhas. - A senhora arregalou os olhos e disse:

— Caramba, seis filhas, que trabalhão em seu policial?

— Nem te conto, mas tem seu lado bom. Sempre pela manhã quando acordo, elas já fizeram o meu café. Juro para a senhora que é cheiroso como o seu?

— Caramba, é verdade, deixei o café no fogo. O senhor pode me esperar um segundo?

— Sim, claro. - Ela saiu e fechou a porta. Veio uma voz da central.

— O que houve Monteiro? Era linda perguntando e ele respondeu com a voz baixa e com a mão em forma de concha tampando o rosto.

— Ela bateu a porta e foi desligar fogão que parece estava esquentado café. - Uma outra voz surgiu nos headphones.

— Monteiro, não é pra convidar a velha pra sair nem pra escrever a sua biografia, só queremos dar uma olhada no apartamento e cair fora. Acelera essa porra porque gastei meu último saco de vômito. - Foi uma risada geral mas Monteiro ficou inabalável. Ouviu-se novamente o som da porta se abrindo com a corrente.

— Senhor Monteiro, desculpe a falta de educação. O senhor está servido? Quer um cafezinho?

— Claro, seria um prazer. - A senhora abriu a porta mas Monteiro não entrou. A conquista da confiança ainda não estava completa. O apartamento era do tipo que possui uma porta principal pela sala, comumente utilizada par recepção de visitas e outra porta que ingressa diretamente pela cozinha. Para utilização de empregados e para retirada de lixo sem precisar passar pelos outros cômodos. Era essa a porta onde estavam conversando.

— Venha, sente-se.

— Não precisa, não quero incomodá-la. - Uma voz saiu pelos alto-falantes de todos.

— Monteiro está louco? Entra logo!

— Silêncio na linha, a partir de agora ninguém mais fala a não ser o Monteiro. - Disse Linda.

— Então dona Carla, eu posso ficar aqui em pé não quero aborrecê-la.

— Que nada, pode sentar, vou pegar um banquinho. - Monteiro entrou na pequena cozinha.

— Tudo bem dona Carla, vou sentar aqui com a senhora a provar esse cafezinho cheiroso. Nada melhor que isso para começar bem o dia. - Deu um charmoso sorriso que parecia já estar fazendo efeito. Ela lhe entregou um pires com uma chícara e ela o apoiou na pequena mesa.

— Dona Carla, posso lhe fazer uma pergunta?

— Sim claro.

— Tem um funcionário meu lá no corredor tomando conta da porta de incêndio e eu acho que esse cheirinho maravilhoso já deve ter chegado lá. A senhora se incomodaria de eu chamá-lo para provar seu cafezinho também. Seria um pecado deixá-lo ali sendo torturado por esse aroma. Saímos correndo da central sem tomar café para atender esse chamado. Não poderíamos deixar que algo acontecesse com os moradores. Sabe como é, temos que primeiro atender as nossas obrigações, mas eu também gosto de cuidar bem dos meus funcionários.

— Mas é claro, pode chamá-lo sim. Vou pegar outro banquinho. - No instante seguinte estavam os dois muito sorridentes e provando o cafezinho da dona Carla.

— Nossa, esse cafezinho da senhora é realmente muito bom. - Afirmou o backup. - Minha sorte é que o Monteiro é um chefe muito legal e sempre cuida bem dos funcionários. Se fosse outro, me deixaria lá fora, só na vontade.

— Ah, que nada, muito obrigado.

— Dona Carla, posso pedir mais um cafezinho. Posso repetir?- Perguntou Monteiro.

— Mas é claro, eu fiz bastante.

— Hum, que bom, A senhora realmente tem um enorme coração. Sempre que tiver algum problema nessa rua, acho que esse será o prédio que vou passar primeiro. Nunca fui tão bem recebido.

— Ah, que isso, não fiz nada de mais.

— Mas dona Carla, posso lhe pedir um favor mais um vez?

—Claro.

— Enquanto eu aprecio esse cafezinho, posso pedir para o meu amigo ver se realmente está tudo bem no apartamento da senhora? Sabe como é, temos que garantir que ninguém entrou sem a senhora deixar. A senhora está sozinha né?

— Sim estou eu e Deus. - Monteiro, puxou a calça do Backup que largou a chícara na mesa e entrou na sala.

— Mas me conta, a senhora mora aqui desde quando? - Monteiro já havia ganho a confiança da senhora e agora queria a sua atenção para que o backup fizesse o trabalho livremente.

— Ah, desde solteira. Sempre morei aqui.

Nesse instante, o backup saiu da visão da senhora, levantou a lateral da blusa e retirou a pistola do coldre seguindo em silêncio de cômodo em cômodo. Revistou todos os armários e cantos onde poderiam estar escondida alguma pessoa. Viu que existia um único computador no quarto que estava conectado conversor de sinal de televisão. Pegou sua lanterna do cinto, ligou e olhou atrás do conversor. Anotou o número indicado na etiqueta do cabo. Apagou a lanterna e viu que o computador estava desligado. Pegou seu microfone e disse:

— Central, câmbio. Aqui é o Backup. O apartamento está limpo e o computador está desligado. Favor confirmar atividade.

— Confirmado. Está com atividade no momento.

— O central, vou retornar para o corredor. - O backup retornou para a sala e verificou que o ponto do quarto da senhora era o principal. A sala não tinha TV.

— Dona Carla, desculpe interromper - falou o backup que viu-a contando uma longa história para o Monteiro - a senhora fique a vontade, está tudo bem com o seu apartamento. Vou ficar aqui fora no meu posto. Obrigado por tudo. Monteiro continuou a conversa enquanto o backup abria a caixa de passagem do corredor. Identificou o fio com a mesma numeração. Viu que ele estava limpo e que chegava diretamente do telhado do prédio.

