Nicolas e Elizabeth

Pode um amor cultivado desde criança resistir ao tempo e à separação? É verdadeiro ou ilusão de crianças? Promessas... o amor pode ser eterno...
(Até julho publicarei todos os capítulos - acompanhe)

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12. Recomeço

 

12 – Recomeço

 

Nico mal conseguiu cochilar durante a viagem. O pai contou tudo à mãe, ainda durante o almoço. A mãe de Nico ficou de preparar o quarto de visitas para Liza quando ela chegasse. Ia precisar de uma boa faxina, roupas de cama, mais um cobertor... e se perdeu nos preparativos. Nico mal prestava a atenção a essas coisas, estava ansioso para conversar com Liane, e isso poderia ser difícil. Somente agora ele pensou no quanto Liane poderia estar envolvida com ele. Sabia que ela costumava almoçar na faculdade e resolveu não perder tempo.

- Vai sair, filho?

- Vou, mãe. Preciso ir até a faculdade. Volto à noite. Tchau.

- Não fique fora até muito tarde, você mal descansou da viagem.

- Pode deixar, mãe. Não quero mesmo dormir tarde, preciso descansar bem, amanhã tenho aulas importantes e preciso recuperar as que eu perdi hoje.

A lanchonete da faculdade estava cheia de estudantes, quase não haviam lugares vazios. Liane tinha acabado de almoçar junto com três colegas de classe, e conversavam animadamente.

- Olá, Nico. Já de volta? Achei que fosse ficar por lá.

- Olá, Liane, olá meninas. Fofocando como sempre?

- Tá saidinho hoje! Que foi? Viu passarinho verde?

- Que nada! É o efeito cafezal. Liane, quero te contar uma coisa...

As colegas de Liane riram. Já sabiam daquela mania de Nico, pois era sua frase preferida quando queria falar de Liza.

- É particular?

- Não, nada disso... pensando bem... bem, para mim não é, mas acho que você vai ficar aborrecida comigo. Melhor deixar pra depois.

- Larga a bomba logo, Nico. Eu agüento. Aliás já estava esperando.

- Esperando o quê?

- O fim do nosso quase namoro. Com certeza vai querer se afastar de mim, não pega bem, Liza é ciumenta, e coisas desse tipo.

Nico ficou completamente embaraçado. Não esperava esse rumo na conversa. Ficou pensativo. As colegas de Liane sinalizaram para ela perguntando se deviam sair, mas ela fez sinal que não.

- Desculpe Nico, não quis ser grosseira. E esquece essa de fim de quase namoro, você sabe que é brincadeira. Sempre vou ser sua amiga. Não fica assim.

- Eu é que sou tapado, não consigo lidar muito bem com essas coisas. Estava tão empolgado comigo mesmo que não pensei em você.

- Conta logo as novidades. Estamos ansiosas. Deu tudo certo? Livrou-se dos pesadelos? Pelo seu jeito, acho que Liza não se casou nem foi para um convento...

- Não brinca, é coisa séria! Você me deixa sem jeito. É o seguinte: Liza vem para São Paulo e preciso arrumar um lugar para ela morar. Ficar em minha casa é... você sabe... vai ser... perigoso. Não sei se não vamos acabar fazendo uma besteira séria.

- Sei. Bem, se é só isso, quando ela chegar eu ajudo. Deixa esse assunto comigo, eu sei como resolver, mas só depois que ela chegar, está bem?

- Obrigado Liane. Você é demais. – Beijou-a no rosto duas vezes. – Viram, meninas? Liane sabe cuidar de mim direitinho...

As colegas se despediram, e Nico ofereceu-se para levá-la para casa.

- Ainda preciso contar uma coisa...

 

- Não fica com raiva de mim, tá bom? – iniciou Nico quando chegaram à casa de Liane. – Gosto muito de você,e não quero vê-la magoada.

