Nicolas e Elizabeth

Pode um amor cultivado desde criança resistir ao tempo e à separação? É verdadeiro ou ilusão de crianças? Promessas... o amor pode ser eterno...
(Até julho publicarei todos os capítulos - acompanhe)

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13. De novo juntos

 

13 – De novo juntos

 

Liza chegou na segunda-feira seguinte, já quase noite. Nico atrasou-se para suas aulas por ter ficado até muito tarde conversando com ela. Na Faculdade estava eufórico, seus colegas estranharam a mudança dele, mas poucas pessoas sabiam o motivo. No final das aulas, Nico quis que Liane o acompanhasse até em casa para conhecê-la e almoçar com a família. Liane, ainda que apreensiva, aceitou o convite. Liza, a mãe e o pai de Nico estavam conversando na sala esperando por eles. Percebia-se a apreensão dos pais de Nico, que temiam algum desconforto tanto de Liza quanto de Liane, uma, a namorada que esperou cinco anos, outra uma quase namorada. Liza estava de pé quando Nico entrou, seguido de Liane:

- Liza, eu queria te apresentar Liane, minha... – parou no meio da frase, ficando extremamente corado.

Baixou a cabeça, e com a mão no rosto, começou a rir descontroladamente. Liza tentou manter-se séria, mas logo em seguida gargalhou alegremente.

Os pais de Nico estavam terrivelmente embaraçados e não sabiam o que dizer. Liane, sem entender, olhava para os dois, esperando uma explicação. Finalmente Liza controlou-se.

- Desculpe, Liane. Eu sou a Liza, você já sabe tudo sobre mim. Você é Liane, a quase namorada de Nico, ele me contou sobre você. Disse até que gostava muito de você, e essas coisas. Prazer em conhecê-la. Desculpe-nos por esse descontrole. É que, semana passada, eu e Nico discutimos por sua causa, claro, não era de verdade, e eu disse a ele que apostava que um dia ele iria me apresentar a você, dizendo todo encabulado: “Liza, eu queria te apresentar Liane, minha quase namorada”. Agora ele fez tudo igualzinho, do jeitinho que eu tinha falado... é demais!

- Para com isso, Liza, dá um desconto! Você que é uma cigana, advinha tudo que eu vou fazer, depois me põe nessa situação. Desculpe Liane, eu acho que me atrapalhei...

Liane abraçou Liza, e também começou a rir. Os pais de Nico suspiraram aliviados.

- Prazer em te conhecer pessoalmente. Sabe, Nico é muito romântico, sempre fala em você com lágrimas nos olhos. Mas vejo que nunca exagerou em nada. Você é linda como ele descreveu. É um cara de sorte.

- Vamos almoçar, Liane, Liza. Venham, a mesa já está pronta.

Foi um almoço agradável. Liza falava da fazenda, da sua cidadezinha, logo se interessou pela faculdade, pelo curso de Liane, pelas coisas da cidade grande. Liane, bem à vontade, respondia e perguntava, queria saber coisas da fazenda. Nico, depois de alguns embaraços, soltou-se e tornou-se brincalhão e espirituoso, complementava as informações de Liza como se houvessem combinado as falas, e tinha o riso solto, o que agradou imensamente aos seus pais e a Liane. Observou que Nico e Liza sentavam-se quase colados, e tomavam suco de laranja de um mesmo copo. Pequenos detalhes que fez Liane entender a força da relação entre os dois.

- Liza, Nico me falou que você ia precisar de arrumar um lugar para morar. Eu precisava te conhecer antes, mas já estava pensando na solução. Agora não tenho mais dúvidas, já sei o que pode ser feito: que tal você morar comigo? Se der, a gente divide as despesas. Minha casa tem quartos para nós duas, e eu posso te proteger das loucuras de Nico.

- Por que você não me falou disso? – Nico reclamou - Eu estava bastante preocupado com esse assunto.

- Por quê? Não é evidente? E se ela fosse uma pessoa difícil? Eu precisava conhecê-la antes, não é?

- Bem... é verdade. De repente se Liza fosse uma megera, não ia dar muito certo... e você não tem medo que ela seja ciumenta? Te puxe os cabelos? Olha que contei a ela tudo sobre nós...