— Atenção central, vou seguir o fio. Preciso de alguém comigo.

— Autorizado. - Respondeu Linda.

Quando o segundo backup chegou, colocou um scanner encostado no fio e liberou o backup. Esse scanner tinha o formato de um pregador de roupa e se prendia no fio firmemente, sem precisar desconectá-lo. O backup ao chegar no andar de cima, abriu a caixa de passagem e tocou cada um dos fios com uma outra peça do scanner que enviava um sinal por contato. O scanner pregador, acendia uma luz quando o fio tocado acima, era o mesmo que ele estava preso, ajudando assim a identificá-lo. Esse trabalho foi sendo feito andar por andar, até o telhado, onde o backup viu que teria um pouco mais de trabalho.

— Atenção central. Existem mais de cem fio espalhados aqui no telhado. A identificação vai demorar um pouco.

— Backup, coloque um pregador no fio do telhado. Segundo backup, proceda em direção ao telhado. Monteiro, agradeça a senhora e vá para o telhado também. Identifiquem por onde esse fio está passando.

 

Depois de um longo trabalho de identificação dos fios em meio a toda aquela bagunça, viram que o mesmo se direcionava à sala de máquinas do elevador. Chegando lá encontraram algo novo.

— Atenção central. Encontramos na casa de máquinas dos elevadores, um repetidor de sinal com uma bifurcação. Eles estão usando o sinal da velhinha. Esse cabo está descendo para o outro prédio. Vamos acompanhá-lo.

— Vocês conseguem seguir pelo terraço? Perguntou Linda.

— Sim, os prédios possuem a mesma quantidade de andares.

— Então sigam.

 

Os agentes, foram acompanhando lentamente o caminho que era seguido pelo cabo coaxial branco. Andar no telhado dos prédios não é uma tarefa fácil. A quantidade de obstáculos e grande, assim como a desorganização das instalações de antenas e fios atravessando o caminho em todas as direções. Eles repararam que o cabo parecia estar seguindo em direção a casa de máquinas dos elevadores do outro prédio.

— Central, aqui é o Monteiro. Ao que tudo indica, o cabo parece estar descendo por esse prédio mas o acesso interno está trancado. Vamos precisar entrar pela portaria.

— Merda! - Exclamou Linda, pois sabia que sem um mandado as coisas são ilegais e mais lentas. - Estamos muito perto para desistir assim. Esses caras estão nesse prédio. Temos que conseguir nem que o cerquemos enquanto conseguimos um juiz.

— Central, só um instante. Estão me chamando aqui. - Falou Monteiro.

Nesse instante, um dos agentes mostrou para o Monteiro que o cabo entrava na sala de máquinas, dava a volta e saía pelo outro lado. Ele balançava o fio e nitidamente o via mexer no outro lado. Colocou um pregador no fio e subiu na estrutura para poder ver onde era a saída. Deitou no teto e esticou o braço tocando cada um dos fios pendurados para saber qual deles apitaria. Levou alguns minutos e conseguiu identificá-lo. Fez um acompanhamento visual para ver aonde ele chegaria.

— Monteiro, suba aqui um instante. - Disse o backup;

Ele não teve dificuldade de escalar a estrutura e se posicionar ao lado do backup. Daquele ponto dava para ver praticamente toda a região, o sol estava quente e o dia sem nuvens com um intenso céu azul. Via-se nitidamente o cabo coaxial branco e todo o seu percurso até um outro prédio. Lá se conectava a uma antena Omni.

— Central, aqui é o Monteiro. Descobrimos que o cabo segue para o outro prédio. Estamos tendo visada. Ele se conecta a uma antena Omnidirecional, ou seja, eles estão na região mas não sabemos em que local. - Se fez uma longa pausa de silêncio no rádio.

— Agora ela vai virar o capeta. - Disse o backup. - Estamos levando um sova desses muleques.

 

Linda, com uma expressão bastante séria se dirigiu às pessoas da pequena sala de operações e disse:

— Alguma sugestão? - recebeu novamente o silêncio.

— Pois bem. Monteiro, vamos fazer um pequeno teste. Corte esse fio e veremos se a conexão deles cairá. - Monteiro não pensou duas vezes, olhou para o backup que já lhe estendia um alicate. Cortou o fio sem dificuldades e deixou o cabo cair no vão entre os dois prédios. Ele bateu na parede do outro lado e ficou balançando ao ritmo de uma música que tocava em algum apartamento da região. Iria dar um certo trabalho para lançar novamente aquele cabo.

— Que música é essa? - Perguntou o backup - Ela não me é estranha.

— Led Zeppelin - respondeu o Monteiro -, Whole Lotta Love.

— Monteiro, pode trazer todo o pessoal de volta.- Era a voz de Linda - O tráfego de dados foi interrompido. Vamos deixar uma equipe vigiando o quarteirão. Obrigado pessoal. Foi por pouco.

 

Linda, levantou da cadeira, agradeceu aos presentes com um sinal de cabeça e saiu da sala. Parou na sacada, olhou para o estacionamento. Apoiou as duas mãos na superfície de concreto e respirou fundo. Relaxou, apoiou os cotovelos e abaixou a cabeça para pensar.

— Aqueles poucos garotos que inicialmente pareciam simples amadores, estão me proporcionando uma derrota atrás da outra. É nítido que eles estão evoluindo muito rapidamente. Isso não é normal. Estamos com vários profissionais que não conseguem pegá-los. Não nos faltam recursos. Estamos muito perto mas eles estão sempre um passo a frente. Eles não podem estar aprendendo isso sozinhos. Tem gente séria ajudando-os. Mas quem?

 

 

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