- Não se preocupe, Nico. Te conheço há bastante tempo e aprendi a gostar de você de uma maneira diferente. Hoje quando te vi lá na lanchonete fiquei feliz, você estava muito diferente daquele Nico da semana passada... aliás, de todos os tempos. Você parecia alegre, despreocupado, brincalhão, uma outra pessoa, e eu gostei disso. Só uma coisa continua igual: quando você fica encabulado continua corando igualzinho ao velho Nico, e você fica lindo...

- Você é cruel...

- E aí, quais são as novidades?

- Vou resumir: como num sonho, Liza estava lá, mais bonita que antes, cuidando da vida da melhor maneira, e ficou esperando por mim todo esse tempo. Foi demais! Valeu a pena eu ter ficado preso a ela tanto tempo... o cafezal florido... o riacho morninho... só que...

- O que foi, alguma coisa deu errada?

- Não, não. É que foi tão forte que não nos controlamos mais. Fizemos uma enorme, gigantesca besteira... gigantescamente deliciosa besteira. É por isso que não queremos viver na mesma casa, não antes da gente estar preparado para ficarmos realmente junto. Entede nosso problema?

- Resumindo: depois de cinco anos separados, se reencontraram, fizeram sexo, e agora estão com medo do futuro? É Isso?

- Não é bem assim. Medo do futuro não. Medo de precipitar tudo. Você sabe, todos nossos momentos importantes foram juntos, então Liza e eu nos guardamos também para essa primeira vez, nossa primeira relação de verdade, e deixamos acontecer. Lembra quando te contei do nosso último acordo? Combinamos que, se isso acontecesse, iríamos ficar sempre juntos, e aconteceu. Por isso ela vem para São Paulo, para ficarmos juntos. No entanto ainda não é hora de todo mundo saber dessas coisas, por enquanto queremos curtir essa situação por algum tempo, não temos pressa de dar o próximo passo.

- Vocês são complicados.

- É simples de entender: se acontecesse, seríamos um do outro, como casados, quase casados. Agora somos um do outro. Para nós a situação de casados tem três partes: uma, é a legal, no cartório, papel passado, a outra é a benção de Deus, e a mais importante é a promessa entre nós, amar e respeitar, aquela coisa toda, que as pessoas que se casam repetem sem pensar, e que para nós é a mais importante.

- Então?

- Estamos na promessa entre nós que é a coisa mais importante. A benção de Deus acho que conseguimos, temos certeza que Deus é bom e entende a gente. Só fica a parte formal para depois, isso pode esperar.

- Entendi. E por que não querem ficar na mesma casa, já que estão tão comprometidos?

- Não queremos ficar de agarração por aí. Basta um tiquinho de cada vez, não queremos escandalizar ninguém, só queremos ser felizes.

- Está bem, entendi tudo. Meio complicado, mas entendi. Pode deixar que vou dar todo apoio, não se preocupe. Quando Liza chegar me avise.

- E... me perdoa, tá?

- Perdoar o que?

- Eu... de certa forma, nós... não sei, podia haver alguma esperança da gente ficar juntos, eu até pensava nisso, mas agora... acho que estou te magoando, eu não queria...

- Nico, desisti de você já faz tempo. Só não desisti de ser sua amiga. E você mais me ajuda do que ao contrário. É a única pessoa que confia em mim plenamente, e isso é muito bom. Relacionamentos sérios, só quero ter depois da faculdade, por enquanto tudo é brincadeira, por isso não se mortifique com essas coisas, está tudo bem.

- Obrigado, Liane. Você é uma grande amiga... quero dizer, uma grande quase namorada. Quase namorada porque faltou muito pouco para que eu... Liane, eu quase agarrei você de verdade... você não imagina como é... gostosa... mas agora... sempre vou continuar gostando muito de você. Me perdoa as besteiras, as bobagens que faço e as tolices que digo. – Nico abraçou Liane carinhosamente, e ela retribuiu.

 

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