- Nico! Que conceito você tem de mim!

- Vai dar tudo certo. Que tal se a gente for dar uma olhada em minha casa? Assim podemos conversar mais um pouco. Está cansada, Liza? Podemos voltar cedo para você descansar, ou se não estiver cansada, podemos ir ao cinema.

- Obrigado, Liane. Vamos sim ver sua casa. Gostei da idéia, mas hoje a noite prefiro descansar. Podemos ver a casa e deixar o cinema para outro dia.

Depois que os jovens saíram, o Pai e a mãe de Nico suspiraram aliviados.

- Ainda bem que tudo se ajeitou. Nunca senti tanta ansiedade. Poderia ter sido um desastre. Ainda bem que Liane é paciente e compreensiva.

- Liane e Nico sempre foram só amigos. E Liza é espirituosa e inteligente. As duas vão se dar bem. Nossa, quase tive um troço. Quando Nico começou a rir, pensei que íamos ter um escândalo aqui em casa.

- Ufa, que alívio! Nico mudou da água para o vinho nesses últimos dias. Devíamos ter deixado isso acontecer antes. Acho que eu estava errado, essa coisa entre os dois não é coisa de criança, isso vai longe...

 

 

 

Liane e Liza logo se entenderam. Liza escreveu para seus avós e estes mandaram-lhe dinheiro e recomendaram que abrisse uma conta bancária, onde depositariam mensalmente o suficiente para cobrir todas as despesas com acomodações e escola. Enquanto arrumavam o quarto de Liza, Liane comentou:

- Espero que não tenha pulgas. Outro dia Nico veio com uma hsitória de pulgas...

- Carinhos de mãe.

- Que disse?

- Carinhos de mãe. É o que me vem à cabeça quando lembro desse dia.

- É? Nico disse que foi o dia em que vocês aprenderam a perder a vergonha. – riu Liane.

- Foi mesmo. Mas para mim foi mais que isso. Sabe que perdi meus pais, não é? Nico deve ter contado. Assim nunca soube de verdade o que era ser cuidada por uma mãe. Dona Nena sempre foi muito carinhosa comigo, mas ela é avó.

 

“Quando tive catapora, a mãe de Nico ajudou a cuidar de mim e passava uma pomadinha cuidadosamente nos meus ferimentos para aliviar a coceira. Eu adorava aquilo, e achava que era assim que as mães faziam com as filhas. No dia das pulgas, Nico passava a pomadinha nas minhas picadas uma a uma, com todo cuidado. Acho que vovó nos deixou passar pomada só para fazermos alguma coisa, as mordidas das pulgas, pelo menos as da fazenda, não fazem nada, só fica uma pintinha que some no dia seguinte, não precisa tratar nem nada. Mesmo assim Nico tratava delas cuidadosamente. Até nas minhas coxas.

- Ei Nico, assim eu fico com vergonha. Você está me vendo toda.

- Dona Nena falou que não precisava sentir vergonha.

- Mas eu sinto. O que eu vou fazer?

- Ora, feche os olhos, assim você não vê eu olhando você.

- Mas você vai ver tudo!

- Não faz mal. Eu faço de conta que não estou vendo nada, está bem?

- Está...

E Nico tratou de todas as mordidas. Quando eu fiquei de costas, senti seus dedos acariciando cada pintinha e fechei os olhos, imaginando que aquilo era como os cuidados de uma mãe, e fiquei aproveitando aqueles carinhos.

Mas aí o danado achou que eu estava triste e resolveu brincar comigo, fingindo que matava pulgas com o travesseiro. Foi muito divertido, mas não esqueço mesmo é do carinho com que ele cuidou de mim. Carinhos de mãe.”

 

- Uau, Liza. Vocês não existem! Acho que são o último casal ultra-romântico do mundo!

- Nico é especial. Bem que tentei esquecê-lo, mas não teve jeito. Acho que estamos grudados um no outro.

- E nossa promessa também nasceu daí. Não deveríamos sentir vergonha um do outro, mas também não fazer bobagens.

 

 

 

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