Caapora

Caapora recria a lenda do Curupira, eliminando as influencias nocivas do homem branco na cultura indígena, que só serviram para contaminar e corromper a pureza das lendas indígenas, cuja finalidade primordial parecia ser de ensinar e dar bons exemplos de vida.

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6. Os curumins perdidos

Tempos depois um grupo de caçadores entrou na floresta. Junto deles ia dois curumins, Peri e Iberê.

A taba estava passando por um período difícil, as colheitas haviam sido pobres, e não havia outro jeito senão caçar mais para saciar a fome de todos. Iam receosos, pois a lenda do caapora estava cada vez mais forte. Incidentes na mata eram atribuídos a ele, assim implantou-se o temor nos índios.

Aventuraram-se até mais fundo na floresta, onde encontraram caça abundante. Depois de conseguir a caça necessária, voltaram o mais rápido possível para a taba, não tendo sido incomodados. Somente quando estavam a salvo na aldeia, perceberam a ausência dos dois curumins. Alguns dos mais bravos guerreiros retornaram à floresta, onde passaram alguns dias procurando por eles, mas não tiveram sorte. Voltaram abatidos para a aldeia, e toda a tribo permaneceu dias em lamentação.   

Na floresta os dois curumins caminhavam sem rumo, parando de vez em quando para alimentar-se ou beber água. Estranhamente encontravam frutos caídos no chão da mata, por isso não sentiam fome. Acontecera que durante a caça, os dois se afastaram para ver um riacho mais à frente, e tentar pescar alguns peixes. Ao se aproximarem do riacho, viram encarapitada numa árvore caída uma grande onça, que dormitava preguiçosamente.

Tentaram retornar o mais silenciosamente possível, mas devido ao susto não acharam mais o caminho. Andaram muito, cada vez mais se afastando dos índios caçadores. Estavam cansados de andar, quando encontraram os primeiros frutos caídos, que serviram para matar a fome. Perto do escurecer, acharam uma moita de espinhos que escondia um vão entre pedras, onde passaram a noite.

No dia seguinte puseram-se novamente a caminhar, entrando cada vez mais mata adentro. Na tarde do segundo dia estavam perto de uma cachoeira, em cujas margens haviam muitas pedras, algumas formando grutas. Passaram ali sua segunda noite.   No terceiro dia já estavam desesperados, achando que nunca mais veriam de novo a aldeia. Água e comida não faltavam.

Não precisavam procurar muito, frutos caídos eram bons para comer. Mesmo sem esperanças, não desistiam de achar o caminho. Para complicar a situação, Iberê tinha prendido um pé entre pedras, e agora sentia dores fortes.   Quando o sol estava no alto do céu, os dois se achavam num emaranhado de arbustos e pedras, num lugar estranho que eles não tinham conhecimento.

De algum lugar ouviram um choro baixo. Ficaram intrigados com isso, e apurando os ouvidos, foram se aproximando do choro. O caminho entre as pedras estava cada vez mais confuso, e não sabiam como iam sair dali, mas a curiosidade era mais forte, e seguiram adiante. Depararam-se com uma clareira entre as pedras, limpa como a ocara de sua taba.

Então viram do outro lado da clareira uma estranha índia amamentando um bebê. Sua aparência era esquisita, tinha os olhos muito afastados. Estava distraída e não os vira. Arrepiaram-se de medo, e voltaram-se para o caminho de onde vieram, mas deram de cara com o caapora.

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