Nicolas e Elizabeth

Pode um amor cultivado desde criança resistir ao tempo e à separação? É verdadeiro ou ilusão de crianças? Promessas... o amor pode ser eterno...
(Até julho publicarei todos os capítulos - acompanhe)

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5. Namorados

 

5 - Namorados

 

A semana passou tranqüila. Nico não teve pesadelos e estava de bom humor. Era uma sexta-feira, ele e Liane se encontraram na lanchonete e resolveram almoçar.

- Impressão minha ou você está de bom astral hoje? Te vi conversando com o todo poderoso Reitor, todo sorridente... – perguntou Liza.

- Hoje estou mais que pra cima! Tudo deu certo. Desde a semana passada estou tentando falar com o Reitor. Dr. Philomeno está sempre ocupado, e dificilmente é encontrado na Reitoria. Hoje tive sorte e consegui falar com ele.

- Deve ser coisa importante...

- E muito. Soube que o Professor “Taturana” vai promover um curso sobre Direito Empresarial e pedi a ele para me deixar participar como ouvinte. “Só com autorização do Reitor”, ele me falou, tremendo as pestanas. Hoje finalmente consegui a autorização.

- E quando vai ser?

- Talvez no começo do ano que vem, ainda não está definida a data. Já tem nome, vai ser o “Primeiro Curso Especial de Direito Empresarial”. Dr. Cláudio “Taturana” Lembo é especialista nessas coisas.

- Legal. Por que você se empolga tanto com isso?

- Aprender é sempre bom. E com especialistas, melhor ainda.

- Tá. Amanhã vê se não me acorda cedo. E à tarde quero ir a um cinema assistir um filme daqueles bem picantes, você vai me levar...

- Picante ou daqueles que tem só safadeza? Se for assim temos que ir a um cinema bem longe, se encontrarmos alguém conhecido vou morrer de vergonha.

- Deixa disso, você já é adulto. Ninguém vai ligar.

Uma colega de Liane entrou na lanchonete e foi até a mesa deles.

- Oi Nico, Liza...

- Olá, Patrícia. Tudo bem? Senta aí e almoça conosco. Como vai aquele chato do Frank?

- Não, obrigada. Hoje vou almoçar em casa. Só passei para dar um alô e te lembrar que o professor de Direito Civil adiou nossa prova e, como ele está gagá, esqueceu de avisar. E o chato do Frank está cada vez mais grudento.

- Não sei como você aguenta... Ainda bem que a prova foi adiada. Assim dá tempo de estudar um pouco.

- Até a semana que vem. Fiquem numa boa, namoradinhos...

Depois que ela se foi, Liane percebeu que Nico sorria.

- Que houve de tão engraçado?

- Nada não. Só lembrei de uma coisinha... foi no segundo ano de Liza na escola...

 

“Acostumamo-nos tanto a ficar juntos nas férias que não deixamos o hábito quando voltamos à escola no ano seguinte. Liza no segundo ano e eu no terceiro. Estávamos sempre perto um do outro, tanto que algumas crianças velhas começaram a dizer que éramos namoradinhos.

Certo dia, no meio do primeiro semestre, algumas garotas mais velhas começaram a nos atormentar no meio do pátio.

- Olha os namoradinhos! Nico e Liza são namoradinhos!

Isso atraiu a atenção de outras crianças, e logo estávamos cercados pelos gozadores.

- O que é ser namoradinho? – Perguntei a uma menina mais velha.

- É ficar agarradinho como vocês ficam. Sempre de mãozinhas dadas, pra lá e pra cá...

- É só isso?

- Tem mais coisas, mas vocês são muito pequenos para saber. Namoradinhos!

- Namoradinhos! Namoradinhos! – a turma repetia, achando graça.

- É só isso mesmo? E o que é que tem? – perguntei.

- O quê? – a menina ficou atrapalhada.

Então abracei Liza e lhe dei um beijinho na testa. Ela me abraçou.

- Se é só isso, então somos namoradinhos.

Parece que isso desconcertou a turma. Algumas meninas ficaram aos cochichos, outras simplesmente se afastaram.

- Ah, então tá... – falou a menina mais velha, já sem jeito, e se afastou. As outras crianças ficaram de cochichinhos, e aos poucos todos se dispersaram.

No domingo seguinte, estávamos descansando embaixo do ingazeiro, e eu me desculpei:

- Liza, naquele dia eu não queria dizer que a gente era namoradinho, só disse para não nos perturbarem mais. Me desculpe por ter te abraçado...

- Eu fiquei morrendo de vergonha, mas gostei do que você falou... e do abraço... e do beijo também.

- É... eu também gostei... Você acha que somos namorados?

- Não sei... acho que essa coisa de namorado a gente só vai saber quando crescer mais. Agora eu não sei...

- Nem eu. Então vamos ser amigos. Amigos de verdade. Tá bom assim?

- Tá... – e dizendo isso encostou a cabeça em meu peito. Abracei-a e acariciei-lhe os cabelos. Ficamos assim por um longo tempo, e acabamos cochilando. Quando acordei, minha perna estava formigando.

- Desculpe – disse Liza. - Acho que dormi em cima de sua perna...

- Não faz mal. Isso passa. Você pode dormir assim mais vezes. Eu gosto disso.

Apesar de alguns cochichos ocasionais, ninguém mais nos perturbou, e passamos ilesos até o final do ano. Foi um ano tranqüilo. O caminho pelo cafezal economizava uma boa caminhada, e aproveitávamos para uma pausa embaixo do ingazeiro, onde falávamos sobre trivialidades do dia.”

 

- Por isso achei engraçado quando sua amiga falou de namoradinhos. Liza tinha oito anos e eu nove, nem sabíamos direito o que queria dizer essa palavra.

- Vocês soltos pelo cafezal... sei não. Acho que fizeram muitas bobagens.

- Que nem as que você quer assistir amanhã? Não, isso a gente não fazia. Fazia parte da nossa promessa. Mas teve coisas...

Nisso três colegas de Liane chegaram à mesa, e a conversa se desviou para assuntos da Faculdade. Mais tarde os dois foram até o centro da cidade, procurar um livro de Direito Civil nas livrarias da Rua São Bento, e aproveitaram para passear um pouco pelo Largo São Bento, Pátio do Colégio, e chegaram até a Praça da Sé. A atração principal desses lugares eram os imensos canteiros das obras do metrô, que estavam desfigurando toda a cidade.

- Qualquer dia vamos dar uma volta de metrô para ver como é. Faz uns dias que inauguraram o primeiro trecho. Nico, como será viajar debaixo da terra?

Voltaram à noitinha e combinaram de se encontrar no dia seguinte, para assistir aos tais filmes que Liane queria.

 

 

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