Dicas para Narrativas

por , Quinta-feira Novembro 28, 2013
Dicas para Narrativas

Que estilos usar

Pode ser que haja uma forma de narrativa que lhe é natural, ou se calhar já tentou diferentes abordagens para diferentes histórias. Eu normalmente uso a primeira pessoa no passado.

 

Já tentei narrar no presente e na terceira pessoa, mas não me saía naturalmente.

 

Para aqueles que não sabem, a primeira pessoa é quando por exemplo escrevemos “eu fiz o seguinte”, a terceira é quando dizemos por exemplo “ele fez o seguinte”. A primeira pessoa soa como se estivesse falando directamente com o narrador, que costuma ser o protagonista da história, na terceira pessoa o narrador é mais invisível e não se envolve na história – como se o narrador estivesse a contar uma história que aconteceu a outra pessoa.

 

Se estiver curiosa, a segunda pessoa é quando escrevemos “você fez o seguinte”, mas não funciona com narrativas longas, talvez para um conto ou um segmento de uma história maior, mas não para todo o texto, simplesmente não funciona.

 

Como sempre, há vantagens e desvantagens em ambos métodos e a solução - é claro - é encontrar aquele que serve melhor para a história que vai contar. A primeira pessoa permite uma relação mais íntima entre o narrador e o leitor, mas a terceira pessoa permite ao leitor saber coisas que a personagem não sabe. Com a primeira pessoa o leitor sabe tanto quanto a personagem e inteira-se dos acontecimentos à medida que estes se desenrolam, por isso não costuma acontecer ironia (a menos que haja dois narradores). Por outro lado, a terceira pessoa tem a vantagem de saltar entre personagens, enquanto que a primeira pessoa só segue uma personagem.

 

Passado e presente também têm as suas vantagens e desvantagens. Passado significa que o narrador pode dizer coisas ao leitor e comentar passagens, enquanto que no presente não é possível fazê-lo. O presente está a acontecer neste preciso momento, e por essa razão transmite um sentimento de imediatez. O que não significa que não se possa dar um sentimento de imediatez quando se escreve no passado. Por qualquer razão narrar no presente também não acontece muito naturalmente. Isto é provavelmente porque a maior parte das vezes falamos no passado, principalmente se estivermos a contar algo que nos aconteceu. Provavelmente esse estilo é transferido para a forma como escrevemos.

 

Uma vez mais, por curiosidade, o futuro, tal como a segunda pessoa, não funciona numa narrativa. Como se pode contar uma história se ainda não aconteceu?

 

Independentemente do tempo usado, seja consistente e use o mesmo em toda a narrativa, isso é o mais importante, e nunca se deve mudar de um tempo para o outro. Deve haver coerência.

 

Não pense que escolher um tempo e uma pessoa é limitante. Mesmo usando a primeira pessoa e o passado pode-se conseguir dar uma “voz” e personalidade diferentes a cada narrador. Desta forma alguns narradores soam como se estivessem simplesmente a contar uma história, enquanto outros estão a falar directamente consigo, implorando que o compreenda e fazendo perguntas retóricas. Alguns narradores podem ser muito faladores, enquanto que outros são mais eloquentes e poéticos nas suas observações. Não é assim com a terceira pessoa, mas quando se escreve na primeira pessoa, a narração pode-se tornar muito mais divertida, especialmente se o narrador tiver personalidade ao contar a história. Se o narrador estiver simplesmente a contar a história, pergunte-se porque escolheu a primeira e não a terceira pessoa.

 

Aliás, pergunte-se a si mesma “porquê?” em qualquer ponto da escrita, e por qualquer razão, pois é das melhores ferramentas que uma escritora pode utilizar.

 

Resumindo: escolha o tempo e a pessoa que fizerem mais sentido, mantenha-se fiel à sua escolha e, se escolher a primeira pessoa, lembre-se de tirar partido disso e deixar transparecer o caráter.

 

Tente escrever um parágrafo na primeira pessoa onde o narrador esteja a tentar conectar-se com o leitor. Deixe o parágrafo na caixa de comentários abaixo e veja se os leitores se vão interessar pelo seu narrador com apenas cem palavras.

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